segunda-feira, 12 de novembro de 2018

GERISIM, JERUSALÉM OU SEU CORAÇÃO, QUAL DOS TRÊS É ADORAÇÃO?



*“GERISIM, JERUSALÉM OU SEU CORAÇÃO, QUAL DOS TRÊS É ADORAÇÃO?”
(João 4.20-24)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 11/11/18, domingo manhã. Mês da música.
Bom dia.

Como os irmãos tem acompanhado nas mensagens deste mês, novembro é mês em que nossa igreja se volta para a música.

E a nossa reflexão nesta manhã será sobre adoração. Na última quinta o Pr. Enilton falou também sobre adoração e nós vamos continuar falando nesta manhã sobre esse assunto, porque nós não podemos pensar na música, que uma forma de adoração sem ter muito claro na mente o que é adoração, a quem eu devo adorar e como devo adorar!

E para nossa reflexão nós vamos usar um texto bem conhecido, João, capítulo 4, versos 20 a 24, por gentileza, abram suas Bíblias no texto e assim que o encontrarem se coloquem em pé para ouvir a leitura:

“20. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21. Então Jesus lhe disse: Mulher, crê em mim, a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22. Vós adorais o que não conheceis; porque a salvação vem dos judeus.
23. Mas virá a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade; porque são esses os adoradores que o Pai procura.
24. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem no Espírito e em verdade.” (João 4.20-24).

Gerisim, Jerusalém ou seu coração, qual dos três é adoração?

Vamos orar mais uma vez.

Adoração é um assunto muito importante, talvez ato mais importante na vida do Crente e da Igreja.

-Mas e o evangelismo, e a ação social, e a oração, e...” Por favor, não me entenda mal. Estas coisas são muito importantes, mas Deus não nos criou para estes fins específicos, Deus nos criou para o louvor da sua Glória: Adoração! Efésios 1.11-12:

*“11. Nele também fomos feitos herança, predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o desígnio da sua vontade,
12. a fim de sermos para o louvor da sua glória, nós os que antes havíamos esperando em Cristo.” (Ef 1.11-12).

E vamos passar a eternidade em adoração a Deus (Apocalipse 7.9-10 e 15):

*“9. Depois dessas coisas, vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e na presença do Cordeiro, todos vestidos com túnicas brancas e segurando palmas nas mãos;
10. e clamavam em alta voz: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.
(...)
*15. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário, e aquele que está assentado no trono estenderá o seu tabernáculo sobre eles.” (Ap 7.9-10 e 15).

No verso 15 a palavra “servem” tem origem no grego “latreia”.

Latreia tem o sentido de serviço na adoração, o ato de adora, de cultuar é latreia. Por isso a palavra que usamos para adorar falsos deuses (idolatria) tem sua raiz nessa palavra grega.

*No texto de Romanos 12.1 o apóstolo Paulo diz:

“1. Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto (latreían - serviço) racional.” (Rm 12.1).

Nesta manhã estamos prestando um latreían (culto) a Deus, e vamos passar a eternidade em culto adorando a Deus.

Então se você achava que adoração é um tema importante, você estava certo, é muito importante e merece toda a nossa atenção.

EU havia pensado que seria possível responder nesta manhã a três questionamentos: 1) o que é adoração? 2) como deve ser a adoração? e 3) a quem é devida a adoração?

Mas ao escrever a mensagem percebi que o tema é muito extenso para uma única mensagem de 30 ou 40 minutos, por isso os temas 2 e 3 vão ficar para os dias 15 e 29 deste mês e a nossa reflexão nesta manhã vai girar apenas em torno do seguinte questionamento:

*1) O QUE É ADORAÇÃO (v. 20 e 21).

Quando você pesquisa no Google imagens a palavra “adoração”, a imagem que mais aparece é de uma pessoa, homem ou mulher, com um ou os dois braços levantados (parecendo um jogador de voleibol na rede fazendo um bloqueio).

Quem gosta de estudar a simbologia da cultura, vai entender que a nossa cultura entende que aquela imagem representa adoração. Mas será que a Bíblia confirma essa ideia?

O diálogo entre Jesus e a mulher samaritana foi em outro sentido:

20. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21. Então Jesus lhe disse: Mulher, crê em mim, a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.

Esta senhora identificada no relato bíblico como “a mulher samaritana” tinha um conhecimento limitado sobre o que era adoração.

*Os Samaritanos, que eram judeus miscigenados, misturados, com outros povos quando o Reino do Norte (Israel) deixou de existir em 730 a.C. dominado pelos Assírios, usavam na sua liturgia religiosa somente o Pentateuco, ou, os Livros de Moisés (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), o restante da Bíblia Hebraica (nós a chamamos de Antigo Testamento) era o que eles tinham como dado por Deus a eles.

Os Judeus tinham os escritos poéticos, os profetas, os livros históricos.

Mas os judeus também tinham a limitação de identificar a adoração com os atos litúrgicos realizados no Templo de Jerusalém (sacrifícios, ofertas, orações, músicas).

Havia sido construído um Templo no Monte Gerisim, que ficava próximo à cidade onde a mulher samaritana morava, e lá foi colocado até um bezerro de ouro para adoração, justamente para concorrer com o Templo de Jerusalém (veja a idolatria).

Mesmo o templo do Monte Gerisim tendo sido destruído em 129 a.C. pelos judeus, a pergunta da mulher samaritana demonstra que o ato de ir ao monte adorar e a rivalidade com o Templo de Jerusalém permaneceu.

Dentro desta verdade que ambas as culturas tinham, cada um defendia o seu modo de adoração segundo o seu próprio ponto de vista.

*Havia uma coisa em comum em ambas as culturas, adoração estava ligado à ideia de “lugar” (Dt 12.11):

“11. Então haverá um lugar que o Senhor, vosso Deus, escolherá para ali fazer habitar o seu nome. (...)” (Dt 12.11).

*Até aqui tudo bem, vamos deixar a mulher samaritana e os judeus um pouco de lado agora, e vamos nos perguntar: qual é a nossa ideia sobre o que seja adoração?

Terminou o culto, você saiu, atravessou a faixa de pedestres, vai caminhando descendo a rua no sentido da BR 101, um conhecido te para e faz uma pergunta trivial: “-O que é adoração?

O que é que você responderia? (...) “-eu peço ajuda aos universitários?”.

Tudo bem, digamos que você tenha elaborado essa resposta e a tenha guardado consigo.

*Você elaborou sua resposta teológica e a tem na sua mente, para qualquer um que lhe pergunte, mas será que suas palavras e seus atos do dia-a-dia correspondem à resposta que está na sua mente?

Eu vou explicar: Mesmo sendo oriundos da Reforma Protestante, mesmo membros de uma igreja batista histórica, nós somos fortemente influenciados pela cultura católica, em razão da história de colonização do nosso pais.

Por exemplo, falamos sem perceber a expressão “Nossa!” ou “Minha nossa!” como interjeição de espanto, só que essa expressão é oriunda da frase de clamor “Minha Nossa Senhora!”, que se refere ao culto católico a Maria (a doutrina oficial da igreja católica é de que não é culto é veneração – mas se você se prostra e roga algo a alguém ou a alguma coisa isso é culto, o resto é semântica).

Outra expressão dessa cultura católica do nosso pais é a identificação dos locais de culto, que até podemos chamar de templo (porque a nossa Constituição de 1988 assim o fez no art.150, IV, “b”) com a “igreja”!

*-Eu vou na igreja” (construção), “-vamos pintar a igreja” (construção); “-as lâmpadas da igreja estavam apagadas” (construção); e tantas outras frases que usamos no dia-a-dia para identificar o templo com a igreja.

Mas igreja é gente, vem da palavra grega ekklesía (chamado - fora), assembleia, pessoas. Biblicamente igreja nunca é identificada com uma construção na Bíblia.

Outra expressão que usamos, e que não é própria do Novo Testamento, mas do Antigo Testamento e do Judaismo, é identificar o Templo (esta construção) com a “Casa de Deus”,

 *O Salmista faz isso no Salmo 122, verso 1:

“1. Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.” (Sl 122.1).

*O problema é que o Salmista está falando especificamente do Templo que foi construído em Jerusalém; templo este que possuía um ambiente separado (o Santo dos Santos, ou o Santíssimo), onde apenas o Sumo Sacerdote entrava, uma vez ao ano (Êxodo 30.10; Hebreus 9.7), para oferecer sacrifício pelo povo (Levítico 16; Hebreus 9.7), onde estava depositada a arca da aliança (antes de desaparecer) e sobre esta arca o lugar específico que marcava a presença de Deus naquele local, o propiciatório.

Apenas o Templo de Jerusalém era identificado como a “Casa do Senhor”!

Deixou de ser com a vinda de Jesus ao mundo, tanto o é que Jesus diz à mulher samaritana (versos 23 e 24):

23. Mas virá a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade; porque são esses os adoradores que o Pai procura.
24. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem no Espírito e em verdade.” (João 4.20-24).

Acabou! Nenhum lugar mais será chamado de “Casa de Deus”, como local de adoração, até mesmo porque no ano 70 d.C. os romanos liderados pelo General Tito destruíram o Templo de Jerusalém, restando somente o seu Muro Ocidental, que também é chamado de “Muro das Lamentações”

*O marco mais específico dessa mudança está registrado no texto de Marcos 15.37-38:

“37. Mas Jesus, dando um alto brado, expirou.
38. Então o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo.” (Marcos 15.37-38).

*A finalidade do véu era fazer a separação entre o espaço santo e o espaço santíssimo (onde estava a arca da aliança), mesmo ainda na época em que o culto era realizado no Tabernáculo (Ex 26.33-34):

*“33. Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e levarás a arca do testemunho para dentro do véu. Este véu fará separação entre o lugar santo e o lugar santíssimo.
34. Porás o propiciatório sobre a arca do testemunho no lugar santíssimo.” (Ex 26.33-34).

Duas coisas marcam o véu ter sido rasgado:

*(i) a primeira é que Deus não habitaria mais em templos feitos por mãos humanas (por isso nossos templos não são “Casa de Deus”). Foi uma das afirmações do Apóstolo Paulo ao fazer a pregação em Atenas (Atos 17.24):

*“24. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.” (At 17.24).

O mesmo apóstolo Paulo disse que os crentes é que são verdadeiramente templos onde Deus habita (2 Coríntios 6.16):

“16. E que acordo tem o santuário de Deus com ídolos? Pois somos santuários do Deus vivo, como ele disse: Habitarei neles e entre eles andarei; eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (2 Cor 6.16).

*Mas a segunda coisa que o véu rasgado significa é: (ii) Não há mais barreiras entre qualquer pessoa e Deus, há um caminho: Jesus Cristo, e no nome de Jesus nos achegamos a Deus (1 Timóteo 2.5: Porque há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem).

-Pastor, você não devia falar essas coisas, já tem menos gente vindo no culto de quinta-feira e no domingo pela manhã, se você falar que o templo não é a “Casa de Deus” muita gente vai começar a faltar!”.

Eu não tenho nada contra a expressão “Casa do Senhor”, você pode usar ela de forma poética; é uma expressão que traz beleza, mas este não é um argumento Bíblico, por isso eu não posso usar algo que não é Bíblico (dizer que Deus mora em construções) para que as pessoas façam o que é Bíblico (que é cultuar a Deus junto com a igreja que escolheram).

Aqui nós precisamos entender a força não aparente das palavras que usamos: Você deve ter assistido um filme chamado “Titanic”.

Quando os vigias observam o iceberg se aproximando, o que eles veem?

-O gelo que está acima da água! Mas o que é que afunda o navio?

-O gelo que está abaixo da linha d’água! A maior parte do iceberg fica abaixo da linha d’água, e não pode ser visto, nem por isso o perigo é menor.

Nossas palavras representam o gelo acima da linha d’água, é o que dar para ver, ouvir. Mas o que pode nos afundar nem sempre é visível!

Quem falta às reuniões da igreja, não por estar doente (eu na quinta à tarde e noite tive um mal-estar severo e não pude estar no culto); ou por cumprir uma escala de trabalho, mas falta para relaxar, para dar uma caminhada, ir na academia, não vai fazer a menor diferença para a presença dela nos cultos eu dizer (sem amparo bíblico) que o templo é a “Casa do Senhor”.

*Porque essa pessoa:

(1) ainda não entendeu o que é adoração!

(2) Ela não se importa com quem devemos adorar; e

(3) E o “como adorar” ela faz do jeito dela (aliás uma marca da pós-modernidade, esse tempo cultural em que vivemos, é que espiritualidade na cabeça de muita gente é vivida como restaurante self service, o sujeito coloca no prato somente o que quer, na quantidade que quer, e deixa no prato se não gostou).

Jesus muda a percepção da mulher samaritana e chama nossa atenção para mudar também a nossa percepção de que adoração não é em Gerisim (Samaritano), nem em Jerusalém (Judeu), mas em espírito e em verdade.

A mulher samaritana estava tão interessada em saber o que para ela era o lugar correto de adoração (quem só lesse a narrativa bíblica a partir desse versículo iria dizer: que mulher espiritual), mas essa mesma mulher já tinha tido 5 maridos e o homem que ela tinha agora não era seu marido!

O interesse dela pelo “local certo para adorarnão tinha alcançado sua vida conjugal, sua vida moral, sua rotina diária!

Muita gente tem um conhecimento intelectual, um pensamento, uma definição do que seja adoração, mas isso não muda a sua vida em nada! Não aproxima a pessoa de Deus, não a leva a ter um compromisso com Deus e a mudar o que ela sabe que está errado!

Isso responde aos nossos questionamentos sobre a importância de saber e praticar esse conhecimento, do que não é adoração.

Como crentes, nós precisamos viver aquilo que falamos, ou estaremos apenas dizendo “Senhor, Senhor”, mas não estaremos fazendo aquilo que Jesus nos mandou fazer, como Deus Pai falou pela boca do profeta Malaquias 1.6 e o Deus filho disse e foi registrado no Evangelho Segundo Lucas 6.46

Porque parece bobagem ou trivialidade quando pensamos em adoração, gastar tempo dizendo que igreja não é templo, nem lugar, que igreja somos eu e você.

Mas isso tem relevância quando o sujeito pensa que o templo é um local mais espiritual, mais sagrado, que a sala da casa dele, ou o seu local de trabalho, ou o ambiente virtual que ele frequenta com seu smartphone, ou seu computador.

O sujeito está com problema, precisando (entre aspas) “de uma oração forte” então ele vem ao culto (à Casa de Deus), porque na cabeça dele, Deus está aqui! Aqui tem mais “poder” para abençoá-lo!

É como se o sinal do wi-fi celestial pegasse melhor aqui!

Mas a gente só passa 4 horas e meia, mais ou menos em culto coletivo como igreja. Quinta à noite, domingo pela manhã e à noite. Depois disso a (Casa de Deus) fecha as portas. Tem gente que passa mais tempo nas redes sociais (face book, Instagram, twitter...) que nas reuniões da igreja.

A pessoa vai passar o resto da semana em casa com o cônjuge e os filhos, com a família, na empresa, trabalhando, na escola, na faculdade, e na impressão que ele tem de igreja e de adoração lá não é “Casa de Deus”, então quem é que não mora lá, ou quem é que não está lá?

Deus!

Se Deus não mora fora do templo, eu posso colar na prova, Ele não está vendo mesmo! Eu posso brigar com a mulher, eu estou na minha casa, Deus está na casa dele. Eu posso ser mal-educado (tem crente que não faz a gentileza de dar um bom dia para ninguém), eu posso fazer um monte de besteira... Depois eu venho onde eu entendo que é a casa de Deus e ouço o Pastor Enilton ou o Pastor Marcos pregando, eu canto uma música e está tudo bem!

Isto não e adoração!

*Assim como não é adoração a ideia de “assistir um culto”. É outra ideia que pode estar associada ao pensamento de que Igreja é construção!

A gente assiste um jogo (porque não entramos em campo para jogar), Flamengo e Botafogo jogaram ontem, os torcedores entraram em campo para jogar? Não, eles assistiram ao jogo!

A gente assiste um filme ou uma peça de teatro (porque não estamos atuando no filme, não somos os atores), quem assiste um culto é porque não entrou na reunião da igreja para adorar a Deus!

Assistir culto também não é adoração (e é outra expressão que ouvimos muito: eu vim assistir o culto)!


Percebem que as expressões que usamos até agora tem algo por trás que nem sempre percebemos? É o gelo oculto que afunda o navio!

Até agora dizemos o que adoração não é: não é ir a um lugar, não é assistir um culto, agora precisamos começar a dizer o que é adoração.

*Uma das coisas que Adoração significa é render-se!

Um dos termos mais usados para adorar é a expressão grega proskuneô, originalmente significava “beijar”, o ato de adoração grega de dobrar os joelhos, prostrando-se e beijar o chão ou a imagem. Comunicava a ideia básica de submissão.

Adorar é submeter-se à vontade de um Deus soberano que é alvo da adoração. Por isso o relacionamento com Ele, a quem adoro, é do jeito Dele, não o meu, por isso eu não falto aos cultos prestados a Ele pela igreja, porque entendo que fui criado para essa adoração e nada é mais importante que adorá-lo. A mulher samaritana rendeu-se à autoridade de Jesus, e a primeira coisa que ela fez ao deixar a sua presença foi anunciar que o havia encontrado ao seu povo!

Por isso adoração como rendição à vontade de Deus se infiltra e se espalha por todos os aspectos e momentos da nossa vida!

*Adoração também tem o sentido de servir. Já falamos sobre isso anteriormente, é o grego latreia (traduzido em Romanos 12.1 como culto).

É importante dizer que no texto de Romanos 12.1 Paulo afirma que o culto é racional. Sentimento tem seu lugar na adoração, mas a adoração não pode ser transformada em um momento para o adorador extravasar suas emoções (como a história do trenzinho no culto que uma igreja estava fazendo e o pastor disse ao irmão que a Convenção Batista tinha flexibilizado).

Também não deve ser um ritual frio, destituído de sentido, não pode ser um fazer pelo fazer, como se o ritual fosse mais importante que o desejo de adorar! 

Adoração precisa ser um ato de entrega ao Senhor. O texto de Lucas 2.37 diz que a profetisa Ana, uma viúva com 84 anos, servia prestava culto (latreousa) ao Senhor no Templo de Jerusalém, numa adoração de jejuns e orações, noite e dia.

Adoração é prestar culto, como igreja, por isso o Autor da Carta aos Hebreus diz que não devemos deixar de nos reunir (Hebreus 10.25):

*“25. não abandonemos a prática de nos reunir, como é costume de alguns, mas, pelo contrário, animemo-nos uns aos outros, quanto mais vede que o dia se aproxima.” (Hb 10.25).

Adoração não é um mero fazer, ou ir, ou sentir: adoração é ser, é um estilo de vida de quem deseja adorar ao Senhor, mas isto ainda não é um conceito de adoração!

Uma observação feita por um pastor respeitado no nosso meio, pela sua seriedade e erudição, já está com o Senhor na eternidade, Pr. Russel Shedd: “(...) qualquer tentativa de definir adoração será falha”[1].

Por isso fiquemos com a orientação Bíblica sobre adoração (Salmo 34.1-3):

“1. Bendirei o Senhor em todo o tempo (não só nos momentos de culto com a igreja); seu louvor estará sempre nos meus lábios.
2. Minha alma se gloriará no Senhor (eu adoro individualmente, não só com a igreja); os aflitos ouvirão isso e se alegrarão (adoração conforta o coração do necessitado).
3. Engrandecei o Senhor comigo e juntos exaltemos o seu nome (adoração deve acontecer também com a igreja toda reunida).” (Salmos 34.1-3).

Gerisim, Jerusalém, ou seu coração, qual dos três é adoração?

Vamos orar neste momento.

Linhares, 09 de novembro de 2018.

Pr. Marcos José Milagre


[1] SHEDD, Russel. Adoração Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2ª ed. 2007, p. 17.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

ESTÁ RUIM, VAI PIORAR, NÃO RECLAME, CONFIE E LOUVE AO SENHOR!



*“ESTÁ RUIM, VAI PIORAR, NÃO RECLAME, CONFIE E LOUVE AO SENHOR!”.
(Habacuque 3.16-19)
Mensagem preparada para pregação na PIB Linhares, em 1º/11/2018 (quinta-feira), noite.

Boa Noite irmãos.

*O desafio para esta noite era pregar uma mensagem que abrangesse o Dia da Reforma Protestante, que foi ontem 31 de outubro, quanto Martinho Lutero afixou em 1517 as 95 teses na porta da capela do Castelo de Winttemberg, uma reforma que marcou a volta da igreja para a Bíblia, depois de séculos perdida em muitas tradições humanas sem fundamento na Palavra, e, além do dia da Reforma Protestante, hoje estamos dando abertura ao mês da música no calendário da nossa igreja.

*Por isso o Livro de Habacuque era a escolha lógica, e nossa abordagem na reflexão desta noite vai nos conduzir pelos caminhos da reforma e vai terminar irrompendo em uma Música lindíssima, um Salmo, que representa a mais pura fé e confiança em Deus.

Por gentileza, abram suas Bíblias no Livro do Profeta Habacuque, no capítulo 3. Vamos ler os versos 16 a 19. A palavra de Deus nos diz assim:

“16. (...)” (Habacuque 3.16-19).

*ESTÁ RUIM, VAI PIORAR, NÃO RECLAME, CONFIE E LOUVE AO SENHOR!

Vamos orar mais uma vez.

Eu já vinha meditando sobre essa reflexão mentalmente há algum tempo e na segunda-feira à noite estávamos na Assembleia da Igreja e mandei para a irmã Elisângela, nossa Ministra de Música que estava sentada em uma cadeira atrás de mim e de Esther.

Quando eu mandei o WhatsApp e mostrei a Esther o tema da mensagem ela disse: “-Sério que é esse o título da mensagem?” Eu disse: - é!

-O Pastor está pessimista hoje!”. Não é nada disso, o tema da reflexão é um resumo do Livro de Habacuque, que é uma realidade: as coisas nem sempre caminham como queremos.

*O título é diferente porque o profeta Habacuque é completamente diferente dos demais profetas!

Os profetas com que estamos acostumados cumprem o seu ministério normalmente com a seguinte expressão: “- Assim diz o Senhor...”.

O profeta, via de regra, traz a mensagem de Deus para o povo. Habacuque não, ele anda na contramão, ele leva a mensagem do povo para Deus! É um profeta diferente.

Aliás seu nome Habacuque pode significar tanto o nome de uma planta, quanto abraço (heb.: hâbaq), não o abraçar no sentido amigável, mas abraçar como em uma luta.

Se for esse mesmo o significado do seu nome, ele corresponde ao que o profeta faz em seu livro: Ele luta com Deus em oração.

Habacuque começa sua narrativa questionando a Deus sobre a violência que via na sua terra Judá (Habacuque 1.2-4):

“2. Até quando clamarei e não escutarás, Senhor? Ou gritarei a ti: Violência! E não salvarás?
3. Porque razão me fazes ver a maldade e a opressão? A destruição e a violência estão diante de mim; também há contendas, e o litígio é comum.
4. Por causa disso a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, pois o ímpio cerca o justo, de modo que a justiça é pervertida.” (Hb 1.2-4).

*A data aproximada é a de 600 a.C., Habacuque é um profeta contemporâneo do Profeta Jeremias.

O Reio do Norte (Israel) já não existia mais, e o Reino do Sul (Judá) onde o profeta Habacuque exercia o seu ministério estava prestes a cair diante do Império Caldeu (nós os conhecemos como babilônicos, cujo rei época era Nabucodonosor).

O profeta abre o seu coração e se queixa a Deus, com sinceridade, de que o Reino de Judá estava dominado pela violência, injustiça e a opressão.

*Deus responde ao profeta (capítulo 1, verso 6):

“6. Estou levantando os babilônicos, essa nação feroz e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra para se apoderar de moradas alheias.” (Hb 1.6).

Está ruim, mas vai piorar...

*Deus iria enviar e usar os babilônicos como instrumento de correção dos judeus.

A nação que deveria ser sacerdotal, que deveria expressar para os povos pagãos como é servir ao único e verdadeiro Deus (porque é isso que nós cremos), estava afundada na idolatria, na injustiça e na opressão.

Os caldeus, ou babilônicos, um povo idólatra, cruel, seria usado para corrigir o povo de Deus!

O profeta não entendia porque havia tanta injustiça e maldade em Judá, e agora não entendia o propósito de Deus, porque a injustiça seria corrigida com um povo ainda mais injusto.

Acho que nós podemos fazer uma reflexão sobre isso, o problema do mal, ou do sofrimento.

*Qual a razão, ou o qual significado do sofrimento? Como reagir ao sofrimento que nos atinge nesta vida?

Às vezes nos atinge como um tapa, às vezes como um trem de carga lotado.

Esta é a nossa primeira observação, pode estar ruim, pode piorar (no caso de Habacuque piorou muito), por isso...

*1) PRECISAMOS ENCONTRAR SIGNIFICADO NO SOFRIMENTO (v. 1.1-11).

Os Livros de Jó e de Habacuque trabalham com problema do mal. Jó a nível individual, Habacuque a nível nacional.

Na nossa limitação humana nós não conseguimos entender o sofrimento:  porque adoecemos, porque carros batem e pessoas amadas morrem, porque no câncer as células, contrariando a sua programação normal se reproduzem desordenadamente matando a pessoa (eu perdi uma irmã desta forma), qual o porquê da depressão, das enfermidades emocionais que atingiram níveis de pandemia mundial?

*Nós não conseguimos entender o sofrimento, mas ele faz parte desta vida! Uma hora ele nos atinge e às vezes parece uma marretada!

A primeira coisa que precisamos ter em mente, até mesmo para não nos frustrarmos é que a nossa fé não nos torna imunes ao sofrimento.

Habacuque era um homem de fé, era um profeta, mas sofria com a injustiça dos seus dias. Não existe vacina anti sofrimento, nem mesmo para o crente mais fiel!

Jesus na sua onisciência divina disse (João 16.33-b): “No mundo tereis tribulações;”.

E como o sofrimento atinge a todos, crentes e não crentes, por vezes a dor seja física, seja emocional, pode tentar nos conduzir a questionar a ação de Deus:

- Se Deus me ama, porque estou sofrendo? Porque ele permite isso?

Uma corrente teológica chamada teísmo aberto (que é uma moderna forma de heresia), para tentar “aliviar a barra de Deus” diz que Deus não conhece o futuro completamente em razão do livre arbítrio humano, Ele vai descobrindo as coisas conforme vamos escrevendo a história, e por isso Ele não poderia impedir o Tsunami que varreu o Oceano Índico em 2004, nem poderia impedir que um desses aviões caísse, mas ele sofre conosco.

A Bíblia e especialmente o livro de Habacuque nos mostra justamente o contrário, Deus está no controle da história, nos é que, em razão da nossa limitação humana (como somos limitados), não conseguimos compreender os planos de Deus para todo o Universo.

*Por isso a pergunta que devemos fazer quando no meio do sofrimento, não é “porque isto está acontecendo?”, mas, “para que isto está acontecendo?”, “qual o propósito disto?”.

Como eu posso extrair sentido para a minha vida nesta situação pela qual estou passando?

Eu mencionei há duas semanas quando preguei, sobre um Austríaco de origem judaica, médico, psicanalista, fundador da escola de psicanálise chamada logoterapia, Viktor Frankl.

Ele ficou recluso em campos de concentração durante a 2ª Grande Guerra, depois foi liberto, e escreveu um livro chamado “Em busca de sentido”, ele escreveu outros 30, mas neste ele apresenta suas memórias do Campo de Concentração.

É bem doloroso ler sobre os sofrimentos que ele enfrentou nos Campos de Concentração, mas formidável ver como em meio a todo aquela dor, sofrimento, perdas e humilhação ele encontrou um sentido para continuar vivendo.

Muitos, como ele narra, iam para o fio – tocavam em arame eletrificado para cometer o suicídio-, outros, deitavam-se em suas camas – eram apenas tábuas- e ficava ali sobre suas próprias fezes e urina e esperavam a vida se esvair, o que não demorava muito, devido à desnutrição e ao frio. Eles já conheciam quem chegaria a esse estremo pelo olhar do colega prisioneiro.

Mas Frankl observou que as pessoas que tinham uma fé, a expectativa de reencontrar um familiar, que tinham um livro por escrever, que entendiam que sua vida tinha um significado maior que simplesmente nascer, viver e morrer, lutavam pela vida até o fim.

*Nós somos crentes, nós cremos em um Deus que dirige a história, mesmo que nós não compreendamos qual o caminho Deus está levando a história, ela está nas mãos dele.

Há um sentido para a vida, mesmo em meio ao maior sofrimento!

É como quando está dormindo no ônibus, no carro ou mesmo no avião e você acorda, não reconhece o lugar lá fora, está escuro, mas mesmo assim você não se desespera, você sabe que o motorista ou o piloto estão na rota correta.

Deus é esse condutor, por isso a nossa pergunta deve ser: Para que estou vivendo esta situação? Como posso glorificar a Deus?

Eu me lembro do irmão Cloves Moura. Foi diácono desta igreja, quando eu aqui cheguei ele já não exercia o diaconato, estava enfermo, um câncer terrível na coluna que o deixou acamado.

Eu tive a oportunidade de visita-lo algumas vezes acompanhando o Pr. Ednaldo. O irmão Cloves Moura encontrou significado na sua enfermidade, ele usava sua cama como um púlpito e pregava para a família, pregava para quem fosse lhe fazer uma visita, pregava para a enfermeira que ia visitá-lo.

Ele decidiu usar a sua enfermidade para a glória de Deus!

Nossas adversidades, nossas lutas, nossas enfermidades, nossos problemas podem nos afastar de Deus e afastar das pessoas, ou, podem servir para nos aproximar mais de Deus, ou pode nos ajudar a levar outras pessoas a se aproximarem de Deus, e somos nós quem decidimos isso.

*Que sentido você tem buscado dar ao sofrimento ou às lutas pelas passa?

É uma pergunta que nós precisamos nos fazer todos os dias!

Porque em seu livro, vemos que o Profeta Habacuque reclama da injustiça, do sofrimento; Deus responde que vai enviar uma nação pagã, terrível, como correção para o seu povo, o profeta não entende, e no capítulo 1, versos 12 a 17, Habacuque parece que quer lembrar a Deus quem Ele é (como se Deus não soubesse).

*E no verso 1º do Capítulo 2, Habacuque diz que vai esperar Deus responder:

“1. Eu me colocarei sobre minha torre de vigia; ficarei sobre a fortaleza e vigiarei, para ver o que ele me dirá e o que terei como resposta à minha queixa.” (Hb 2.1).

-Reclamei e agora vou esperar”. Parece que Habacuque tinha feito uma queixa no PROCON Celestial e estava esperando a resposta.

Aqui podemos pensar em uma segunda reflexão:

*2) DEUS SABE O QUE ESTÁ FAZENDO, OREMOS, MAS NÃO MURMUREMOS.

Uma das coisas mais bonitas no capítulo 1 de Habacuque é a sinceridade com que ele fala com Deus.

Ele não usa frases de efeito, ele não tenta disfarçar sua dúvida, seu medo, sua indignação, ele simplesmente abre a boca e diz para Deus onde e como está doendo.

*Nós precisamos usar de sinceridade nas nossas orações. Há orações que parecem uma reza gospel. A pessoa pede oração pela unha encravada, a gente ora por tudo, menos pedindo a Deus pela unha encravada.

Essa semana eu e Gabriel tivemos um tempo muito significativo na oração com intenção específica. Ele estava reclamando de dor no dente, já eram mais de 10 horas da noite, Esther já tinha aplicado um remédio, mas continuava a doer.


Eu me sentei com ele na beira da cama, abracei, orei pedindo a Deus que a dor parasse. A dor parou. Ontem à noite nós conseguimos ver o motivo, um abcesso causado por uma cárie em um dos dentes que estava oculta, hoje Esther o levou ao dentista, ele fez uma limpeza do abcesso, fez uma obturação e o problema foi resolvido.

Onde é que está doendo meu irmão? É o seu casamento? É o seu filho? É o seu dente? É uma dúvida?

Ore com sinceridade, com direcionamento específico. Oração sem direcionamento é reza gospel, é repetição sem sentido de palavras.

Mas cuidado para não confundir oração sincera com murmuração. Não deu certo para Jó nem para Habacuque. Nos versos 2 a 19 Deus profere seus “Ais” contra a injustiça, a opressão e a idolatria, em especial contra os babilônicos, eles não escaparão impunes.

*A expressão traduzida como “Ai”, é o hebraico roy, uma exclamação usada em enterros ou em momentos de lamentação diante de uma desgraça.

Deus ouviu Habacuque, os judeus seriam corrigidos, Deus usaria os babilônicos, mas Deus puniria os babilônicos pela sua iniquidade.

Deus sabe o que faz, nós é que não sabemos nem o que nós mesmos fazemos, quanto mais o que Deus está fazendo ou irá fazer.

*Por isso no verso 20 Deus encerra a sua fala com a seguinte ordem:

“20. Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante ele toda a terra.” (Hb 2.20).
Deus com isso diz a Habacuque: - eu sei o que estou fazendo, chega de questionamento, viva pela fé!

Como disse antes, o sofrimento pode nublar nossos olhos e nós passamos não a pedir a Deus, ou entregar o problema a Deus, mas a questionar a ação de Deus.

*O apóstolo Paulo escrevendo à conturbada igreja em Corinto disse o seguinte (1 Cor 10.10):

“10. E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e forma mortos pelo destruidor.” (1 Cor 10.10).

Por isso precisamos ter cuidado, a murmuração contra Deus não produz nenhum fruto, não edifica, não alivia a situação, não muda o nosso coração.

*Mas a fé sim, a fé transforma o nosso coração.

Por isso Deus disse a Habacuque o que é o cerne da nossa fé Cristã, é o cerne da Reforma Protestante: O justo viverá pela fé! Habacuque 2.4:

*4. Vede o arrogante! A sua alma não é correta; mas o justo viverá pela fé.” (Hb 2.4).

Deus nos diz, confie! Viva pela fé!

*A palavra “justo” no hebraico é “tsadiq”, que não significa necessariamente aquele que é santo, ou o que é justo no sentido de não ser pecador, mas é o sentido “daquele que confia”.

Então o final do versículo 4 ficaria assim: “Aquele que confia” viverá pela fé.

Foi pela fé que Martinho Lutero, um monge da igreja católica, leu o texto da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 1.17-b: “O justo viverá pela fé”) e levantou sua voz em 1517 contra toda uma estrutura religiosa da igreja dominante, mas era uma igreja que havia se afastado da Bíblia.

Por isso o justo, ou melhor, o Tsadiqaquele que confia”, viverá por sua fé.

Fé no hebraico é “Emunâh”. No contexto de Habacuque o sentido do texto é FIDELIDADE.

*Deus nos diz em Habacuque 2, verso 4, que “aquele que confia viverá por sua fidelidade”.

Nos momentos de dificuldade é que vemos como anda a nossa fidelidade para com Deus.

Não confiar em Deus, pela fé, é negar Deus. Negar o seu poder, o seu amor, o seu controle sobre as nossas vidas e sobre o Universo!

Habacuque confiou em Deus, foi fiel, Deus mostrou que cuidaria dos babilônicos, ele não havia perdido o controle da história, por isso a nossa fé deve nos levar a...

*3) CONFIAR E LOUVAR AO SENHOR (Hb 2.4 e cap. 3).

Depois que Habacuque ouve a resposta de Deus à sua oração ele compreende que precisa confiar no Senhor.

*É só então que ele consegue entoar o Salmo, a música que está no capítulo 3, que lemos no início. Poderíamos dar a essa música o título de “ainda que, mesmo assim...”:

“17. Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas videiras; ainda que o produto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado do estábulo e não haja gado nos currais;
18. mesmo assim, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha Salvação.
19. O Senhor Deus é a minha força! Ele fará os meus pés como os da corça e me fará andar sobre os meus lugares altos. Ao regente de música. Para instrumentos de cordas.” (Hb 3.17-19).

Ainda que..., ainda que..., ainda que..., mesmo assim...

O profeta encerra esta música dizendo que o Senhor fará os seus pés como os dá corça e o fará andar sobre os seus lugares altos.

*Alguns comentaristas bíblicos dizem que o animal aqui identificado por corça é uma espécie de cabrito montes. No inverno descem a montanha, e no verão quando a comida escasseia, ela volta a subir a montanha, buscando água, alimento, um clima mais ameno.

Muitas músicas dos nossos dias têm sido centralizadas nas bênçãos que Deus pode nos dar, e na pessoa do adorador, poucas delas tem feito como a música que Habacuque compôs: Vamos adorar a Deus por quem Ele é, não pelo que pode nos dar!

Deus não removeu os problemas da corça, Ele fortaleceu os seus pés para que ela possa continuar sua caminhada em meio aos problemas.

Essa música tem muito a nos ensinar sobre como Deus age na vida daqueles que confiam, daqueles que tem fé:

*Deus não impediu que Sadraque Mesaque e Abednego entrassem a fornalha, mas Deus estava com eles na fornalha.

*Deus não impediu que Daniel fosse lançado na cova dos leões, mas Ele estava com Daniel na cova dos leões.

Nestes dois casos Deus proveu livramento, mas há muitos casos em que Deus está conosco, traz paz ao nosso coração, atravesso conosco o sofrimento, mas não nos livra dele.

Ele não impediu que Estevam fosse apedrejado, mas Ele estava com Estevão, que sendo apedrejado pode dizer (Atos 7.59-60):

“59. E enquanto o apedrejavam Estêvão orava: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
60. E, pondo-se de joelhos, clamou em alta voz: Senhor, não lhes atribua este pecado. Tendo dito isso, adormeceu.” (Atos 7.59-60).

Não somos imunes aos problemas (no mundo tereis aflições), precisamos dar um significado ao sofrimento; devemos orar com sinceridade, mas sem murmurar; pois Deus nem sempre remove os nossos problemas (Ele sabe o porquê, nós talvez nunca saibamos); mas Ele nos fortalece sempre (faz os nossos pés como os da corça), e podemos ter certeza que Ele sempre está conosco!

Como crentes em Jesus nós temos algumas certezas, uma delas, a mais importante, uma certeza que Estevão e os demais apóstolos tinham; uma certeza que nossos irmãos que foram martirizados pelas feras no Coliseu Romano tinham; que nossos irmãos, escravos nas plantações de algodão do Sul dos Estados Unidos tinham; que os crentes que morreram nos Gulags soviéticos e ainda morrem nos campos de reeducação da Coréia do Norte ou em muitos países muçulmanos:

É a certeza de que para os servos de Jesus, no fim tudo vai dar certo!

Porque por mais que não entendamos as provações, sofrimentos, lutas que vivemos nesta Terra, no fim vamos ouvir:

“34. (...) Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;” (Mt 25.34-b).

No fim, tudo vai dar certo!

Habacuque entendeu isso:

*“Ainda que... Ainda que... Ainda que...
Mesmo assim, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha Salvação.”

E nós, podemos louvar a Deus em meio ao sofrimento?

Eu e você entendemos da mesma forma a ação de Deus na nossa história?

Essa reflexão é individual e fica para pensarmos ao sairmos por aquelas portas!

Vamos orar. ORAÇÃO.

Linhares, 1º de novembro de 2018.

Pr. Marcos José Milagre.
PIB Linhares.