sábado, 11 de outubro de 2014

“NÃO TEMAS!”








“NÃO TEMAS!”

(Isaías 41.8-14)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 31/07/14, quinta-feira, noite.

Boa noite.

Por gentileza, fique de pé e abra sua Bíblia no Livro do Profeta Isaías, capítulo 41, a partir do verso 8. Eu farei a leitura até o verso 14:

“8. Mas tu, ó Israel, servo meu; tu Jacó, a quem escolhi, descendência de Abraão, meu amigo;
9. tu, a quem tirei dos confins da terra, chamei desde os seus cantos e te disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei;
10. não temas, porque estou contigo; não te assustes, porque sou o teu Deus; eu te fortaleço, ajudo e sustento com a minha mão direita e fiel.
11. Todos os que se revoltam contra ti serão envergonhados e frustrados; serão reduzidos a nada; e os que se opõe a ti perecerão.
12. Ainda que busques os que lutam contra ti, não os encontrarás; e os que guerreiam contigo serão reduzidos a nada e perecerão.
13. Porque eu, o Senhor teu Deus, te seguro pela mão direita e te digo: Não temas; eu te ajudarei.
14. Não temas, ó bichinho de Jacó, nem vós povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu redentor é o Santo de Israel.” (Isaias 41.8-14).

Eu quero orar mais uma vez.

Este texto precioso da palavra de Israel em que, por três vezes, Deus diz ao seu povo: NÃO TEMAS, NÃO TEMAS, e NÃO TEMAS! (A repetição de algo na cultura judaica significava uma verdade absoluta, ou algo completo).

Mas não temas o que? Não temas porquê? As primeiras pessoas a ouvirem essas palavras foram os judeus, mais ou menos no ano 700 a 720 antes de Cristo.

- Será que esse negócio ainda se aplica? Será que Deus ainda fala comigo e com você hoje: não temas!

É sobre isso que nós vamos meditar nessa noite: Sobre a segurança que temos quando confiamos em Deus!

Porque segurança é um problema sério, sempre foi e até Jesus voltar sempre será. Há algum tempo atrás aqui em Linhares um rapaz foi rendido quando chegava em casa, foi levado para uma região atrás do Fórum e para tentar se livrar do assalto, ou da morte, jogou o carro morro abaixo, quase parou dentro do Rio Pequeno.

Mesmo quem tem alarme, cachorro no quintal, cerca eletrificada, arame farpado, mil e uma trancas na portar, pode não se sentir seguro dentro de casa. E isso falando de segurança física e ou patrimonial, mas e a insegurança emocional, aquele sentimento de que não se está pisando em terreno firme (medo de perder o emprego, medo de não passar na prova, medo de não conseguir assegurar um futuro).

Tem tanta coisa que pode dar medo, e o medo traz insegurança.

O contexto do livro de Isaías não era o mais tranquilizador para o povo de Israel. Aliás, na época em que esse texto que lemos foi escrito, nós nem podemos falar em Reino de Israel. O Reino já estava dividido, e o Reino do Norte chamado de Israel (onde ficava a região de Samaria que aparece tantas vezes no Ministério de Jesus) havia sido dominado pelos Assírios em 722 a.C., só restava o reino do sul, chamado de Judá, onde Isaías exerceu o seu ministério profético.

O Reino da Assíria havia tentado dominar Judá alguns anos antes, no tempo do Rei Ezequias, nos capítulos 36 e 37. Deus deu um livramento extraordinário ao povo.

Mas ainda pesava sobre o Reino de Judá a ameaça de invasão do império assírio. Seria algo semelhante àquela tensão entre Israel e a faixa de gaza. A qualquer hora pode cair um foguete sobre a sua casa, ou explodir uma bomba, ou levar um tiro. Em algumas regiões de Israel as pessoas têm de 60 a 90 segundos para chegar a um abrigo antiaéreo. Nós podemos chamar isso de muita insegurança.

É em uma situação como esta que Deus fala: “Não temas, porque eu estou contigo; não te assustes, porque sou o teu Deus; eu te fortaleço, ajudo e sustento com a minha mão direita fiel.” (v. 10).

Agora então nós precisamos trazer essa realidade para nossas vidas, para os momentos em que nós sentimos fragilizados, inseguros, com medo, ansiosos.

Em momentos como vivemos nestes últimos dias com meu sogro, por exemplo, em que ele estava com o fêmur quebrado, internado no Hospital Roberto Silvares, sem qualquer previsão de prazo para realizar a cirurgia que era necessária.

Ou como a irmã Elza, que foi diagnosticada com nódulos na vesícula, não sabia se eram benignos ou malignos, mas precisava fazer uma cirurgia para extração.

E eu poderia ficar aqui a noite toda citando exemplos de irmãos e familiares que perderam o emprego, que o relacionamento conjugal passa por um abalo, enfermidades e tantas outras coisas que trazem insegurança e medo.

Mas eu quero investir este tempo em que estamos juntos, para meditarmos na resposta de Deus ao nosso medo, à  nossa ansiedade e ao nosso clamor.

Deus nos diz claramente, e em primeiro lugar: Não temas...

1) PORQUE EU CONHEÇO AS SUAS LIMITAÇÕES (v. 14).

14. Não temas, ó bichinho de Jacó, nem vós povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu redentor é o Santo de Israel.” (Isaias 41.14).

Aqui Deus chama o seu povo de “bichinho de Jacó” e “povozinho de Israel”.

A palavra “bichinho” que aparece aqui na versão de Almeida Século XXI recebeu uma aliviada na tradução. Na verdade o hebraico Tôla’at significa “verme”, até hoje, se buscar um dicionário hebraico-português ou mesmo usar a ferramenta de tradução do google, o significado é verme.

Mas porque Deus chama o seu povo de “verme”? Será que Deus estava bravo com o povo: - Seus vermes!”. Será que Deus me chamaria de verme?

Deus chamou o povo judeu de verme e também pode muito bem nos chamar de vermes porque no contexto da mensagem que Deus estava falando ao povo pela boca do profeta Isaias, “verme” era o bichinho mais desamparado, mais desprotegido que Deus podia usar como comparação ao povo.

Verme não é rápido (o bichinho se arrasta);

Verme não é forte (alguns insetos têm ferrão ou tem uma casquinha mais dura -  o exoesqueleto -  ou tem alguma forma de defesa como a lagarta de fogo que ninguém vai botar a mão intencionalmente; mas o verme não, qualquer pisadinha que você der já era); e

 Verme não se sustenta (ele não tem a capacidade de produzir o próprio alimento, sempre depende de outro para se alimentar).

Se nós pensarmos dessa forma, então nós podemos ser chamados por Deus, somente por Deus, de vermes.

 Porque quando nós olhamos para nossas vidas e olhamos para a onipotência, todo esse poder que Deus tem, então é fácil nos compararmos a vermes. Deus provê nosso sustento, nos dá o emprego, uma forma honesta de ganharmos o pão de cada dia; Deus nos dá saúde, ou recupera a nossa saúde.

Mas o ponto principal em comparação com o verme é a nossa fragilidade. Basta um vírus, que seja da gripe, e podemos até ficar de cama; como no caso do meu sogro, bastou um tombo e o fêmur se partiu e colocou até a vida dele em risco em razão da idade (ele tem 83 anos).

O que Deus quer nos dizer quando nos chama de vermes é: Eu conheço a fragilidade de vocês. Conheço seus medos; conheço a ansiedade que toma conta das suas mentes e dos seus corações quando vocês não conseguem enxergar o que vai acontecer.

Há um texto no livro de Hebreus que mostra como é profundo e experiencial o conhecimento de Deus sobre a nossa limitação. Hebreus 4.15:

“15. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas alguém que, à nossa semelhança, foi tentado em todas as coisas, porém sem pecado.” (Hb 4.15).

Deus não conhece a fome, o frio, o abandono, a dor, o medo só porque ouviu falar ou porque ele é onisciente, Deus conhece tudo isso que acontece conosco porque um dia ele se fez homem e habitou entre nós. Jesus Cristo conhece tudo aquilo que eu e você podemos passar em matéria de medo e de ansiedade.

Deus sabe perfeitamente o que é perder um amigo. Quando Lázaro morreu, ainda que ele tenha ressuscitado, o texto Bíblico, na verdade o menor versículo da Bíblia (João 11.35), mostra Jesus chorando.

Quando Deus nos chama de vermes ele não está nos ofendendo, Ele só está nos lembrando que nós somos muito limitados e frágeis, e que Ele conhece bem essa fragilidade, porque ele sofreu na própria pele tudo aquilo que nós sofremos quando escolheu se fazer homem de Jesus Cristo.

Portanto, quando você se sentir só, abandonado ou até mesmo traído por alguém; quando você sentir medo; quando você estiver ansioso, seja pelo motivo que for; lembre-se: Deus conhece exatamente o sentimento que você tem no seu coração e os pensamentos que se passam na sua cabeça. Além de se onisciente (de saber todas as coisas), um dia ele também passou exatamente por todas essas coisas.

E por nos conhecer desta forma experiencial, tão intima, Deus nos diz mais uma vez, NÃO TEMAS...

2) EU TE AJUDAREI (vv. 14-b).

“14. (...); eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu redentor é o Santo de Israel.” (Isaías 41.14-b).

Mas Deus não diz só que conhece a nossa limitação, em contrapartida, Deus diz no mesmo versículo em que nos chama de vermes (verso 14), Ele ainda diz: eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu redentor é o Santo de Israel”.

É muito interessante que Deus use a palavra “redentor”, aplicando a si mesmo, em relação ao seu povo.

A palavra usada para redentor é o hebraico “go’el”, a mesma que é usada em Números 35.19, para a pessoa que é encarregada de ser o vingador do sangue, aquele que poderia matar um homicida.

Mas “go’el” também é a palavra usada também para aquele que resgata o prisioneiro por dívidas e aquele que deve defender o direito da viúva, essa palavra é usada com este sentido no texto de Rute 2.20:

“20. E Noemi disse à sua nora: Seja ele abençoado pelo Senhor, que não deixou de mostrar benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos. Noemi ainda lhe disse: Esse homem é parente nosso, um dos nossos resgatadores.” (Rt 2.20).

Neste texto Boaz é apontado como sendo o resgatador dos direitos hereditários da família de Noemi, sogra de Rute.

Então quando aplicada neste texto de Isaías 41.14, Deus está dizendo de si mesmo, que ele é o protetor do oprimido e libertador do seu povo.

Quando Deus diz: NÃO TEMAS, o que fica subtendido no texto é que eu e você não devemos temer nenhuma das situações que nos aprisionam ou que tiram nossa alegria de viver, porque é o nosso Deus quem vai nos libertar e nos resgatar das garras desse medo.

Quando Deus chama o seu povo de verme, Ele nos diz para compreendermos que somos limitados diante das adversidades, mas quando ele se autodenomina de “redentor” Ele está dizendo para nós pararmos de olhar para nossas limitações, afinal de contas, ficar dizendo o tempo todo que nós somos limitados não vai ajudar em muita coisa; mas quando ele diz para nós olharmos para Ele é para que nós enxerguemos que um Deus todo-poderoso é quem está cuidando de nós.

Vocês são limitados, mas Eu sou ilimitado, Deus diz. Aí as coisas mudam de figura.

Deus também é o seu ajudador. Ele conhece a nossa fragilidade, e como isso pode nos dar medo, por isso Deus nos convida a olhar para Ele: - Vocês são frágeis, mas sou Eu que os ajudo; vocês são fracos, por isso Eu é que sou o redentor de vocês (o libertador).

É a esse Deus todo poderoso que eu convido você a confiar, porque ele é quem pode nos ajudar em todos os momentos das nossas vidas, em especial naquelas em que sentimos medo e desamparo.

Por fim, eu gostaria que nós pensássemos que quando Deus nos diz: NÃO TEMAS...

3) Porque eu te fortaleço quando você está fraco (v. 10).

“10. não temas, porque estou contigo; não te assustes, porque sou o teu Deus; eu te fortaleço, ajudo e sustento com a minha mão direita e fiel.” (Isaias 41.10)

Uma última coisa que eu gostaria que nós pensássemos nesta noite é sobre a oportunidade que temos de ser fortalecidos por Deus quando estamos necessitados para atravessarmos a dificuldade.

Porque existem situações em que não vai haver uma cura.

Por exemplo, Jesus não ressuscitou a João Batista, ele morreu e como todo aquele que espera em Jesus, ele vai ressuscitar somente quando Jesus voltar.

Existem situações em que nós teremos um doente terminal e nós vamos orar por ele, para que Deus o cure se for da vontade do Senhor, mas pode ser que não seja da vontade de Deus que ele se cure. Então ele vai morrer. E a família vai estar enlutada. E o que vamos dizer a essa família?

No texto que nós lemos, Isaías está transmitindo a mensagem do próprio Deus ao povo: não temas, não temas, não temas....

Mas quantas pessoas destas que ouviram o profeta anunciando a mensagem de Deus acabariam indo para o cativeiro babilônico mais tarde, a grande maioria morreria sem rever Jerusalém.

O próprio profeta Isaías foi uma dessas pessoas, que precisou ser fortalecido por Deus para suportar a provação, a tradição judaica diz que ele foi morto pelo perverso rei de Judá chamado Manassés, filho do rei Ezequias.

Seria em referência a ele que o autor da carta aos Hebreus ao falar sobre os heróis da fé, disse no capítulo 11, verso 37 que uns foram “serrados ao meio”. A tradição judaica acredita que Isaias ao fugir da perseguição do rei Manassés teria se escondido no tronco oco de uma árvore, e por isso o rei teria determinado que o profeta fosse serrado junto com a árvore.

Há casos em que somente Deus pode nos fortalecer para continuarmos vivendo.

Ao pensar sobre isso, sobre casos em que a provação durou o tempo de vida da pessoa aqui na terra eu me recordei da história de um homem, que perdeu a perna durante a segunda guerra em razão da perseguição nazista.

A história diz que o homem estava orando silenciosamente e um ateu estava do lado dele olhou, viu que ele não tinha uma perna, entendeu que ele estava orando e não satisfeito resolveu tentar defender o ateísmo. O ateu então perguntou para o homem que orava: - Você está orando para Deus devolver sua perna. O homem parou olhou aquele ateu nos olhos e disse: - Não, eu não estou orando para que Deus devolva a minha perna, eu estou orando para que Deus me ensine a viver sem ela.

(...)

Esse homem orava para ser fortalecido por Deus, para ter sabedoria para pedir que Deus mude o que Deus mesmo entenda que deve ser mudado, e para que Deus dê compreensão e força, para as dificuldades que não vão mudar.

Pastor, mas eu quero uma resposta, eu preciso ouvir Deus me falando porque isso aconteceu, porque o acidente, porque essa enfermidade que levou meu ente querido. Porque isso?

Há uma coisa importante que eu preciso dizer irmãos. Há coisas que estão ocultas ao nosso conhecimento, só Deus conhece e nós vamos conhecer, possivelmente, no céu.

Há um texto muito precioso em Deuteronômio 29.29 que diz assim:

“29. As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que obedeçamos a todas as palavras desta lei. (Dt. 29.29).

As coisas encobertas pertencem unicamente a Deus, mas as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre.

E Deus se revelou aos homens em Cristo Jesus, e foi Jesus quem disse (Mateus 11.28 e 29):

“28. Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
29. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” (Mt 11.28-29).

Porque aconteceu isso com meu filho Pastor? Não sei. Porque essa situação terrível demora tanto? Não sei. Quando Deus vai responder? Não sei.

As coisas ocultas pertencem a Deus. Mas Deus escolheu se revelar em Cristo Jesus e Jesus me disse que quando eu estiver sobrecarregado com as minhas dúvidas, com minhas aflições, com o meu medo, com a minha ansiedade; quando eu não aguentar mais carregar esse peso psicológico; quando eu não aguentar carregar mais esse peso emocional; e quando eu não aguentar carregar mais esse peso espiritual, Jesus me convida a ir até ele, e então eu vou encontrar descanso para minha alma.

Mesmo quando Deus não muda a situação (e há situações que não vão mudar nesta vida, só na vida eterna) ele pode mudar o nosso coração e nossa mente, para atravessarmos essas dificuldades com a alma descansada.

CONCLUSÃO:

Por todas essas razões Deus nos diz todos os dias: NÃO TEMAS, NÃO TEMAS, NÃO TEMAS.

Por isso eu quero convidar você, que está enfrentando momentos de medo, ansiedade, frustração, que necessita do cuidado de Deus para algo que tem afligido sua alma, quero te convidar, ENQUANTO CANTAMOS ESTA ÚLTIMA MÚSICA, a vir até aqui à frente para que possamos orar juntos, sabendo que somos fracos, mas que reconhecemos que temos um Deus todo poderoso que nos resgata das nossas aflições, ou que nos fortalece para atravessarmos as nossas aflições com a alma descansada, sabendo que é Ele quem tem nossas vidas nas mãos.

É um momento de nós clamarmos juntos ao Senhor, mas também de agradecermos.

Por isso, se você, como a nossa família já recebeu esta benção do Senhor, como a que Deus concedeu ao meu sogro, eu quero convidar você para que juntos agradeçamos a Ele. Porque Ele tem cuidado de nós.

Vamos orar.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CULTO DOMÉSTICO 2013

CULTO DOMÉSTICO 2013

Culto doméstico 02/01/2013 (seguindo a agenda 2013 da PIB Linhares). Texto: Gênesis 5.24 “Enoque andou com Deus até que não foi mais visto, porque Deus o havia tomado.
ANDANDO COM DEUS EM 2013!
Sempre gostei da expressão “andou com Deus”, dá uma outra dimensão ao sentido de adoração e culto. Não é simplesmente reunir-se em um ou dois dias da semana com outras pessoas para “cultuar a Deus”, é muito mais que isso, é caminhar em todos os momentos com o Criador.
Dá uma dimensão de integralidade na comunhão, por isso, quando leio que Enoque “andou com Deus” sempre penso na minha relação com meus filhos ou com a minha esposa, nós sempre “andamos” juntos. Seja nos momentos em que estamos alegres ou tristes, mas estamos sempre juntos. É um relacionamento pessoal de amor que nunca é esquecido, esse é o relacionamento que Enoque tinha com Deus.
Neste ano de 2013 que está apenas começando, precisamos pensar com quem estamos caminhando: sozinhos ou com Deus?
Com Ele é eternamente melhor, pois, como diria o salmista: “Quando eu tiver que andar pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; tua vara e teu cajado me tranquilizam. (Salmo 23.4”).
Ore neste momento pelo seu relacionamento com Deus, peça para ajudá-lo a “andar” com Ele todos os dias da sua vida, mesmo que pareça difícil e que às vezes você sinta que tenha se distanciado um pouco, o Pai sempre estará esperando por você para andarem juntos. Deus abençoe você e sua família.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

IGREJAS NÃO DEVEM PAGAR ICMS NAS CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA E TELEFONIA FIXA

IGREJAS NÃO DEVEM PAGAR ICMS NAS CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA E TELEFONIA FIXA

A imunidade tributária corresponde, no tradicional conceito de Aliomar Baleeiro, às "vedações absolutas ao poder de tributar certas pessoas (subjetiva) ou certos bens (objetiva) e, às vezes uns e outras".

Nossa Constituição (CRFB/88) previu em seu art. 150, inciso VI, alínea “b”, a imunidade tributária dos “templos de qualquer culto” nos seguintes termos:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
b) templos de qualquer culto;
(...)
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.

O ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) é um imposto de competência Estadual, ou seja, são os Estados que o instituem, fiscalizam e arrecadam. Você pode verificar na sua conta de energia elétrica e de telefonia fixa e vai encontrar o mesmo.

No Estado do Espírito Santo, o Decreto nº 1.276-R, de 03 de fevereiro de 2004, deu nova redação ao art. 4º do Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação do Estado do Espirito Santo – RICMS/ES, aprovado pelo Decreto n.º 1.090-R, de 25 de outubro de 2002, regulando a imunidade tributária dos templos, e a forma de requerimento de tal reconhecimento junto à Secretaria de Estado da Fazenda.

Transcreve-se abaixo a redação dada ao art. 4º, do RICMS/ES:

Art. 4.º  O imposto (ICMS) não incide sobre:
(...)
XIV - operações relativas ao fornecimento de energia elétrica e prestações de serviços de comunicação feitas aos templos de qualquer culto, vedada a telefonia móvel celular, observado o seguinte:
a) a imunidade prevista neste inciso compreende as atividades relacionadas com as finalidades essenciais do templo, inclusive escolas, creches e centros sociais;
b) as empresas fornecedoras de energia elétrica ou prestadoras de serviços de comunicação somente poderão deixar de destacar o imposto incidente sobre as operações ou prestações que realizarem, após manifestação expressa da Secretaria de Estado da Fazenda – SEFAZ –, quanto ao reconhecimento da imunidade tributária;
c) a entidade interessada deverá encaminhar requerimento à Agência da Receita Estadual  que estiver circunscrito, instruído com:

1. prova de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ;
2. Revogado pelo Decreto n.º 1.305-R, de 14.04.04, efeitos a partir de 13.04.04.
3. alvará ou licença para funcionamento, expedido pelo município de sua localidade;
4. cópia autenticada do título de propriedade, do contrato de locação ou de qualquer instrumento legal que permita a utilização do imóvel;
5. nota fiscal/conta de energia elétrica emitida pela empresa de fornecimento de energia elétrica; e
6. relação das linhas telefônicas e respectivas cópias das notas fiscais de serviço de telecomunicações, que comprovem sua às utilização nas atividades do templo;
d) admitir-se-á a aglutinação, em um único requerimento, do pleito formulado por templos devotados ao mesmo culto, desde que localizados na circunscrição da mesma Agência da Receita Estadual, atendidos os requisitos da alínea c;
e) recebido o requerimento, juntamente com os demais documentos exigidos, a Agência da Receita Estadual submeterá o pedido à Gerência Fiscal, que, por meio da Supervisão de Comunicação e Energia, expedirá comunicado de reconhecimento de imunidade tributária, conforme modelo constante do Anexo LVII, caso haja deferimento do pleito, considerando-se aplicável o benefício somente a partir do mês subsequente ao da expedição do comunicado;
f) as empresas fornecedoras de energia elétrica ou prestadoras de serviços de comunicação deverão apresentar à SEFAZ, anualmente, até o dia 31 de janeiro, listagem ou arquivo magnético contendo os valores totais da operação ou da prestação, e do imposto dispensado na forma deste inciso; agrupados por templo e por município; e
g) a constatação de qualquer irregularidade ou utilização indevida do benefício, autoriza a sua imediata cassação.

Para que os templos de qualquer culto deixem de pagar o ICMS, que incide nas contas de energia elétrica e de telefone fixo (25% da conta), basta que o representante legal da Igreja (pessoa jurídica de direito privado tratada no Código Civil como “organização religiosa”, art. 44, IV, Lei 10.406/02), indicado em seu estatuto social, formule requerimento junto à Agencia da Receita Estadual da circunscrição onde esteja situado o templo, acostando os documentos acima relacionados.

Vale lembrar que a imunidade tributária “deve abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas também o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais edifícios anexos ao templo, ou mesmo que sejam destinados ao ensino religioso” (TJES, Agravo Interno nº 0020766-62.2007.8.08.0024, 4ª Câmara Cível, Relatora Desembargadora Eliana Junqueira Munhos Ferreira, DJES 19/06/2012).

Portanto, a Igreja também não deve pagar IPTU relativamente ao templo e ao prédio de educação religiosa, e na ótica do e. STF, até mesma a casa pastoral é imune à incidência de tal imposto (voto do Min. Gilmar Mendes, citando Aliomar Baleeiro no RE 325.822-2, julgado em 12/02/2002). Da mesma forma, os imóveis pertencentes às Igrejas que estejam alugados, cuja renda seja empregada na atividade fim da organização religiosa não perdem o direito à imunidade tributária.

Não entraremos em detalhes relativamente à imunidade tributária quanto aos demais impostos (IR - Imposto sobre a Renda; ITBI -Imposto de Transmissão de Bens Imóveis; IPVA - Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor; IPI - Imposto sobre Produto Industrializado; IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte; ISS - Imposto sobre serviços, etc.) o caso do IPTU foi citado apenas por ser muito recorrente em processos judiciais), pois o propósito do singelo comentário é exclusivamente alertar os pastores, tesoureiros e líderes sobre a desnecessidade em se pagar ICMS relativamente ao serviço de energia elétrica e telefonia fixa, para que tais recursos possam ser empregados nas atividades fim da Igreja.

Se algum irmão tiver alguma dúvida envie um e-mail para marcosmilagre@hotmail.com, dentro da disponibilidade de tempo estaremos respondendo. Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

LIDERANÇA CRISTÃ POR INFLUÊNCIA

“LIDERANÇA CRISTÃ POR INFLUÊNCIA”.
(Atos 27)
Mensagem preparada para pregação na PIB João Neiva, em 21/10/2012, manhã.

Bom dia!

Hoje pela manhã vamos falar de um tema muito importante para nós como igreja, como servos de Jesus separados neste mundo para testemunhar do que Deus tem feito em nós e através de nós.

Vamos falar sobre liderança cristã.

Algum irmão pode estar pensando “mas eu não exerço cargo de liderança na igreja, acho que eu vou embora, na verdade eu não lidero nada em lugar nenhum”.

Eu asseguro que o texto em que vamos meditar vai ser útil para todos nós que aqui estamos, em razão do conceito de liderança que eu quero apresentar aos irmãos.

Aliás, qual o seu conceito de liderança? O que é liderança para você?

Você já pensou nisso?

Eu quero falar sobre o conceito de liderança que eu tinha; na verdade, sobre os conceitos de liderança que eu já tive; porque à medida que a gente vai ficando mais experiente (não mais velho, é claro, mais experiente), alguns conceitos vão mudando em nós, vamos aprendendo coisas novas, isso deve acontecer com você também.

Na minha adolescência e juventude, o meu conceito sobre liderança era a de magnetismo (liderança por magnetismo), aquele tipo de liderança que algumas pessoas tem que faz com que outras desejem seguí-lo simplesmente porque é aquela pessoa que está ali para liderar.

Parece que há um imã naquela pessoa que atrai a atenção de outras que desejam executar os projetos do líder.

Parece aquele filme “O patriota”, no momento mais tenso da batalha o personagem do Mel Gibson sai correndo com a bandeira americana, balas de canhão e de mosquete para todos os lados, um exército muito maior esperando, mas todos seguem o líder em direção ao perigo, talvez até de morte, sem pestanejar. Ele atrai as pessoas para si.

Quando direcionado para o mal esse tipo de liderança é muito perigoso. Acho que todos devem se lembrar de um alemão com um bigodinho esquisito chamado Adolf Hitler, que levou o mundo a uma guerra mundial em que milhões de pessoas morreram. Quando Hitler começou sua carreira ele era apenas um cabo do exército alemão, e fazia seus discursos em bares. Vejam o que esse líder fez em razão do magnetismo da sua liderança.

Mas quando usado para coisas boas esse estilo de liderança magnética é fantástica, na Bíblia nós temos o exemplo de Neemias, que liderou o povo de Israel a reconstruir os muros da cidade no tempo recorde de 52 dias.

Esse é um tipo de liderança que é um dom que alguns possuem, não todos, não há como criar isso em alguém com treinamento ou com estudos, é algo natural naquela pessoa. Alguns aqui devem se esse tipo de líder.

Eu não sou esse tipo de líder. Nunca fui. Por isso eu pensava que liderar não era para mim, eu não atraia as pessoas para executar os meus projetos. Por isso eu achei que nunca fosse liderar nada.

Mas o tempo vai passando e a gente muda alguns conceitos. Eu fiquei mais velho, fiz um concurso público e aos dezessete anos fui estudar na Escola de Aprendizes Marinheiros, na Prainha em Vila Velha.

No meio militar eu comecei a achar que liderança estava ligada a autoridade. Se alguém tinha uma graduação maior, esse era o líder. O capitão lidera, se ele não está o tenente, e vai descendo até que o cabo é quem lidera os soldados. Eu confundia, talvez você tenha feito isso, Liderança com Chefia. O líder/chefe, se podemos falar assim, exerce o comando porque ele tem autoridade delegada por alguém.

É aquela idéia de “eu mando e você obedece”.

Mas o tempo passou e eu via pessoas que possuíam essa autoridade, mas que eram péssimas em matéria de liderança. E eu pensei: Esse cara não é um líder. Como um líder poderia ser tão boçal assim?

Você já pensou em liderança como eu, liderança por magnetismo ou por chefia? Ou algo parecido?

Você já pensou que liderar não é para você?

Então eu quero apresentar a você um conceito novo sobre liderança, um conceito que vai te trazer responsabilidade.

Você está preparado para ser um líder, uma líder?

Então vamos lá, por gentileza, abram suas Bíblias no livro de Atos, no capítulo 1. Para nós remirmos o tempo eu não vou ler todo o capítulo, vou ler agora apenas os versos 1 e 9 a 11.

A palavra de Deus nos diz assim (Atos 27.1 e 9 a 11):

“1. Determinou-se que navegássemos para a Itália. Então entregaram Paulo e alguns outros prisioneiros a um centurião chamado Júlio, do regimento imperial.
(...)
9. Decorrido muito tempo e tendo a navegação se tornado perigosa, porque já havia passado o Jejum, Paulo os advertiu,
10. Dizendo-lhes: Senhores, vejo que a viagem trará avaria e muita perda, não só para a carga e para o navio, mas também para vida de todos nós.
11. Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao dono do navio do que ao que Paulo dizia.”

Paulo havia sido preso em Jerusalém, passou pelo julgamento diante dos governadores Felix e Festo, defendeu-se diante do rei Agripa, mas, por possuir também a cidadania romana, Paulo apelou para ser julgado por César, por isso foi enviado a Roma.

O capitulo 27 de atos no qual vamos meditar sobre liderança cristã relata a difícil viagem que Paulo e seus companheiros Lucas e Aristarco fizeram em direção a Roma.

O texto narra o naufrágio do navio que conduzia Paulo em razão de uma terrível tempestade.

Eu achei incrível o estilo de liderança de Paulo no meio de tão violenta tempestade, porque, sejamos sinceros, liderar não é fácil, quem trata com pessoas sabe as dificuldades que enfrenta, mas liderar sendo prisioneiro, em um navio de madeira no meio do mar mediterrâneo, com uma tempestade monstruosa e o navio a ponto de afundar, é fantástico.

Você já deve ter lido esse capítulo, você pode estar se perguntando: Onde é que Paulo lidera nesse negócio? Onde é que ele comanda o navio? Quando é que ele toma o timão do navio e começa a gritar “levante a vela”, soltem as amarras...”?

A resposta é: Nunca! Paulo nunca comandou esse navio.

Mas como é que ele liderou então?

Paulo liderou pela influência.

Eu gosto muito do conceito de liderança de um Pastor que é especialista na matéria de liderança, John Calvin Maxwell, ele define liderança como a “arte de influenciar pessoas”.

Com esse conceito em mente, que nós vamos desenvolver durante a reflexão, eu gostaria que nós analisássemos a liderança de Paulo durante esse momento de crise que levou o navio em que ele estava ao naufrágio.

Pensando no apóstolo Paulo, eu gostaria de destacar apenas duas características do líder cristão em momentos de crise, e a primeira delas é que:

1) O líder cristão não pode se omitir, mesmo não estando no comando ele pode e deve influenciar pessoas (v. 9-11).

9. Decorrido muito tempo e tendo a navegação se tornado perigosa, porque já havia passado o Jejum, Paulo os advertiu,
10. Dizendo-lhes: Senhores, vejo que a viagem trará avaria e muita perda, não só para a carga e para o navio, mas também para vida de todos nós.
11. Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao dono do navio do que ao que Paulo dizia.

O navio em que Paulo estava, com duzentas e setenta e seis pessoas ao todo (verso 37), havia aportado em um lugar chamado “bons portos” próximo à cidade de Laséia, na ilha de Creta.

Imagine que esse templo aqui é um navio de madeira. Quantas pessoas cabem sentadas aqui, mais ou menos?

Vamos imaginar que estamos aqui em duzentas e setenta e seis pessoas, isso além da carga que nós estamos transportando.

Nós temos o capitão do navio, a tripulação que está sob seu comando. O dono do navio veio junto na viagem para garantir o seu dinheiro. Temos o centurião romano, chefe da equipe de segurança do navio, para vigiar os presos; e temos outros passageiros, como Lucas e Aristarco, que eram companheiros de Paulo, mas que não estavam presos.

Agora não sei se você se recorda que Paulo era prisioneiro no navio. Você já viu preso ter voz em algum lugar? “Vamos consultar aqui o preso para saber o que ele acha do transporte que está levando ele...”. Ninguém faz isso.

Agora pense na situação de Paulo. Ele recebeu a orientação do Espírito Santo de que eles não deveriam deixar aquele porto e procurou as pessoas que estavam na posição de comando naquele navio (o capitão, o dono do navio e o centurião) para dizer que ele não deviam partir.

Mas o verso 11 diz que chefe da segurança dos presos, o centurião, dava mais ouvidos ao capitão e ao dono do navio do que a Paulo.

Agora se coloque no lugar de Paulo. Você está preso. Você não entende nada de navio ou de mar. Seu negócio é a lei, é pregação. Você iria procurar o seu carcereiro, o capitão do navio (o sujeito cuja vida era navegar), e o dono do navio (com interesse em entregar a carga para receber o dinheiro do transporte) para dizer que o navio não devia sair do porto?

Você teria coragem de fazer isso?

É isso mesmo que você devia fazer! Por que o líder Cristão não pode e não deve se intimidar e se omitir em influenciar pessoas com os valores do reino de Deus, porque você foi comissionado por Jesus para ser um líder que influencia pessoas.

Mateus 5, versos 13, 14 e 16:

“13. Vós sois o sal da terra; mas se o sal perder suas qualidades, como restaurá-lo? Para nada mais presta, senão para ser jogado fora e pisado pelos homens.
14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte.
(...)
16. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está no céu.”

Você deixaria de influenciar as pessoas que te cercam por que você não tem o comando direto sobre aquelas pessoas?

Deixe-me dar alguns exemplos práticos para nós pensarmos.

Você está na fábrica, mas não é chefe de turno, ou supervisor, ou diretor. Mas você enxerga que as condições de trabalho ali não estão adequadas, ou talvez existam riscos que só você esteja vendo, você não procuraria a pessoa que está em posição de comando para falar com ela sobre o assunto porque você não está naquela posição de comando?

Você está na escola e presencia um colega fumando, ou talvez até usando algum tipo de droga, ou na companhia de pessoas vendem essas coisas; ou você simplesmente vê um colega sendo vítima de bullying. Mas você não é a diretora da escola, não é a supervisora e não é o professor. Você vai ficar sentado na sua carteira, comodamente, porque não é você que está no comando direto daquelas pessoas?

Você está na sua casa, seus filhos estão rebeldes, andando em más companhias, não querem mais vir na igreja, talvez até já começaram a ingerir bebidas alcoólicas, ou experimentaram algum outro tipo de droga, você vai ficar inerte só porque agora acredita que é ele quem está no comando da própria vida?

Há muitos cristãos que não exercem a liderança pela influencia no mundo que os cerca. Muitos acham que precisam ser o dono da bola para jogar. É uma doença que o teólogo inglês John Stot chama de “holofotite”, a pessoa tem uma necessidade de estar sob as luzes, sendo alvo de um culto da sua própria personalidade. “Se eu não estiver no volante, passageiro é que eu não vou ser”.

Mas você não precisa ser o Pastor ou o professor da EBD, ou o líder de um determinado ministério para exercer a liderança por influência.

Você é um líder neste mundo, porque Jesus disse que você deve influenciar pessoas com os valores do reino de Deus. Você é sal da terra e luz do mundo, não se omita, assuma a sua posição de líder cristão. Como está registrado na carta de Tiago: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4.17).

Líderes são aqueles que influenciam pessoas. Líderes Cristãos são aqueles que influenciam pessoas com os valores ensinados por Jesus Cristo. Sal da terra e luz do mundo.

E quando um líder cristão não se omite pessoas são abençoadas por isso. Paulo não se omitiu, mesmo em meio à adversidade climática (havia uma tempestade), mesmo em desvantagem social (ele estava preso), mesmo sendo só mais um passageiro em meio a outros duzentos e setenta e cinco pessoas naquele navio ele não se calou, ele não se omitiu.

A tripulação do navio, aqueles que trabalhavam na condução do navio, queriam fugir usando os botes, pensando que iam se salvar (versos 30 a 32), mas Paulo mais uma vez, influenciando o centurião disse que todos se salvariam, mas só se ficassem no navio. Então as cordas dos botes foram cortadas e aqueles homens não puderam deixar o navio, e o verso 44 diz “Assim todos chegaram salvos à terra.

A liderança de Paulo por meio da influencia abençoou os demais prisioneiros. No verso 42 nós vemos que os soldados queriam matar todos os prisioneiros, para que estes não fugissem, mas o centurião Júlio não permitiu que isso ocorresse, e porque? Verso 43. Para salvar Paulo.

Pessoas são abençoadas quando nós não nos omitimos em exercer a liderança cristã através da influência.

Faça isso no seu local de trabalho, na sua escola e na sua família, leve às pessoas os valores que você tem aprendido na Bíblia, na igreja, na Escola Bíblica Dominical. Você não tem duas vidas: Uma na igreja e outra no mundo. Você é sal da terra e luz do mundo, dentro e fora destas paredes, creia que você é um líder cristão onde quer que você esteja, coloque em prática essa influência.

Mas influenciar pessoas tem seus percalços, suas adversidades. Nem sempre as pessoas vão receber uma palavra da nossa parte com bons olhos.

Por isso, o segundo aspecto que eu destaco no caráter de Paulo sobre liderança cristã em momentos de crise é que:

2) O líder cristão sabe lidar com resistências (v. 9 a 11).

Vamos voltar aos versos 9 a 11:

9. Decorrido muito tempo e tendo a navegação se tornado perigosa, porque já havia passado o Jejum, Paulo os advertiu,
10. Dizendo-lhes: Senhores, vejo que a viagem trará avaria e muita perda, não só para a carga e para o navio, mas também para vida de todos nós.
11. Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao dono do navio do que ao que Paulo dizia.

Entremos em um navio imaginário. O navio está atracado em um lugar chamado bons portos, não é o melhor lugar para passarmos o inverno, mas certamente ele não vai afundar estando ancorado. Mas você percebe que o dono do navio e o comandante estão dando pressa nos marinheiros para que o navio zarpe. Só que você sabe que se ele sair daquele porto ele estará perdido, uma tempestade vai afundar o nosso navio.

Vamos nos colocar no lugar de Paulo, nós somos prisioneiros, mas sabemos a verdade, sabemos o que vai acontecer se esse navio deixar o porto. Então, como líderes cristãos nós não nos intimidamos, procuramos o dono do navio, o capitão e o centurião responsável pelo nosso transporte. Contamos a eles o que vai acontecer, dizemos “olha se esse navio sair deste porto vai se perder a carga e o navio vai afundar. Todos nós correremos grande perigo”.

Nós esperamos que as pessoas nos ouçam, que mudem de atitude com nossa orientação. Nós esperamos que as pessoas que buscamos influenciar recebam nossa orientação e mudem de postura.

Mas o dono do navio diz que nós não somos marinheiros, não entendemos nada de navios; o comandante diz que já fez não sei quantas vezes aquela rota, não tem perigo algum. E o centurião, o agente penitenciário responsável pelo nosso transporte dá ouvidos a quem entende de navio (o capitão e o dono do navio). E nosso alerta foi ignorado, mesmo sabendo que estamos certos.

Como você se sentiria se isso acontecesse com você? Você quer ajudar, quer orientar, mas quem você quer influenciar não está disposto a ouvi-lo. Você ficaria frustrado?

Foi isso que aconteceu com Paulo, e acontece conosco no nosso dia-a-dia.

Tentamos ajudar as pessoas, e não podemos deixar de fazer isso, mas elas às vezes não nos dão ouvidos.

Como devemos reagir? Como líderes cristãos que tem o dever de ser sal da terra e luz do mundo, como devemos nos comportar diante da resistência das pessoas?

Em primeiro lugar, devemos confiar que Deus está no controle de todas as coisas. Volte algumas páginas na sua Bíblia e olhe o que está escrito no capítulo 23, verso 11 (Atos):

“11. Na noite seguinte, o Senhor lhe apareceu e disse: Sê corajoso! Como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim é necessário que o dês também em Roma.

Antes de começar aquela viagem Deus já havia assegurado a Paulo que ele chegaria a Roma.

Às vezes nós nos esquecemos de quem está no controle das coisas. Ao menor sinal de tempestade já ficamos prostrados, deixamos de salgar e iluminar o mundo.

O próprio Jesus nos comissionou para fazermos diferença, para sermos referência, não temos que nos intimidar, não temos do que nos envergonhar. Deus sempre esteve, Deus está e Deus sempre estará no controle das nossas vidas e de tudo mais que existe.

Nós não podemos desanimar com resistências. Porque nós é que devemos influenciar as pessoas com a nossa atitude, não sermos influenciados pelas atitudes delas.

Você já pensou nisso? Que é você quem deve influenciar as pessoas e não o contrário.

Voltando à ordem de sermos “sal da terra” e “luz do mundo”.

Por acaso o sal deixa de ser sal porque alguém colocou uma tampa na panela para que você não possa salgar o que está lá dentro?

Por acaso a luz deixa de ser luz porque alguém colocou uma cortina na janela para que a luz não entre?

O que está fora de nós não pode alterar o que temos em nós.

Você foi separado por Cristo para ser embaixador dele neste mundo. Você é templo do Espírito Santo.

Mas como é que eu quebro essa resistência das pessoas em serem influenciadas?

Vejamos Paulo:

Paulo não odiou aqueles homens que rejeitaram a sua palavra.

Eu já ouvi uma expressão que as crianças falam que é assim: “Belém, Belém, nunca mais tô de bem”.

Tem líder que é assim. Se as pessoas não querem seguir o projeto que ele traçou, ou se fazem alguma sugestão, aquilo é uma ofensa sem tamanho, acabou a amizade. Mas o líder cristão que influencia pessoas trabalha com outra expressão: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

É trabalho contínuo. Você falou com seu filho que as companhias que ele está seguindo não são adequadas, mas ele insiste em continuar com aquela turma, não desista, veja se tem alguém que ele respeite, talvez um irmão mais velho, um tio, um primo, e peça para essa pessoa conversar com ele.

Seu chefe não te dá ouvidos. Não desanime, dê um tempinho, ore, espere uma brecha, e eu tenho certeza que ela vai aparecer, e volte ao assunto, sem mágoa pela primeira rejeição, pelo contrário, sua palavra deve ser de ânimo e esperança para a pessoa que você está tentando influenciar.

Paulo fez isso no verso 21 “Senhores, devíeis ter-me ouvido e não ter partido de Creta para evitar avaria e esta perda. 22. Agora vos aconselho que não vos desanimeis, pois não se perderá a vida alguma entre vós, mas somente o navio.

E o verso 25 parte “a”: “Portanto, senhores, tende coragem!

O líder cristão não esfrega sal grosso nas feridas de ninguém.

O líder cristão encoraja, fortalece, cuida e consola, porque foi assim que Jesus nos ensinou.

Mas precisamos ter em mente que o líder cristão também não compactua com os erros nem passa a mão na cabeça, Paulo disse “Senhores, devíeis ter-me ouvido”, é a ideia que Jesus transmite, por exemplo, no trato com a mulher apanhada em adultério (“Nem eu te condeno. Vai e não peques mais” – João 8.11). Errou? Errou! Mas eu estou com você para nós começarmos uma nova caminhada.

Como líderes cristãos não podemos desanimar. Mantenha-se em oração e continue firme no propósito de influenciar aquela pessoa que você tem como seu alvo com os valores do reino.

Foi assim que Paulo agiu como líder que influenciou a direção do navio sem nunca ter tocado no timão do mesmo, é assim que todos nós podemos liderar pessoas pela influência, para sermos usados por Deus para abençoar pessoas.

CONCLUSÃO:

Você é um líder cristão, todos nós somos líderes cristãos, porque fomos chamados para influenciar as pessoas deste mundo com a ética cristã e com as boas novas do evangelho.

Sejamos sal da terra e luz do mundo.

Curve a sua cabeça neste momento.

Vamos orar.

ORAÇÃO.

Linhares, 19 de outubro de 2012.

Marcos José Milagre
Seminarista PIB Linhares