terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

AS DUAS CRUZES

 

*“AS DUAS CRUZES”

(Marcos 8.27-38)

Sermão preparado para a PIB Linhares, em 24/01/2021, domingo noite (Série em Marcos – 6).

 

Boa noite irmãos.

 

Esta é a penúltima mensagem no Evangelho de Jesus Cristo Segundo Marcos.

 

E nós não poderíamos deixar a reflexão em um Evangelho sem falarmos de cruz. Nesta noite vamos falar de cruz, de duas cruzes.

 

E para tanto eu peço a todos que abram suas Bíblias no Evangelho segundo Marcos, no capítulo 8, versos 27 ao 38:

 

“1.” (Marcos 8.27-38).

 

“AS DUAS CRUZES”.

 

Vamos orar mais uma vez!

 

Nossa reflexão nesta noite terá dois tópicos. Duas cruzes, dois tópicos.

 

E a primeira cruz em que vamos meditar é...

 

*1) A CRUZ DO MESSIAS! (v. 29).

 

*“29. Então ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E Pedro respondeu-lhe: Tu és o Cristo.” (Mc 8.29).

 

*Este trecho das escrituras começa com Jesus indo com seus discípulos para os povoados próximos a Cesareia de Filipe, que ficava no sopé do Monte Hermom.

 

Jesus então se volta para os seus discípulos e dispara esta pergunta:

 

*“Quem os homens dizem que eu sou?”

 

Esta é a principal questão colocada diante da humanidade:

 

QUEM É JESUS?

 

Os seus discípulos apresentam as percepções de seus conterrâneos sobre Ele (verso 28):

 

“Alguns dizem que és João Batista; outros Elias; e ainda outros, algum dos profetas”.

 

O ministério de Jesus tem grande identificação com o ministério de grandes profetas: a denúncia da injustiça; a cura dos necessitados; a pregação de arrependimento. Mas nenhuma dessas atividades conseguia identificar plenamente Jesus!

 

Por exemplo, o ministério de Elias envolveu a missão profética, poderes milagrosos de cura e inclusão dos gentios nesta atuação de poderes. O Judaísmo tinha especialmente a crença da volta de Elias, porque ele foi levado vivo para o céu, como descreve 2 Reis 2.11.

 

Cada pessoa que você parar na rua, e perguntar: Quem você diz que é Jesus? Cada um terá uma reposta, porque é impossível não ser impactado pela pessoa de Jesus!

 

*O cristianismo não é um conjunto de valores, muito embora os tenhamos; o cristianismo não é uma doutrina, muito embora tenha um corpo doutrinário estabelecido, mas o Cristianismo é uma pessoa: Jesus, o Cristo!

 

Cristo é uma transliteração da palavra grega para “ungido”! É o mesmo conceito da palavra hebraica para “Messias”!

 

Certamente Jesus não era o “ungido”, ou “Messias” que a grande maioria dos judeus aguardava.

 

No Antigo Testamento três categorias eram ungidas: Reis, sacerdotes e profetas!

 

A ideia do “Messias” esperado era a de um Rei, poderoso, sábio no Espírito Santo, dotado de poderes milagrosos, santo e livre do pecado. O ungido derradeiro e verdadeiro rei de Israel que destruiria os inimigos de Deus por meio da palavra da sua boca, libertaria Jerusalém dos gentios, reuniria os fiéis dispersos e governaria em Justiça e Glória.

 

A ideia de como seria o Messias é bem descrito no Livro apócrifo “Salmos de Salomão”, que foi escrito por volta do ano 60 a.C.):

 

21.    Veja, Senhor, e levanta-lhes o rei deles, filho de Davi, para reinar sobre Israel, seu servo, no tempo que escolheste, Deus.

22.    Guarneceste-o com o poder para destruir os governantes injustos, para purificar Jerusalém dos gentios que a pisaram para destruir.

23.    para expulsar com sabedoria e justiça os pecadores da herança; para abater a arrogância dos pecadores como a jarra do oleiro.

24.    para quebrar com vara de ferro toda a substancia deles; para destruir as nações ímpias com apalavra de sua boca.

25.    para fazer as nações fugirem da sua face ameaçadora, e expor os pecadores pela palavra de seus corações:

26.    E ele ajuntará um povo santo, a quem dirigirá em justiça. E ele julgará as tribos do povo santificado pelo Senhor Deus deles.

27.    Ele não permitirá que permaneça injustiça no meio deles, e todo o homem que conhece a perversidade não viverá com eles. Por que ele os conhecerá todos como filhos do Deus deles.

28.    E ele os distribuirá nas suas tribos sobre a terra; o peregrino e o estrangeiro não habitará muito tempo com eles.

29.    Ele julgará povos e nações na sabedoria de sua justiça (pausa).

30.    E ele terá nações gentílicas servindo-o debaixo de seu jugo, e ele glorificará o Senhor num lugar visível a partir de toda a terra. E ele purificará Jerusalém com consagração, como no início.” (Salmos de Salomão 17.23-30).

 

Essa identificação do Messias com “reinado” também estava na mentalidade do Sinédrio diante de Pilatos:

 

Lucas 22.67 e 23.2:

 

“67. Dize-nos se tu és o Cristo. Ele respondeu: Se eu disser não crereis.

 

2. E começaram a acusa-lo, dizendo: Achamos este homem perturbando a nossa nação, proibindo pagar o imposto a César e dizendo ser ele mesmo o Cristo, um rei.” (Lucas 22.67 e 23.2).

 

Mentiram e estavam equivocados, Jesus nunca se identificou a figura do Cristo ao reinado, mas ao sofrimento, à figura do servo sofredor narrado pelo Profeta Isaias (capítulo 53).

 

*Jesus disse inclusive, verso 31, que “era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado (apodokimasthênai) pelos líderes religiosos, principais sacerdotes e escribas, fosse morto e depois de três dias ressuscitasse.

 

A palavra grega que Marcos usa para “rejeitado”  tem origem no substantivo “dokimasia” (literalmente: exame, avaliação), referia-se ao exame minucioso, o escrutínio, ao qual era submetido um magistrado eleito em Atenas para ver se ele estava legalmente qualificado para o cargo!

 

Jesus disse que Ele não passaria na prova (no exame, no escrutínio, na avaliação) que seria feita pelos “lideres religiosos, principais sacerdotes e escribas”!

 

Jesus talvez não passasse na avaliação de muitos “cristãos” dos nossos dias, porque nós temos o mal hábito de criar padrões na nossa mente de como as coisas ou pessoas devem ser, e quando elas estão diante dos nossos olhos as rejeitamos, porque não são como idealizamos.

 

Outro dia recebemos em um grupo do WhatsApp um Edital lançado por uma igreja de outro Estado, que estabelecia os requisitos para aqueles que desejassem se candidatar ao cargo de pastor titular daquela igreja.

 

Os requisitos eram tão impecáveis que nem o Apóstolo Paulo poderia ser escolhido, talvez nem Jesus Cristo pudesse ser pastor daquela igreja se os requisitos do Edital fossem todos exigidos.

 

O Messias foi idealizado de tal forma pelos líderes religiosos de seus dias que eles simplesmente o rejeitaram quando Ele apareceu na figura de Jesus por não o reconhecer!

 

Cuidado para que você também não idealize Jesus Cristo de forma diferente do que Ele é apresentado pela Bíblia e venha a se decepcionar depois, não com Jesus, mas com o tipo de Jesus que você mesmo idealizou na sua mente.

 

Mas o texto continua, Jesus depois de perguntar aos discípulos como as demais pessoas o viam, Ele se volta novamente e estreita a questão (verso 29): “Mas vós, quem dizeis que eu sou?

 

*Os outros tudo bem, vocês já me disseram, mas agora vocês precisam examinar seus corações, refletir em suas mentes, e me responder, quem eu sou PARA VOCÊS?

 

Ora, as repostas obviamente não podem ser iguais! Se as pessoas que não são meus discípulos, que não tem intimidade comigo pensam de tal forma, é lógico que meus discípulos, aqueles com quem eu tenho maior intimidade devem me conhecer um pouco melhor!

 

Pedro, falando aparentemente pelo grupo diz: “Tu és o Cristo”.  Pedro disse que Jesus era o Messias, o ungido.

 

Mas que tipo de “Messias” Pedro estava confessando diante dos seus colegas de ministério apostólico?

 

Não era o messias que Jesus representava, pois no verso 31 Jesus disse que (i) seria rejeitado pela liderança religiosa de Israel; (ii) seria morto; e (iii) ressuscitaria depois de três dias.

 

Jesus não se encaixava na figura do Messias que os discípulos tinham ouvido falar desde a sua infância. O Messias seria aclamado pela liderança religiosa, governaria o reino de Israel com grande glória, derrotaria os gentios, e que conversa era essa de ressuscitar, onde já se viu alguém auto ressuscitar?

 

Então Pedro fez o que muitas vezes nós também queremos fazer com Jesus, moldá-lo à imagem que temos dele, e não nos submeter à pessoa dele e aos seus ensinos como eles são. Verso 32: “E ele dizia isso abertamente. Mas Pedro, chamando-o em particular, começou a repreendê-lo.

 

Você já pensou, alguém tentar repreender Jesus Cristo?

 

Então Pedro é severamente repreendido por Jesus, que disse que ele não pensava nas coisas de Deus, mas nas coisas dos homens!

 

Coisas dos homens” é aquilo que sempre foi: Dinheiro, fama, Poder e prosperidade material.

 

Mudam as estações, mas não muda o coração humano pecador!

 

No que nós pensamos irmãos?

 

Nas coisas de Deus ou nas coisas dos homens?

 

Jesus, o Cristo, veio para passar pela sua Cruz, era só dele, e não era um fim.  A cruz não era o objetivo, ela era um caminho, um itinerário pelo qual só Jesus poderia passar.

 

O objetivo era a ressurreição, pois foi ela que nos assegurou a vitória sobre a morte:

 

*O apóstolo Paulo com essa convicção escreveu o cântico de Vitória (1 Cor 15.55): “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”.

 

1 Cor 6.14: “Deus não somente ressuscitou o Senhor, mas também nos ressuscitará pelo seu poder”.

 

A primeira cruz de que estamos falando era de vergonha, de ultraje, de morte, mas também era a cruz da salvação, a cruz onde a justiça de Deus foi cumprida, essa cruz tinha um nome; o nome do único que poderia morrer e vence o pecado e a morte, e nos garantir a mesma vitória: Jesus! Jesus, Jesus!

 

Esta primeira cruz é o lugar em que o amor foi provado de maneira concreta, quando Deus se entregou por nós.

 

*Um autor de quem eu gosto muito, John Stott, o que ele escreve vale a pena ser lido, e ele escreveu talvez um dos melhores livros sobre “A cruz de Cristo”, este é título do livro. Stott disse o seguinte sobre Jesus ter morrido na cruz, por pecadores que não o mereciam:

 

É por isso que, se estamos procurando uma definição de amor, não devemos ir ao dicionário, mas ao Calvário.

 

Esta é a primeira cruz, aquela na qual a nossa salvação foi garantida por amor e pela graça!

 

Talvez você não se sinta amado, ou valorizado, durante toda a sua existência, mas esta primeira cruz, a cruz de Cristo, revela o perfeito e completo amor de Deus por mim e por você!

 

Mas ainda temos a segunda cruz para olhar!

 

E essa segunda cruz é uma resposta vivencial à pergunta de Jesus:

 

Quem vocês dizem que eu sou?

 

A nossa resposta pessoal é que vai dizer se temos as duas cruzes como um marco nas nossas vidas: a Cruz de Cristo, a oferta de salvação e vida plena e a segunda cruz: A nossa cruz, a aceitação desta salvação, com todas as mudanças que ela causa.

 

Porque esta segunda cruz, é...

 

*2) A CRUZ DOS DISCÍPULOS DE JESUS: NOSSA CRUZ! (v. 34).

 

*“34. E, chamando a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mc 8.34).

 

Este convite foi uma resposta à atitude de Pedro de tentar repreender ao Senhor!

 

Pedro confessou Jesus como Cristo, mas não sabia ainda direito o tipo de Cristo que Ele era, nem quais eram as implicações em seguir esse Cristo, Jesus.

 

Jesus então esclarece o que seus discípulos precisam saber e fazer para serem verdadeiramente discípulos seus!

 

*Negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz, e segui-lo.

 

Negar-se” é morrer para nós mesmos, para que a vontade de Jesus passe a dirigir o nosso sentido de vida!

 

Tomar a cruz” é comprometer-se sem ressalvas, sem meios termos, sem negociação, a um relacionamento com Jesus Cristo.

 

Segui-lo” é viver uma vida compromissada com sua vontade, com seus ensinos, que honre o seu nome, uma vida repleta de significado.

 

Mas isso importa em tomarmos “a nossa cruz”!

 

Este tomar a cruz tem algumas implicações:

 

*1) A primeira delas é que apenas o “sofrimento” não é sinônimo de cruz para o discípulo:

 

Precisamos refletir que, contrariamente ao que dito em muitas historietas cândidas, motivacionais, a nossa cruz não é simplesmente o “sofrimento”.

 

Há quem pense que o sofrimento é a sua cruz, mas não é, muito embora sofrer possa ser necessário, mas o simples sofrimento não identifica a cruz do discípulo de Jesus.

 

Isto porque todo sofrem, mas nem todos carregam a cruz do discípulo: Judeus sofrem, budistas sofrem, hinduístas sofrem, mulçumanos sofrem, até os ateus sofrem.

 

Sofrimento não identifica a cruz do discípulo, mas o propósito sim! Se for necessário sofrer para que Jesus seja glorificado, honrado, então o discípulo não terá qualquer dúvida em sofrer por amor ao seu mestre.

 

Cruz é um propósito de vida com Cristo, não com o sofrimento, porque não somos masoquistas, o sofrimento não nos dá prazer, mas o suportaríamos com prazer, se fosse para a Glória de Deus!

 

*2) Em segundo lugar, a cruz individualiza nosso relacionamento com Jesus:

 

O Senhor disse “tome a sua cruz”! Eu não posso tomar a cruz de ninguém e ninguém pode tomar a minha, há uma cruz para cada um que quer ser relacionar com Jesus.

 

Jesus mantém o discipulado no nível individual conosco. Cada um deve escolher se vai segui-lo ou não, cada um deve decidir se vai tomar a cruz e segui-lo, ou não.

 

Há um processo, ninguém segue Jesus em negar-se a si mesmo, nem sem a sua cruz.

 

*3) Quem quer seguir a Jesus sem cruz não consegue, é impossível, a cruz é o que nos identifica com Jesus.  Eu sem a cruz não sou identificado com Jesus, você sem a cruz não é identificado como discípulo de Jesus!

 

*4) Em quarto lugar, a cruz mostra que somos submissos a Jesus!

 

O apóstolo Paulo disse (Filipenses 2.8) que Jesus foi “obediente até a morte, e morte de cruz”.

 

Submissão à vontade do Pai, obediência ao plano eterno de salvação, e obediente até à morte, e morte de cruz.

 

E tem muito “alecrim dourado” achando que o cristianismo é uma vida de abastança, prosperidade material e bem-estar emocional. Muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender!

 

Cristianismo é cruz; e cruz é obediência a Jesus; e obediência a Jesus é que traz significado às nossas vidas e plenitude de vida!

 

*5) Porque, em último lugar, a cruz nos faz esquecer o que é menos importante!

 

Quando carregamos um peso muito grande, até esquecemos o resto! No exército quando íamos para exercícios no terreno, precisávamos carregar a mochila, com tudo que fosse necessário por uma semana, o fuzil, capacete de aço, cantil, facão para o mato etc.

 

Não havia espaço na mente para mais nada, o peso era tanto e o foco na objetivo era tamanho que não havia espaço para outros pensamentos.

 

A cruz faz com que o discípulo permaneça focado na sua missão de seguir Jesus!

 

Todas as demais coisas perdem o status de importante, porque seguir a Jesus até o fim passa a ser a missão diária.

 

O que é menos importante ganha o lugar que é devido, para que Jesus ocupe o seu lugar de direito, o primeiro lugar.

 

A cruz realinha as nossas prioridades!

 

Quem não tem o relacionamento de discípulo com Jesus como prioridade na sua vida é porque deixou a cruz que lhe estava proposta no meio do caminho, talvez esteja até perdido na vida cristã sem a cruz para dar-lhe este sentido.

 

Quem nunca tomou a cruz sobre si para seguir a Jesus, ainda não sabe o que é “significado existencial”, também está perdido, muito perdido, porque somente conhecendo o Senhor da primeira cruz e tomando sobre si a segunda cruz é que a vida passa a ter significado, é quando tudo se encaixa.

 

Até esse momento, ficamos batendo cabeça, aqui e ali, sem saber o que fazer com Jesus que continua a perguntar:

 

*Quem sou eu para você?

 

Quem sou eu para você?

 

Enquanto você não der a resposta correta, enquanto você não viver a resposta correta, a pergunta vai continuar ecoando na sua alma!

 

Duas cruzes: a cruz de Cristo (a nossa salvação); e a nossa cruz (o discipulado).

 

Este é o convite de Jesus nesta noite!

 

Receba estas duas cruzes na sua vida! Permita que elas moldem o seu caráter e a sua vida!

 

E toda as demais coisas, o Senhor acrescentará à sua caminhada.

 

Vamos orar!

 

Linhares, 24 de janeiro de 2021.

 

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares – ES

 


LEVANTA E VAI PARA CASA

 

*“LEVANTA E VAI PARA CASA”

(Marcos 2.1-12)

Sermão preparado para a PIB Linhares, em 17/01/2021, domingo noite (Série em Marcos – 5).

 

Boa noite irmãos.

 

Nesta noite nós vamos ver uma cura de um paralítico realizada por Jesus.

 

É um texto bem conhecido, eu gosto muito dele, mas nunca preguei no mesmo. Já ouvimos muitas mensagens baseadas neste texto, mas algumas verdades espirituais que ele transmite requerem uma atividade contínua de reflexão, por isso eu quero voltar nele nesta noite.

 

E para tanto eu peço a todos que abram suas Bíblias no Evangelho segundo Marcos, no capítulo 2, versos 1 ao 12:

 

“1.” (Marcos 2.1-12).

 

“LEVANTA E VAI PARA CASA”.

 

Vamos orar mais uma vez!

 

Eu quero pensar em cinco atitudes que aparecem no transcurso deste relato de uma cura extraordinária realizada por Jesus.

 

A primeira atitude que eu quero destacar é a...

 

*1) A ATITUDE DOS QUE SE ACHEGAM A JESUS: O PARALÍTICO E SEUS COMPANHEIROS! (v. 3).

 

*“3. Então, chegaram alguns homens, trazendo-lhe um paralítico, carregado por quatro deles.” (Mc 2.3).

 

No texto original grego não há esta menção a “alguns homens”, apenas a narrativa de que trouxeram um paralítico carregado por quatro.

 

Podemos então verificar qual é o exemplo que estes cinco homens dão, os quatro que carregam o paralitico em sua “maca”. Devia ser mesmo uma espécie de padiola. Lucas 5.19 usa a expressão grega “klinidíô”, que é literalmente um “catrezinho”, uma “padiolinha”.

 

A atitude que estes cinco homens (ao menos cinco) tiveram para se aproximar de Jesus foi:

 

Vencer obstáculos: Quantos obstáculos você pode identificar que poderiam tê-los desanimado?

 

Eu enumerei as seguintes:

 

*(a) carregar o paralítico pela rua, ele não deveria ser muito pesado, mas carregar alguém pelas ruas até um determinado lugar não deve ser muito fácil, requer esforço e dedicação;

 

*(b) a multidão que não abriu passagem para um homem ser curado, o que é bem típico da natureza humana, a curiosidade deles por ver Jesus era maior que a compaixão pelo homem que precisava ser curado.

 

Parece aquelas pessoas que veem um acidente automobilístico e para ver o acidente, não contribuem com nada para o bem-estar dos acidentados, não ajudam em nada no serviço dos socorristas, bombeiros, policiais, e ainda atrapalham o trânsito!

 

*(c) subir a maca ao telhado: as casas típicas da palestina do primeiro século eram de um andar, recobertas de galhos, palha e barro, formando uma espécie de laje, com uma escada lateral que dava acesso a este terraço, que nos dias quentes, podia até ser usado como dormitório. De toda forma, carregar uma maca no terreno plano é uma coisa, subir uma escada com uma maca é outra coisa, mas isso não desanimou aqueles quatro homens;

 

*(d) destruir o telhado da casa dos outros: Tudo bem, chegamos ao telhado, e agora? Vamos destruir a casa dos outros?

 

Imagine que não estamos na pandemia e este local está lotado porque Jesus está falando aqui, imagine que alguém quebra só o vidro que está ali em frente à marquise para ouvir Jesus, como reagiríamos? Só que lá não era um templo, ou sinagoga, era a casa de alguém que teria seu telhado destruído! Não deve ter sido uma decisão tão fácil assim!

 

*(e) presença de líderes religiosos: O texto, mais à frente afirma que haviam líderes religiosos presentes, os escribas, que era uma corporação (uma profissão, como a de advogados, por exemplo) de alta classe na sociedade judaica. Muitos sacerdotes eram escribas e ser consagrado um escriba abria muitas portas para um homem; mas vou tratar deles daqui a pouco, por hora, basta sabermos que haviam pessoas extremamente importantes e respeitadas pelo povo judeu no recinto, e ainda assim aqueles homens não ficaram intimidados pela presença deles, nem em destruir o telhado de uma casa para ter acesso a Jesus.

 

Mas diante destas dificuldades, qual foi a postura destes homens:

 

A primeira resposta é fé. Ele chegaram com fé. Determinação, confiança de que Jesus poderia curar.

 

Muitos estavam lá, uma multidão, talvez por curiosidade, mas só o paralitico e seus amigos chegaram com fé.

 

*Por que nos achegamos a Jesus? (ou) Como nos achegamos a Jesus?

 

Não pode ser por curiosidade, espírito crítico, festa... Quem se achega a Jesus sem fé perde a oportunidade de testemunhar o maravilhoso agir de Deus em sua vida.

 

A prova disto é que não aconteceu nada com a multidão! A multidão estava lá, certamente cada pessoa lá teria um pedido a fazer a Jesus, mas nenhum dos Evangelhos Sinóticos narra qualquer benefício recebido de Jesus!

 

Há apenas a narrativa de que após o paralítico se levantar, verso 12, a multidão ficou maravilhada com Jesus, glorificando a Deus e dizendo: Nunca vimos nada igual!

 

Mas a multidão mesmo não teve nenhum outro impacto transformador em decorrência da presença de Jesus!

 

Mas, por fé, o paralítico foi perdoado e curado!

 

Não basta chegar a Jesus e preciso chegar a Jesus com fé!

 

*É o que está escrito na Carta aos Hebreus, capítulo 11, verso 6:

 

“7. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois é necessário que quem se aproxima de Deus creia que ele existe e recompensa os que o buscam.” (Hb 11.6)

 

É necessário, é indispensável, é a condição para receber a recompensa de quem busca a Jesus: Fé! Porque a fé no nosso coração agrada a Deus!

 

*A mensagem desta boa nova de Cristo é: não se afundem nas suas macas; não permaneçam inertes na situação difícil em que vocês porventura se encontrem; não se desesperem, nem abandonem a esperança, tenham fé e tragam suas necessidades a Jesus!

 

O resto é com Ele!

 

Mas uma segunda atitude que o texto mostra é a primeira atitude de Jesus...

 

*2) JESUS VÊ A FÉ E RESPONDE À FÉ (v. 5).

 

*“5. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.” (Mc 2.6).

 

Uma curiosidade sobre a atitude de Jesus:

 

Se estão trazendo um homem na maca é porque ele não pode andar.

 

Mas Jesus se volta para o paralítico e diz: Filho, os teus pecados estão perdoados.

 

É interessante que ninguém precisava dizer nada a Jesus, Ele sabia o que se passava no íntimo de cada um, e ainda sabe. É o que diz o texto de João 2.25:

 

“25. e não precisava que lhe dessem testemunho sobre o homem, pois ele bem sabia (gr.: egínosken: conhecia) o que é o ser humano (literalmente: “o que havia no ser humano”).” (João 2.25).

 

Vendo-lhes a fé”: Por isso Marcos relata que Jesus viu a fé dos homens e do paralitico!

 

E a primeira palavra de Jesus não foi de cura, mas foi de perdão dos pecados.

 

Os homens podem ter pensado: “-Nós trouxemos este homem paralítico aqui com todas essas dificuldades para ele ser curado, não perdoado!!!

 

Esta é a diferença entre a forma como Jesus responde aos nossos pedidos e, por exemplo, um requerimento apresentado em um guichê da administração pública ou um processo judicial!

 

A administração pública e o Juiz não podem ir além do que nós pedimos, estão restritos ao nosso requerimento, mas Jesus não!

 

*Jesus faz distinção entre o que pedimos e aquilo que necessitamos. Ele supre a nossa necessidade, não o nosso desejo!

 

*Qual a nossa maior necessidade?

 

Para o homem era ser curado, para Jesus a primeira necessidade dele era ser perdoado!

 

Jesus põe ordem às nossas prioridades!

 

Somos uma geração muito marcada por coisas e pelo físico: remédio para emagrecer, academia para perder peso para o verão. Ganhar dinheiro, ter patrimônio, exibir o patrimônio que temos!

 

Não estou dizendo que trabalhar e adquirir bens, ou ter um corpo saudável é errado, ou fazer uma reeducação alimentar, ou atividade física, não é nada disso, por favor, compreenda.

 

Eu mesmo fiz uma bariátrica e perdi 50 quilos, fiz por uma questão de saúde, não de estética. Melhorou muito a minha qualidade de vida, a estética ficou melhor, é claro, mas não foi por isso que me submeti a um procedimento cirúrgico que envolve riscos, foi por necessidade!

 

O que eu estou dizendo é que no meio secular há uma glorificação da matéria sobre o espírito: Muita gente que vai em um escritório para ganhar dinheiro, ou em uma academia para se exercitar, jamais pisou em um lugar de culto a Deus!

 

Voltando ao nosso texto, quem está paralítico quer ter a usa plena liberdade de movimento, mas Jesus reordena as prioridades e ensina que o maior problema do homem é o perdão dos seus pecados.

 

Não há nada errado em pedirmos que Jesus nos cure, nos abra uma porta de emprego, mas estaremos absolutamente errados se não entendermos que nossa maior necessidade é o perdão dos nossos pecados.

 

*Quando Deus falou por meio do profeta Isaias, Ele disse o seguinte (Isaias 59.2):

 

“2. Mas as vossas maldades (avonotekem, raiz “avon”: iniquidade, pecado) fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouve.” (Is 59.2).

 

Precisamos do perdão de Deus para que nossas orações sejam ouvidas!

 

Acima da necessidade emocional, material, financeira, porque é a base de tudo, é nosso relacionamento com Deus. Uma pessoa que tem relacionamento com Deus tem uma base de segurança que só Ele pode dar!

 

Nossa maior necessidade é nos relacionarmos intimamente com Deus, e isso só é possível se, em primeiro lugar, nos arrependermos e buscarmos o perdão de Deus.

 

A terceira posição que constatamos no texto é...

 

*3) A ATITUDE DOS CRÍTICOS (vv. 6-7).

 

*“6. Estavam sentados ali alguns escribas, que pensavam no coração:

7. Por que esse homem fala dessa maneira? Ele está blasfemando! Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus?” (Mc 2.6-7).

 

Uma observação inicial:

 

Os críticos eram aquela gente que amanhece em porta de boteco? Eram ateus? Eram, usando uma expressão muito comum nas redes sociais, “esquerdistas”? Não!

 

Os críticos eram líderes religiosos membros de uma categoria profissional importantíssima em Israel!

s

*Eram Escribas! E quem eram os escribas?

 

Os mencionei brevemente na reflexão da manhã, justamente porque tencionava apresenta-los com mais detalhes agora à noite.

 

Os escribas eram uma classe profissional! Você encontrava tantos membros da classe sacerdotal entre eles como fariseus.

 

Muitos profissionais eram mercadores, carpinteiros, fabricante de tendas e podemos até citar um operário, o rabi Hillel, que ficou muito famoso posteriormente, cuja escola rivalizava com outro escriba, o rabi Shamai. O escriba normalmente tinha outra profissão que dividia com a de escriba e professor.

 

A principal fonte de autoridade dos escribas era o “saber” o conhecimento, por isso para ser um Escriba, o candidato devia consagrar a sua vida à sábia atividade de escriba, começando como discípulo (talmîd) de um escriba reconhecido. Normalmente começa muito cedo este estudo. O Apóstolo Paulo, por exemplo, diz que foi “instruído aos pés de Gamaliel” (At 22.3).

 

Flávio Josefo, o historiador judeu que mencionei pela manhã, sem modéstia, afirma em sua “Autobiografia”, que desde os quatorze anos dominava plenamente a exegese (a interpretação do sentido) da lei.

 

*O aluno tinha convivência pessoal com seu mestre e ouvia seus ensinamentos e quando tivesse aprendido a dominar toda a matéria tradicional e a interpretação da lei a ponto de poder resolver por si mesmo questões de legislação e ritual, tornava-se “doutor não ordenado” (talmîd hakan).

 

Somente quando atingisse a idade mínima para ordenação, que era quarenta anos, é que podia ser ordenado um “escriba” (semikak) e ser recebido na “corporação dos doutores”, como “doutor ordenado” (Hakam).

 

A partir daí estava autorizado a resolver por si mesmo as questões de legislação religiosa e ritual; podia ser juiz em processos criminais e dar pareceres nos processos civis, seja como membro de uma corte de justiça, como o Sinédrio, ou individualmente. A partir desta ordenação o Escriba podia receber o título de “rabi” e usava uma túnica específica, cheia de longas franjas.

 

Doutores ordenados (escribas) também eram responsáveis pela criação e transmissão da tradição oral derivada da Torá (a lei escrita).

 

Era tão relevante ser um “escriba”, que com exceção dos Chefes dos Sacerdotes e dos membros das famílias patriarcais, o escriba era o único que podia ingressar na Assembleia Suprema do Judaísmo, o Sinédrio.

 

Todas as cadeiras do partido dos Fariseus no Sinédrio eram ocupadas por Escribas. Para ocupar um posto de liderança na comunidade judaica, se houvesse um escriba e um não escriba, o escriba tinha a preferência, pelo conhecimento jurídico e religioso que ele possuía da lei.

 

Eram homens profundamente honrados pelo povo, na Sinagoga sentavam-se de costas para o armário em que era guardado a Torá, de frente para o povo, para que fosse bem-vistos por todos. Também tinham os primeiros lugares (aqueles mais próximos do anfitrião) reservados nos banquetes (Mt 12.39). Eram saudados antes dos anciãos e, inclusive, dos próprios pais.

 

Por isso Jesus expôs é que a partir do verso 8, Jesus expôs o que estava no coração dos Escribas: (1) A de que só Deus pode perdoar pecados; e (2) Jesus blasfemava, pois, no entendimento dos Escribas, Ele não poderia fazer isso!

 

Homens que dedicaram suas vidas a serem porta-vozes da tradição messiânica, que estavam na presença do messias, mas que não reconheceram Jesus como o Messias que Israel esperava!

 

Isso nos serve de advertência: Como nós podemos criar uma espécie de roteiro ou esquema mental que nos impede de enxergar como deve ser nosso relacionamento com Deus!

 

Eu nasci nessa religião e vou morrer nela, eu sei que está errado, mas meu pai e minha mãe são dessa religião e vou ficar aqui mesmo. Isto é absolutamente sem sentido!

 

Marcos 2.7 (quem pode perdoar pecado a não ser Deus?). Parece até a Teologia protestante evangélica!

 

A primeira afirmação deles estava certa: “Só Deus perdoa pecados, estão certos.

 

Mas Jesus responde com uma pergunta: Qual é mais fácil, para mim, perdoar pecados ou mandar um paralitico andar (para nós nenhum dos dois é possível), mas para Jesus as duas questões são iguais (preguei há alguns dias a mensagem “Senhor do Céu e da Terra” em que abordei essa questão).

 

A atitude dos críticos tem um ângulo certo: Só Deus pode perdoar pecados!

 

Homem nenhum pode, quem diz que pode está se colocando no lugar de Deus, nós podemos desculpar as falhas dos outros conosco, mas perdão de pecados é esfera de atuação de Deus.

 

Estavam errados ao dizer que Ele blasfemava, eram os homens que blasfemavam.

 

A palavra usada por Marcos para “blasfemando” é o grego “Blasfemeî”.  A ideia de “dizer o que não podia ser dito - em relação a Deus”!

 

E como nós podemos blasfemar (dizer o que não pode ser dito sobre o nosso Deus)?

 

*Blasfemamos quando duvidamos do poder de Cristo, seja para perdoar ou curar.

 

Precisamos ter em mente que a área espiritual e área material são da esfera de Jesus.

 

Blasfema quem duvida do seu poder, quem não o reconhece como Sustentador do Universo, como o Senhor e Salvador de sua vida!

 

Porque Ele é!

 

Uma quarta atitude, é na verdade a...

 

4) SEGUNDA ATITUDE DE JESUS (v. 9-11).

 

*“9. O que é mais fácil dizer ao paralítico: Os teus pecados estão perdoados, ou: Levanta-te, toma a tua maca e anda?

10. Mas, para que saibais que o Filho do homem tem autoridade para perdoar pecados na terra (disse ao paralítico),

11. eu te digo: Levanta-te, toma a tua maca e vai para casa.” (Mc 2.9-11).

 

Jesus sonda os corações e diz:

 

O que é mais fácil?

 

De um lado eu disse que os pecados estão perdoados, vocês dizem que é blasfêmia. De outro lado trouxeram o paralítico para eu curar.

 

Para que saibais que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados. Levanta-te toma o seu leito e vai para casa!

 

A prova que eu tenho autoridade para perdoar pecados é que eu curo.

 

*”Autoridade” é a palavra grega Exousian (autoridade de fora, outorgada).

 

Vocês estão certos: Só Deus perdoa pecados, por isso Ele me deu autoridade, não estou usurpando, extrapolando a autoridade dada pelo Pai.

 

O que Jesus está dizendo com este discurso aos Escribas é:

 

“Eu tenho autoridade em qualquer área da vida!”

 

*Ele tem poder para colocar ordem em qualquer esfera da nossa vida!

 

EU não sei se você tem alguma área da sua vida que precisa que Jesus exerça a autoridade dele, ou qual é essa área, talvez nem você saiba, ainda, mas Jesus tem autoridade para colocar qualquer área da minha e da sua vida em ordem, basta que você se aproxime dele com fé!

 

For fim, a última atitude para analisarmos:

 

*5) A ATITUDE DO PARALÍTICO (v. 12).

 

*“12. Então ele se levantou e, pegando logo a maca, saiu à vista de todos; de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa igual!” (Mc 2.12).

 

O homem se vê no meio de uma discussão teológica (é blasfêmia, não é blasfêmia, quem pode e quem não pode curar).

 

Mas ele não está nem aí. Ele só quer se curado. Jesus manda: Levante-te...

 

Como assim? É assim tão fácil? Eu não tenho que fazer um procedimento qualquer, sacrificar um animal, tomar banho em um rio? Fazer um ritual qualquer?

 

A olhos humanos a ordem parece absurda: Um paralítico levantar e andar? Onde já se viu isso?

 

Não tem nem um processo e cura, começar a se firma devagar, com o tempo andar, um dia talvez correr...

 

O homem poderia dizer não posso!

 

Como nós podemos limitar na nossa mente a compreensão que temos sobre o Poder que Deus tem...

 

Mas no caso do texto, o homem obedece.

 

Uma observação sobre este homem, sua atitude e a ordem de Jesus:

 

*O paralítico deve dominar o seu instrumento de dominação, que era aquela maca!

 

Qual o nosso instrumento de dominação: Medo, prostração, ansiedade, álcool, drogas, algum outro vício....

 

O que Jesus está demonstrando é que não fomos criados para sermos dominados, mas fomos criados para ter dignidade porque fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Jesus restaura essa dignidade), fomos criados para a liberdade em Cristo!

 

*É o que diz o Apóstolo Paulo no texto de Gálatas 5.1:

 

“1. Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Portanto, permanecei firmes e não vos sujeiteis novamente a um jugo de escravidão.” (Gl 5.1).

 

No caso dos ouvintes de Paulo o jugo de escravidão era o legalismo judaico para o qual alguns estavam voltando, e no nosso caso, para de qual jugo Cristo nos libertou e podemos voltar?

 

Talvez um sentimento que não devesse estar no nosso coração, ou um comportamento que não deveríamos mais ter após nosso encontro com Jesus, mas o fato é que podemos permanecer escravizados de certas situações, ou sentimentos, dos quais Jesus quer nos livrar e nos dar domínio sobre eles!

 

O homem veio carregado, veio com os pés alheios; voltou andando com os próprios pés, com seu leito debaixo do braço!

 

Com Jesus não somos carregados, Ele permite que nós andemos com nossas próprias pernas!

 

O que é que domina você?

 

Medo, ansiedade, drogas, bebida, pornografia, baixa autoestima?

 

Há pessoas que não se batizam porque não desejam ou não conseguem deixar de beber! Isto é questão de deixar Jesus agir e assumir um compromisso com Ele.

 

Mas há sentimentos como medo e a ansiedade, que também podem nos dominar em tempos de turbulência incerteza. Até a tristeza por algo que aconteceu pode tentar nos dominar de uma forma não natural.

 

Ficamos tristes, mas não devemos ser dominados pela tristeza ou qualquer outro sentimento que diminua nossa capacidade de viver uma vida plena na companhia de Deus!

 

O que ainda te domina? Jesus quer te libertar!

 

“36. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres! (João 8.36).

 

CONCLUSÃO:

 

Eu poderia ainda falar da atitude do dono de casa que a abriu para receber tantas pessoas e que não protestou quando seu telhado foi destruído para que uma pessoa pudesse ter acesso a Jesus (podemos afirmar isto porque nenhum dos 3 Evangelho Sinóticos – Mateus, Marcos ou Lucas, que relatam este ocorrido tem qualquer queixa do proprietário do imóvel sobre o inconveniente de ter sua casa invadida não só pelas portas ou até pelo telhado.

 

Poderia falar da atitude da multidão, que mesmo vendo um paralítico precisando de cura e sabendo que Jesus poderia curá-lo, egoisticamente na abriu passagem.

 

Há um claro paradoxo entre o dono da casa e a multidão. Generosidade e compaixão da parte de um e Egoísmo e indiferença da parte de outros. Mas já tratamos este assunto hoje pela manhã, vamos ficar por aqui.

 

*Diante do que vemos, podemos afirmar que todas as curas feitas por Jesus são símbolos de uma atuação e autoridade muito mais profundas, que é a restauração do ser humano alienado da comunhão com Deus!

 

Um Deus relacional quer ter íntima comunhão conosco!

 

Nós vamos nos levantar daqui a pouco e vamos para casa.

 

O paralítico levantou-se restaurado e foi também para sua casa.

 

O desejo de Jesus é que todos nós saiamos daqui restaurados ou aqueles que estão em seus lares, que também sejam restaurados.

 

*Você só precisa ter fé e entregar a Jesus esta situação ou sentimento que exerce domínio sobre você, para que Cristo o liberte!

 

Venha até Jesus e deixe que Ele liberte você de tudo que o aprisiona!

 

Vamos orar!

 

Linhares, 17 de janeiro de 2021.

 

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares – ES