terça-feira, 28 de julho de 2015

QUAL É O SEU NOME?

“QUAL É O SEU NOME?”
(2 Crônicas 7.14)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 23/07/15, quinta-feira, noite.

Boa noite irmãos.

Eu peço que vocês abram suas Bíblias no Segundo Livro das Crônicas, Capítulo 7, verso 14:

“14. e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7.14).

Qual é o seu nome? Vamos orar mais uma vez.

Este versículo é parte da resposta de Deus à oração do rei Salomão quando da dedicação do primeiro templo de Jerusalém. Deus promete sarar a terra e perdoar os pecados do povo, não de todo o povo, mas daqueles que se chamam pelo seu nome, que afirmam ser o seu povo. E para perdoar e sarar a terra do seu povo Deus exige que ele se humilhe e busque a sua presença, ore e se arrependa dos pecados cometidos.

Mas que nome é esse, pelo qual os israelitas eram conhecidos para clamarem a Deus? E principalmente, por qual nome nós nos chamamos hoje e que diferença isto deve fazer nas nossas vidas?

Esta é a nossa proposta para a meditação desta noite: Conhecer o nome de Deus, e as implicações que existem em ser o povo que se chama pelo nome de Deus.

É importante conhecermos o nome de Deus e como Ele o revelou à humanidade ao longo da história.

Por isso a primeira coisa que eu quero pensar com os irmãos que ...
        
1) O NOME DE DEUS REVELA O SEU RELACIONAMENTO ETERNO CONOSCO (2 Cr 7.14).

“14. e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7.14).

Que nome?

Deus revelou o seu nome a Moises antes de libertar os judeus do Egito.

No livro de Êxodo, capítulo 3, verso 13, Moisés pergunta o nome de Deus:

“13. Então Moisés disse a Deus: Quando eu for aos israelitas e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós, e eles me perguntarem: Qual é o nome dele? Que lhes direi?” (Êx 3.13).

A pergunta de Moisés em hebraico é: Ma shem, “o que é seu nome?

Moisés estava perguntando muito mais que a forma de se dirigir a Deus. Moisés queria saber o que era Deus, qual a natureza dele, qual sua essência, qual o seu caráter.

Uma coisa para entendermos melhor isso é o fato de que o nome na cultura judaica e mesmo no oriente médio na antiguidade devia representar o mais próximo possível a essência da pessoa.

Então Deus responde a Moisés (Êxodo 3.14):

“Deus disse a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Assim responderás aos israelitas: EU SOU me enviou a vós.” (Êx 3.14).

EU SOU O QUE SOU. Em hebraico: ‘ehyeh Asher ‘ehyeh.

Uma forma abreviada, ou contraída dessa frase forma o que ficou conhecido como o tetragrama sagrado: YHWH.

O hebraico não possui vogais, por volta do século 5 depois de Cristo (400 a 500 d.C.) as comunidades judaicas da Palestina e da Babilônia começaram a inserir alguns sinais sobre as letras hebraicas para facilitar a pronúncia, mas esses sinais só foram mesmo padronizados por volta do ano 900 d.C.

Outra curiosidade é que os judeus, por volta da época do Segundo Templo de Jerusalém, consideraram o nome de Deus impronunciável.

Então você tem uma palavra sem vogais, para nós seria uma palavra formada apenas por consoantes, e ela ficou sem ser pronunciada por centenas de anos.

Por isso a pronuncia do tetragrama YHWH se perdeu.

Você pode estar pensando: “Pastor, os Testemunhas de Jeová dizem que é Jeová o nome de Deus”.

Se há uma certeza sobre o tetragrama é que ele não seria transliterado para Jeová ou Javé, por uma questão muito simples, não existe o som de “J” no hebraico.
 

O tetragrama é composto por (da direita para a esquerda é como se lê no hebraico): um Yod, que tem o som de Y (no português som de I), um (que é representado pela letra H, mas tem som de R quando no meio da palavra); um Vav (que tem som de V, mas é transliterado para o W porque no alemão o W tem somo de V, como em Wagner, e, por fim, outro Hê, que no final da palavra é mudo.

Se você quiser conhecer o nome das vogais hebraicas basta que você abra sua bíblia no Salmo 119, essas palavrinhas que você encontra acima do número dos versículos (Álef, Bêt, Guímel, etc.) é o alfabeto hebraico, não com os símbolos das letras, mas com o nome delas. Você pode observar que não há nenhuma delas tem som de “J”.

Pastor, mas qual o sentido disso tudo? Do nome que Deus revelou a Moisés.

Há um sentido espiritual nas palavras de Deus, sempre há um sentido espiritual nas palavras de Deus.

Deus disse o seguinte em Êxodo 3.15:

“E Deus disse ainda a Moisés: Assim dirá aos israelitas: O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó me enviou a vós. Este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração a geração.” (Êx 3.15).

Deus estava assegurando a seu povo a imutabilidade da relação dele. EU SOU O QUE SOU.

Deus não era, nem será, ele simplesmente “É”; ontem, hoje e eternamente (por isso ele diz que é o Deus de Abrão, Isaque e Jacó).

Quando nós lemos na Bíblia tudo aquilo que Deus fez ao seu povo (a libertação, as curas, o cuidado, os livramentos); quando lemos sobre tudo que Jesus ensinou e fez aos seus discípulos, nós não devemos afirmar somente que aconteceu daquele jeito.

Porque a eternidade, a imutabilidade de Deus nos assegura da mesma forma que podemos ter um relacionamento da mesma forma próximo com o “EU SOU O QUE SOU”; ou o “EU SOU”; ou o “Eterno”.

Em um mundo em que as coisas mudam a cada segundo, em que nossa própria vida pode ser ameaçada no segundo seguinte, há uma constante: a existência de Deus!

Deu cuidou do seu povo; Deus cuida do seu povo e nesta noite eu digo a você que veio a este lugar para cultuar ao Senhor, para conhecer a sua palavra, para ter um relacionamento pessoal com Ele: Deus, o “EU SOU”, sempre vai cuidar de nós, o povo que se chama pelo seu nome.

Mas o texto de 2 Crônicas mostra uma segunda coisa muito importante para o povo que se chama pelo nome de Deus, é que...

2) O RÓTULO DEVE CORRESPONDER AO CONTEÚDO (2Cr 7.14).

“14. e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7.14).

Deus é eterno, sempre vai cuidar do povo que se chama pelo seu nome, mas e quanto a este povo, o que Deus espera dele?

Considerando que os Cristãos são o povo que se chama pelo nome de Jesus, o que Jesus espera de cada um de nós?

O texto de 2 Crônicas 7.14 vai nos ajudar a compreender isso.

Como eu disse antes, este versículo é a resposta de Deus à oração do rei Salomão quando da dedicação do primeiro templo de Jerusalém, por volta do ano 1.000 a.C.

Ao responder a oração de Salomão, Deus não disse ao povo: “Olha tá tudo muito bonito, muito legal, a decoração do templo tá show de bola, e por isso vocês podem viver a vida de vocês da forma que vocês quiserem, é só lembrar de vir aqui depois e sacrificar uns animais e eu limpo a barra de vocês, tá tudo certo”.

Deus disse: se vocês, que são o meu povo, que se chamam pelo meu nome, se humilharem, orarem e buscarem a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então Eu vou ouvir dos céus, vou perdoar os seus pecados e vou sarar a sua terra.

Deus fez exigências para aqueles se chamam pelo seu nome: (i) Humilhação na sua presença (com o sentido de abandonar o ego, a altivez); (ii) oração; (iii) intimidade (representado por buscar a presença); (iv) afastamento do mal e santificação (traduzido por “desviar-se dos seus maus caminhos”).

E só então é que Deus vai ouvir nossa oração, perdoar nossos pecados e sarar a nossa terra (sendo que tanto perdoar pecados quanto sarar a terra tem o sentido de restauração: da vida, da família, do provimento para as necessidades diárias).

Mas pastor, isso era para os israelitas, é coisa do velho testamento, não se aplica aos Cristãos...

Lembram que nome de Deus é (‘ehyeh Asher ‘ehyeh) “EU SOU O QUE SOU”. O eterno?

Então eu quero ler para você o texto de João 15.5-7:

“5. Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
6. Quem não permanece em mim é jogado fora e seca, à semelhança do ramo. Esses ramos são recolhidos, jogados no fogo e queimados.
7. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido.” (João 15.5-7).

À semelhança do texto de 2 Crônicas 7.14, essas palavras de Jesus nos orientam, nós que nos chamamos pelo nome dele, pelo nome de Cristãos, a não nos afastarmos, a estarmos em íntima comunhão, em santidade e serviço, então, só então, nossas orações serão respondidas.

Aliás, o próprio nome de Jesus foi escolhido por Deus, e tem um significado muito bonito da missão dele na terra (Mateus 1.21 – o anjo falando a José):

“21. Ela dará à luz um filho, a quem darás o nome de Jesus, porque ele salvará seu povo dos seus pecados.” (Mt 1.21).

O nome de Jesus, em grego Iēsús, que é o correspondente hebraico a Yehshuah, significa: O Senhor salva.

Nós nos chamamos pelo nome de Jesus, o Cristo, então como Cristãos devemos ter intimidade com Jesus e devemos viver os ensinos de Jesus.

Só então nossas orações serão ouvidas e respondidas, como diz o texto de Mateus 15.7.

O grande problema é quando uma pessoa quer ter um conteúdo diferente do rótulo.

Parece aqueles perfumes que você encontra algumas pessoas vendendo dentro de carrinhos-de-mão, no rótulo você vai ler “Ferrari”, “Chanel”, “Gucci”, sei lá, vocês escolham o nome.

Mas quando você abre o negócio e cheira, o nome que vem à mente é “Laqua de lesgoto” “Cherê de lê guambê”, é horrível.

E realmente é horrível quando o conteúdo de um produto não corresponde ao rótulo! A gente se sente enganado.

Imagine o que Jesus pensa de alguém que se chama pelo seu nome (Cristão), mas que o conteúdo não corresponde ao nome.

De cristão só tem o nome, conteúdo de Cristo mesmo que é bom tem só um pouquinho?

Será que Deus se agrada de um perfume falsificado? Eu acho que não.

Por isso eu acredito que o apóstolo Paulo disse em 2 Coríntios 2.15 que nós devemos ser para Deus o “bom aroma (ou perfume) de Cristo”.

Então queridos irmãos, nós que nos chamamos pelo nome do Senhor também vivamos como pessoas que servem ao Senhor: Com dignidade, santidade, honestidade, expressando o fruto do Espírito com as nossas vidas e exalando o bom perfume de Cristo, porque é assim que o povo de Deus deve viver: COM O CONTEÚDO CORRESPONDENDO AO RÓTULO!

E, sabendo que Deus é o Eterno “EU SOU”, que devemos viver de acordo com o nome de Cristo que carregamos, eu quero falar por fim que..

3) O NOME QUE CARREGAMOS DEVE NOS LEVAR A SANTIFICÁ-LO (Mt 6.9).

Eu sei que a santidade faz parte do conteúdo de ser um Cristão, mas ela é tão destacada por Jesus que eu preciso falar dela um pouco mais.

A santidade do nome de Deus é marcante que Jesus ao ensinar aos seus discípulos a oração modelo, ele começa assim (Mateus 6.9):

“9. Portanto, orai deste modo: Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome;” (Mt 6.9).

Mateus escreveu em grego “hagiasthetoû ónomá soû”. Mas Jesus disse essa frase, no aramaico a frase “santificado seja o teu nome” teria sido pronunciado mais ou menos assim pelo Senhor Jesus: “Yitqadash shemák”.

Jesus cresceu em uma cultura israelita e aprendeu que o nome de Deus é santo.

Há uma oração judaica chamada Qadish, ela é recitada pelo oficial da Sinagoga para marcar o fim de um ato de culto, e ela enfatiza a grandeza e a santidade de Deus. Essa oração (Qadish) é assim:

“Que seja glorificado e santificado seu grande Nome no mundo que ele criou segundo sua vontade. Que ele faça prevalecer seu reino em vossa vida e em vossos dias e na vida de toda a casa de Israel em breve e num tempo próximo.”

Jesus não copia o Qadish, mas ele nos ensina que precisamos atentar para a grandiosidade de Deus. Nossas orações não podem ser exclusivamente antropocêntricas, não podem se ocupar apenas das nossas necessidades.

É obvio que devemos pedir pelas nossas necessidades, Jesus nos ensinou isso, o texto de Mateus 7.11 é muito claro.

O problema é quando uma pessoa enxerga Deus como um entregador de bênçãos, como esses motoboys que trazem o lanche às nossas casas (a única missão dele é fazer entregas).

Jesus nos mostra que em primeiro lugar ao orar, devemos externar a Santidade de Deus, que é representado pelo seu nome, a sua soberania sobre as nossas vidas, e então, se necessitamos, em segundo lugar pedir pelas nossas necessidades.

Quem ora desta forma está pedindo para que a santidade de Deus se manifeste, e se o Pai é santo, seu caráter deve ser refletido nas vidas de seus filhos.

Quanto nós oramos para que o nome de Deus seja santo, estamos pedindo também para sermos santos, e santidade não é simplesmente separação.

Santo é a palavra hebraica qadosh, que significa “separar” ou “cortar”.

Documentos do oriente antigo usavam essa palavra, por exemplo, para indicar o corte de uma pedra para ser usada na construção.

Quando oramos pedindo para que o nome de Deus seja santificado, estamos pedindo também para sermos separados para sermos usados por Deus de forma útil, construtiva.

É assim, que aqueles que se chamam pelo nome de Deus são também santificados, o pedirem para que o nome do Senhor seja santificado através das nossas vidas.

Que nesta noite possamos guardar muito bem nas nossas mentes e aplicar tudo isso na nossa vida.

Nós não precisamos temer o futuro, ou os problemas.

Deus é eterno, Ele “É”, e sempre vai cuidar e vai estar com aqueles que vivem de acordo com o nome que abraçaram ao entregarem suas vidas a Jesus.

Uma vida com conteúdo de acordo com o rótulo de Cristão que carregamos, em santidade na presença de Deus.

- Diante disso, eu finalizo e pergunto: QUAL É O SEU NOME diante de Cristo?

Se é “Cristão”, viva como Cristão!

Vamos orar neste momento.

Linhares, 23 de julho de 2015.

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares

sábado, 11 de julho de 2015

A GRANDE TRIBULAÇÃO E O ARREBATAMENTO

ESCATOLOGIA
(2ª aula preparada para a PIB Linhares/ES em12/07/15, manhã)

Como nos situamos no estudo de hoje em relação à Teologia?

O estudo de um dos temas da teologia importa em que nós saibamos onde estamos pisando, para entendermos sobre o que estamos ouvindo, por isso, antes de nós adentrarmos o estudo de hoje nós vamos entender onde estamos e então vamos caminhar.

Nós podemos pensar em primeiro lugar em caixas, uma grande caixa se chama teologia, muito embora a palavra teologia seja theós + logia (Deus + Estudo); teologia não é “o estudo de Deus”, porque seres finitos não teriam como estudar o infinito, o absoluto que é Deus (o oceano não cabe no copo d’água).

Então podemos pensar em teologia como sendo o estudo da manifestação de Deus aos homens, em especial como registrado na Bíblia Sagrada.

Dentro dessa caixa chamada teologia, nós temos caixas menores, temos teologia história, teologia filosófica, teologia do Antigo Testamento, teologia do Novo Testamento, e entre tantas, temos uma caixinha chamada “Teologia Sistemática, que Wayne Grudem define de forma bem simples como sendo “qualquer estudo que responda à pergunta: O que a Bíblia como um todo nos ensina hoje? Acerca de qualquer tópico”.

Você pega qualquer tema e estuda ele com fundamento na Bíblia, de Gênesis 1.1 a Apocalipse 22.21, isso é teologia sistemática.

Dentre esses temas que podem ser estudados na área da teologia sistemática (Doutrina de Deus, Doutrina do Homem, Doutrina da Igreja), nós estamos estudando a caixa menor chamada escatologia.

O Pr. Enilton já deve ter falado o significado, só vou rememorar bem rápido, que a palavra escatologia é baseada na palavra grega schatos + logia (último estudo), traduzindo, “estudo das últimas coisas”.

Nós temos outros sistemas escatológicos fora do cristianismo, próprios de outras religiões, como por exemplo:

a) A “escatologia cosmobiológica”, mais comum no animismo, nas religiões afro-brasileiras como a candomblé que buscam a harmonia entre o mundo humano, Aye, e o mundo dos espíritos, Orum.

b) Temos a “escatologia eternalista”, que se manifesta principalmente nas religiões orientais, que tem um ciclo infinito de nascimentos e mortes, com reencarnações, é uma roda que não para de girar, sendo que a última coisa é a libertação do indivíduo do mundo temporal).

c) Temos a “escatologia linear”, que mostra a história humana como uma linha, com começo, meio e fim, esse tipo de escatologia, guardando as diferenças, é própria do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, as três grandes religiões monoteístas da Terra.

Como cristãos, a nossa escatologia é cristã, e trata dos eventos que ocorrerão com a 2ª volta de Jesus.

Hoje, dentro desta caixa da escatologia eu quero falar sobre dois temas:

A GRANDE TRIBULAÇÃO E O ARREBATAMENTO

Em primeiro lugar eu preciso dizer a você que quando falamos em tribulação, não é apenas tribulação, porque a igreja de uma forma ou outra sempre está sujeita à tribulação, que não é desejada, mas que acontece, que faz parte da vida, como Jesus disse em João 16.33 “no mundo tereis aflições”.

Cristãos foram perseguidos por Roma, por Hitler, pelos países comunistas como Rússia, China, Cuba, e muitos ainda são perseguidos e mortos em diversas partes do mundo apenas por serem cristãos, especialmente com o avanço do islamismo radical, como o Boko Haran, o Estado Islâmico e outros desses grupos terroristas que aparecem todos dos dias no mundo.

Assim, a “grande tribulação” será um evento que nós vamos conseguir perceber como uma coisa extraordinária, como Jesus disse em Mateus 24.21 “porque haverá uma tribulação muito grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá” 

Tendo mencionado isso, eu gostaria de destacar algumas das...

I – NOMENCLATURAS USADAS NA BÍBLIA PARA A “GRANDE TRIBULAÇÃO”.

E eu quero começar pelos nomes dados à grande tribulação: um deles é “dia do Senhor” e nós temos um grande número de passagens bíblicas que usam essa terminologia (Is 13:9, 24.21-22;Jr 46.10;Ez 30.3;Jl 1.15; 2:1,31; Am 5.18;Sf 1.14-18;Zc 14:1); outra nomenclatura é dia da ira ou angústia de Jacó (Dt 4.30; Jr 30.5-7)

Eu preciso ressaltar a você que, muito embora, a maioria dos sistemas tribulacionais entendam a “grande tribulação” como sinônimo de “dia do Senhor” ou “dia da ira ou ira do Senhor”, o pós-tribulacionismo (a corrente sobre tribulação que entende que a igreja não será retirada do mundo durante a tribulação, que a igreja ficará no mundo) entende que grande tribulação e geral, ou seja todas as pessoas ficarão no mundo durante a tribulação, mas a igreja não provará a “ira do Senhor”, que é reservada para os ímpios, os não-crentes.

Então temos essa distinção de nomenclatura dependo da corrente sobre o tema “Tribulação”, “grande tribulação” é diferente de “ira do senhor”.

II - PROFECIAS A RESPEITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO.

Nós vamos ver agora algumas profecias a respeito da grande tribulação no Antigo Testamento e no Novo Testamento, existem muitas, mas essas foram selecionadas de acordo com o nosso tempo de palestra:

II.1 - Antigo Testamento: “e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo” (Dn 12:1); "os seus mortos serão arremessados e dos seus cadáveres subirá o seu mau cheiro; e os montes se derreterão com o seu sangue" (Is 34:1-3); "Ai do dia! Porque o dia do SENHOR está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso" (Jl 1:15);

II.2 - Novo Testamento: "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo" (Mt 24:15); "haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver" (Mt 24:21-25).

III - SEMANA DA TRIBULAÇÃO – DOIS PERÍODOS:

Vistas algumas profecias sobre a ocorrência da “grande tribulação”, eu quero falar sobre a semana da tribulação.

Porque “semana da tribulação”?

Essa nomenclatura é proveniente da corrente que adota o texto de Daniel capítulo 9, em especial os versos 24 a 27.

Só que apesar de falarmos de “semana” eu preciso dizer a vocês que a palavra grafada como semana em Daniel 9:27 na verdade não significa sete dias, mas sim sete anos, de acordo com o termo hebraico que é shabua, que corresponde a um período de sete anos e não de sete dias.

E essa palavra foi por muito tempo traduzida como semana em vez de período de sete anos, ou septênio.

As traduções Bíblia para o português Linguagem de Hoje e Bíblia Viva já mencionam Daniel 9:24-27 como sendo períodos de sete anos, preservando o original em hebraico.

Daniel 9:24-27 nos diz o porquê da tribulação durar sete anos:

Observemos, primeiramente, Daniel 9:24. Esse versículo é o resumo da consumação das profecias sobre o destino da humanidade nas mãos de Deus. O período de setenta "semanas" corresponde a 70 × 7 anos = 490 anos, lembrando que cada "semana" equivale a 7 anos. Esse período foi designado para:

a) fazer cessar a transgressão e dar fim aos pecados - Deus dá um prazo ao seu povo para voltarem-se a Ele;

b) expiar a iniquidade - corresponde à primeira vinda e morte de Jesus, porque Jesus veio para pagar o preço pelas nossas iniquidades (Isaías 53:5). Quem o aceita, também faz expiar a iniquidade em si próprio;

c) trazer a justiça eterna - estabelecer o reino de Cristo;

d) selar a visão e a profecia - completar toda a profecia;

e) ungir o santíssimo - corresponde à segunda vinda de Cristo, forçando bilhões de pessoas a escolherem entre Cristo e o anticristo.

Vimos, então, que Deus estabeleceu 490 anos para que essa profecia se cumprisse. Baseado nesta profecia, Daniel 9:25 explica porque a tribulação durará sete anos:

"Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias [em sua vinda], o Príncipe, haverá sete semanas [de anos], e sessenta e duas semanas [de anos]; as ruas e o muro [da cidade] se reedificarão, mas em tempos angustiosos." - Daniel 9:25

Nesse versículo, Deus diz, em sua profecia, que entre a edificação de Jerusalém (iniciada por Esdras, autorizado pelo rei Artaxerxes) e o ungido (Jesus, vindo pela primeira vez) haverá 7 semanas (7 × 7 anos = 49 anos) mais 62 semanas (62 × 7 anos = 434 anos), totalizando 49 + 434 = 483 anos.

Um detalhe interessante: Essas 62 semanas (434 anos) mencionadas em Daniel 9:25, cumpriram-se exatamente no período entre Velho e Novo Testamento, denominado "período de silêncio de Deus" por alguns teólogos. Ou seja, Deus silenciou-se por 434 anos até que Jesus Cristo aparece na terra pela primeira vez como homem.

Uma observação: não são 483 anos corridos, pois sabemos que entre o livro de Esdras e a primeira vinda de Jesus se passaram muito mais que apenas 483 anos. Esse é um período estipulado pela profecia, que vai se consumando em diferentes épocas até completarem os 490 anos totais.

Quando se consumam estes 483 anos? A resposta segue em Daniel 9:26, quando ele diz que será cortado o messias. Esse versículo corresponde à crucificação de Jesus (sua morte, ressurreição e ascensão aos céus). Neste momento, o messias, Jesus, foi removido (cortado). Portanto, até a primeira vinda de Cristo se passaram 483 anos, dos 490 anos da profecia. Sobram então, sete anos que ainda não se cumpriram.

Os sete anos restantes estão em Daniel 9:27, que mostra o anticristo assinando o acordo de paz (falsa paz) com Israel, fato que ainda está para acontecer.

Dentro desta chamada “semana da tribulação”, ou sete anos, ainda baseado nesta interpretação escatológica de Daniel, ocorre uma divisão em duas partes:


III.1 - 1ª metade[1]:

Em que ocorrerão os seguintes fatos:

a) Anticristo: também chamado de "o assolador" (Dn 9), "a besta que emerge do abismo" (Ap 13), "o 8° rei" (Ap 17), o "rei do Norte" ou "homem vil" (Dn 11), iníquo (2 Ts 2);

b) Trindade satânica: Satanás, Besta política (anticristo – Ap13:1-10) e Besta religiosa (falso profeta – 2 Ts 2.4,10-12; Ap 6.11; 7.9-14; 13:11-18; 14.3-5);

c) Controle total: as pessoas receberão na mão direita ou na fronte a marca (número da besta), sem o qual ninguém vai poder comprar ou vender. Quem se recusar será sumariamente morto (Ap 13.16-18; 2 Ts 2.9-12).

Pastor, o que é a “marca da besta”?

Vou adiantar a resposta porque sei que tem muita gente preocupada com isso e a internet está cheia de histórias fabulosas, em especial as ligadas a um microchip que seria implantada no braço das pessoas.

Pois bem, a marca da besta podem ser duas coisas distintas, dependendo de como você lê o Livro do Apocalipse.

Se você faz uma leitura com olhos literais, ou com olhos de uma corrente que entende as profecias do apocalipse com muita literalidade, ao pé da letra (seguindo uma corrente teológica chamada dispensacionalismo), então realmente, a marca da besta será um sinal físico, visível, que as pessoas que se submeterem ao poder maligno, que adorarem o poder maligno receberão. Neste caso poderia ser uma tatuagem, poderia ser um microchip ou outro dispositivo que publicamente demonstre que aquela pessoa é um servo do maligno.

Mas, se você interpreta o Livro do Apocalipse como um livro profético, recheado de simbolismos de natureza espiritual, e particularmente eu interpreto desta forma, então a “marca da besta” não é uma marca física como uma tatuagem ou um microchip, mas tem natureza simbólica e eu quero mostrar rapidamente isso para você. Por gentileza, abra sua Bíblia em Apocalipse 13, versos 16 e 17:

“16. Ela obrigou a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livre e escravos, a colocarem um sinal na mão direita ou na testa,
17. para que ninguém que pudesse comprar ou vender se não tivesse o sinal, ou seja, o nome da besta ou o número do seu nome.” (Ap. 13.16.17).

Perfeito, este é o texto que traz esta confusão enorme sobre a marca da besta. Mas eu quero te convidar a ler comigo também Apocalipse 14.6-13.

Você consegue perceber no verso 11 que o sinal da besta levará aqueles que o possuem a sofrerem o “tormento” “para todo o sempre”?

Você também consegue perceber que os versos 12 e 13 são aqueles que não receberam o sinal da besta e por isso morreram, que são chamados de “santos”, que “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”?

Então, baseado nestas duas observações, vocês é que vão me responder o que é o sinal da besta, eu só vou fazer uma pergunta a vocês:

a) quem, segundo toda a Bíblia, vai sofrer o tormento eterno? Respostas possíveis: os ímpios, os não crentes, aqueles que não entregaram suas vidas a Jesus.

Então, com base na resposta de vocês, com fundamento nestes textos que lemos, eu digo, que o “sinal da besta”, foi, é, e até o julgamento final (porque quando falamos em profecias elas podem nos remeter a passado, presente ou futuro), (i) a decisão deliberada (sinal na cabeça, centro do pensamento, das nossas escolhas) de não servir a Jesus (diferente dos santos, Ap. 14.12), que leva uma pessoa a praticar atos que demonstrem esta decisão (sinal na mão, a mão, em especial a direita, é símbolo de ação, da força, do agir com força, com intensidade).

Mas pastor, e quem não escolhe “não servir a Jesus”, esse pessoal que entoa a música “deixa a vida me levar”, que acha que está em cima do muro, que não precisa escolher nada ainda?

Na verdade, ao “não escolher, eles já escolheram”.

Para esse pessoal o sinal da besta é (ii) a inércia em tomar uma decisão, mas que ainda assim, permite que a pessoa pratique, da mesma forma, atos que demonstrem a sua contrariedade de vida à Palavra de Deus (sinal na mão direita).

Por isso eu posso dizer aos irmãos que os santos, os crentes, os cristãos, o que morreram na fé NUNCA TIVERAM, NEM NUNCA TERÃO A MARCA DA BESTA porque preferiram e ainda preferem viver e morrer para Deus a terem uma alegria efêmera, passageira, neste mundo.

Por isso o texto de Apocalipse 20.4, ao falar do milênio, diz que os que morreram por Cristo, também reviverão e reinarão com Cristo durante mil anos, estes não adoram a besta, nem sua imagem e não receberam o sinal da besta na fronte, nem nas mãos.

Mas como diz o texto de Hebreus 11.13-16 e 33-40, são pessoas que preferiram as agruras, as provações deste mundo, pela fé, a abrir mão de um reino celestial junto de Deus, por isso, como diz Hebreus 11.16 “Deus não se envergonha deles, nem de ser chamado o seu Deus”.

Por isso, espiritualmente falando, o sinal da besta é para o ímpio que não deseja servir a Jesus, e por isso a sua decisão o levará ao tormento eterno longe de Deus.

Mas vamos em frente que ainda tem muita coisa para falar (depois nosso pastor pode nos dar um curso sobre o Apocalipse, que é riquíssimo). O próximo fato da 1ª parte da semana da tribulação.

d) Aliança com o anticristo: “se outro vier em seu próprio nome, certamente o recebereis” (Jo 5.43); aliança com o inferno (Is 28.15-18); o 3º templo será reconstruído (Mt 24.24; Jo 5.43; 2Ts 2.3-4; Ap 13.13);

e) Duas testemunhas: mensageiros de Deus que têm a missão de desmascarar o anticristo e falso profeta e alertar para o juízo de Deus.

III.2 - 2ª metade: chamada Grande Tribulação (Mt 24:21; Jr 30:7; Dn 12:1)

a) Rompimento do pacto: o anticristo vai romper o pacto com Israel, fazendo cessar o sacrifício (Dn 9:27) e vai assentar-se no trono para ser adorado como deus (abominação desoladora – Dn 9.27;Mt 24.15);

b)  Batalha de Armagedom: grande guerra e perseguição dos exércitos do anticristo contra a nação de Israel (Is 28.15-18).

E finalmente nós chegamos às correntes de interpretação tribulacional sobre o arrebatamento:

IV - CORRENTES DE INTERPRETAÇÃO TRIBULACIONAL

IV.1 - Pré-tribulacional: O arrebatamento da Igreja (a vinda do Senhor nos ares para os seus santos) ocorrerá antes que comece o período de 7 anos da tribulação. Segundo esta teoria, a Igreja não passará pela Tribulação.




História do pré-tribulacionismo.

O primeiro dos homens influentes história da igreja, dos chamados “pais da igreja”, que veio a tratar a tribulação de forma detalhada foi Ireneu (130-200 d.C.). Seus escritos revelam que ele tinha uma posição que hoje seria considerada pré-milenista, mas não acreditava num arrebatamento antes da tribulação, ao contrário, via Cristo chegando ao fim da tribulação para destruir o anticristo e livrar a igreja.

Mas o pré-tribulacionismo só veio a surgir de forma cristalina com John Nelson Darby (1800-1882). Darby era membro do movimento dos Irmãos de Plymouth, um movimento piedoso avivalista que surgiu em Dublin, com tinha como finalidades a oração e a comunhão.

O pré-tribulacionismo pode ser identificado no seguinte esquema:

Esquema:

todos os crentes                                     
                                                                       
 


Era da igreja
Grande Tribulação
Milênio
1) Ressurreição dos crentes;
2) Jesus arrebata (1 Ts 4.17) a igreja nos ares (não pisa na terra), por isso nem todos verão;
3) no arrebatamento os crentes ressuscitarão e os que estiverem vivos receberão o corpo glorificado;
4) após o arrebatamento inicia o período da grande tribulação;
5) nesta ocasião os crentes receberão o “galardão” (2Cor 5.10);
6) doutrina da iminência (Cristo pode vir a qualquer tempo, nenhum acontecimento adicional precisa ocorrer);

1) A tribulação será intensa, muito maior que as tribulações enfrentadas pela igreja durante a sua história;

1) Marca a volta de Jesus com a Igreja à Terra – início Milênio);
2) Cristo descerá no Monte das Oliveira (?)
3) 2ª Ressurreição (dos crentes que morreram na tribulação, também no começo do milênio);
4) Ressurreição dos ímpios ao final do milênio;


Provas citadas:

(1)          a promessa de ser guardada da hora da provação (Ap 3.10);

10 Porque deste atenção à minha exortação à perseverança, eu também te guardarei da hora da provação que virá sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra.

(2)          Tribulação é um período de derramamento da ira de Deus, da qual a Igreja já está isenta.

(Ap 6.12-17) 12 Vi quando ele abriu o sexto selo, e houve um grande terremoto. O sol escureceu como saco de cilício, e a lua toda tornou-se como sangue; 13 e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como figos verdes derrubados da figueira por um vento forte. 14 O céu recolheu-se como um rolo e todos os montes e ilhas foram removidos de seus lugares.15 Os reis da terra, os nobres, os chefes militares, os ricos, os poderosos, todo escravo e todo homem livre esconderam-se nas cavernas e nas rochas das montanhas.16 E diziam aos montes e rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face do que está assentado no trono e da ira do Cordeiro; 17 porque chegou o grande dia da ira deles! Quem poderá subsistir?

(cf. 1Ts 1.10;) 10 esperando do céu seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

(1 Ts. 5.1-9); 1 Irmãos, não é necessário que eu vos escreva acerca dos tempos e das épocas. 2 Porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como o ladrão, de noite. 3 Quando estiverem dizendo “Paz e segurança!”, então, de repente, a destruição lhes sobrevirá como dores de parto a uma mulher grávida; e de modo nenhum escaparão. 4 Mas vós, irmãos, não estais nas trevas, de modo que aquele dia vos surpreenda como um ladrão;5 porque todos sois filhos da luz e filhos do dia; não somos da noite nem das trevas.6 Portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios.7 Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite;
8 mas nós, visto que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo a armadura da fé e do amor, tendo por capacete a esperança da salvação.
9 Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo,

(3)          arrebatamento só pode ser iminente se for pré-tribulacional 

(1Ts 5.6); 6 Portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios.

IV.2 - Meso-tribulacional ou mid-tribulacionista:

O arrebatamento ocorrerá depois de transcorridos três anos e meio do período da tribulação.

Esquema:

   todos os crentes
 


era da igreja
Tribulação
milênio

a) a igreja estará na terra durante uma parte da tribulação, mas será removida antes da pior parte da tribulação;
b) faz distinção, assim como o pós-tribulacionismo entre “tribulação” e “ira de Deus”, somente os ímpios vão passar pela ira de Deus, a igreja será arrebatada antes do derramamento da ira de Deus;
c)  o arrebatamento da igreja ocorrerá com a sétima trombeta de Ap. 11.15, que marca tanto o derramar da ira sobre os injustos, quanto os galardões sobre os mortos justos;
a) ao final da grande tribulação Cristo volta com os santos;
b)


Provas citadas:

a) A última trombeta de

1 Co 15.51-52

51 Eu vos digo um mistério: Nem todos iremos falecer, mas todos seremos transformados,
52 num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão imperecíveis, e nós seremos transformados.

                é a sétima trombeta que soa na metade da tribulação;

Ap 11.15,

15 O sétimo anjo tocou sua trombeta, e surgiram no céu fortes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e de seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.

b) A Grande Tribulação é composta apenas dos últimos três anos e meio da septuagésima semana da profecia de Daniel 9.24-27:

24 Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados e para expiar a iniquidade e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.
25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reedificada com praças e ruas, mas em tempos difíceis.
26 E depois de sessenta e duas semanas, o ungido será tirado, e já não estará; e o povo do príncipe que virá destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; assolações estão determinadas.
27 E ele fará uma firme aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta; e sobre a asa das abominações virá o assolador, até a destruição determinada, que será derramada sobre o assolador.

c) e a promessa de libertação da Igreja só se aplica a esse período:

Ap 11.2 Mas deixa o pátio que está fora do santuário, não o meças, porque foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses.

12.6. A mulher fugiu para o deserto, onde já havia um lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.


d) ressurreição das duas testemunhas retrata o arrebatamento da Igreja, e sua ressurreição ocorre na metade da tribulação

(Ap 11.3,11); 3 Concederei às minhas duas testemunhas que profetizem durante mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco.

11 Depois dos três dias e meio, um espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles, e eles ficaram em pé, e os que os viram foram tomados de grande temor.

IV.3 - PÓS-TRIBULACIONAL: O arrebatamento acontecerá ao final da Tribulação. O arrebatamento é distinto da segunda vinda, embora seja separado dela por um pequeno intervalo de tempo. A igreja permanecerá na terra durante todo o período da tribulação. O pós-tribulacionista não tem certeza que a tribulação será de sete anos, ou que o milênio será literalmente de mil anos.



Esquema:

                              todos os crentes

 


era da igreja
Tribulação
milênio
a) todas as pessoas passarão pela tribulação, mas só os ímpios sentirão a “ira de Deus”, há uma distinção;
b) diferente dos pré-tribulacionistas, não há distinção entre a igreja e Israel na tribulação (Deus não tratará Israel como no Antigo Testamento, mas porque muitos judeus serão incluídos na igreja, os judeus messiânicos);
c) a igreja tomou o lugar de Israel como povo da aliança (Gl 3);

a) Ao final da tribulação Jesus voltará;
b) os santos mortos serão ressuscitados;
c) junto com os santos vivos eles serão levados a encontrarem-se com o Senhor e depois voltarão à terra para reinar com Jesus no milênio;
d) no fim do milênio os ímpios serão ressuscitados;

História do Pré-Tribulacionismo:

Na igreja primitiva não havia, ou ao menos não é identificado, um sentimento de que a igreja não passaria pela tribulação, muito ao contrário, Jesus era esperado após a tribulação.

Justino Martir (100-165 d.C.) e Tetuliano (160-230 d.C.), contemporâneos de Irineu, que já citamos, tinham uma posição pós-tribulacionista, de que Jesus daria confiança aos Crentes para estes passarem pela tribulação.
Eu ainda poderia citar outras pessoas como pré-milenistas e pós-tribulacionistas: Isaac Newton, Charles Wesley.

Provas citadas:

- O arrebatamento e a segunda vinda são descritos pelas mesmas palavras;
- Preservação da ira significa proteção sobrenatural para os crentes durante a tribulação, não libertação por ausência (assim como Israel permaneceu no Egito durante as pragas);
- Há santos na terra durante a tribulação.

(Mt 24.22); 21 porque haverá uma tribulação muito grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. 22 E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém seria salvo; mas por causa dos escolhidos eles serão abreviados.

IV.4 - arrebatamento parcial (é uma subcorrente do meso-tribulacionismo): Somente os crentes considerados dignos serão arrebatados antes de a ira de Deus ser derramada sobre a terra; os que não tiverem sido fiéis permanecerão na terra durante a tribulação.

Esquema:
 



                  cristãos espirituais                  cristãos carnais
 


era da igreja
Tribulação
milênio


Provas citadas:

- Cristo vai arrebatar aqueles que o aguardam (cfe. Hb 9.28); enfatiza a vigilância e preparo;

(Hb.9.28) 27 E, como está ordenado aos homens morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, 28 assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá a segunda vez, não por causa do pecado, mas para a salvação dos que esperam por ele.

V - EVENTOS IMPORTANTES DA TRIBULAÇÃO (em breve recapitulação):

a.  Citações correspondentes à metade da semana:

i.     Meses: 42 meses (Ap 11.2;13.5);

ii.    Dias: 1260 dias (Ap 11.3;12.6);

iii.   Anos: “tempo, dois tempos e metade de um tempo”(Dn7.25;9.27;Ap 12.7,14);
3,5 anos
=
42 meses
=
1260 dias

b.  Aliança com anticristo: “chifre pequeno” (Dn 8.9-12); “rei de feroz catadura e entendido de intrigas”, “grande [em] poder, mas não por sua própria força” (Dn 8.23-25) "o assolador" (Dn 9); "homem vil" tomará o reino com intrigas (Dn 11); iníquo (2 Ts 2); "a besta que emerge do abismo" (Ap 13), "o 8° rei" (Ap 17), a trindade satânica: Satanás, Besta política (Ap 13:1-10) e Besta religiosa (falso profeta – 2 Ts 2.4,10-12; Ap 6.11; 7.9-14; 13:11-18; 14.3-5);

c.   Terceiro templo: será reconstruído (Mt 24.24; Jo 5.43; 2Ts 2.3-4; Ap 13.13);

d.  Duas testemunhas: mensageiros de Deus que têm a missão de desmascarar o anticristo e falso profeta e alertar para o juízo de Deus (Zc 4.3; Ap 11);

e.  Controle total: marca (número) na mão direita ou na fronte, sem a qual ninguém vai poder comprar ou vender (Ap 13.16-18; 2 Ts 2.9-12);

f.   Rompimento da aliança: na 2ª metade da semana, o anticristo vai romper o pacto com Israel, fazendo cessar o sacrifício (Dn 9:27) e se assentará no trono para ser adorado como deus (abominação desoladora – Dn 9.27; Mt 24.15); “E com os braços de uma inundação serão varridos de diante dele; e serão quebrantados, como também o príncipe da aliança” (Dn 11.22);

g.  Grande Tribulação: (Mt 24:21; Jr 30:7; Dn 12:1);

h.  Volta de Jesus: os exércitos se reunirão no vale do Armagedom contra Israel, mas no auge da crise Jesus volta à vista de todos (Is 11.4; 2 Ts 2.8; Ap 19.11-16).

A batalha no Vale do Armagedon é a batalha final de Deus contra a sociedade humana iníqua, em que numerosos exércitos de todas as nações da Terra encontrar-se-ão numa condição ou situação, em oposição a Deus e seu Reino por Jesus Cristo no simbólico "Monte Megido". Segundo Jeremias (46.10) essa guerra será perto do rio Eufrates. E, da mesma forma que “a marca da besta” tem duas interpretações, a literal e a espiritual, mas não vou comentar as duas neste momento, podemos fazer isso no estudo do apocalipse.

VI - SEQUÊNCIA DE EVENTOS NO ARREBATAMENTO:

a.  glorificação [1Co 15.50, 51]:mas todos seremos transformados;”

i.    glorificação: “e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm 8.30);

ii.   corpo glorificado: “Cristo, as primícias” (1Co15.23,39,40); “igual ao corpo da sua glória” (Fp 3.20,21); “seremos semelhantes a ele” (1 Jo 3.3);

iii.  "Mas todos nós com cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2 Co.3:18).

b.  mortos em Cristo [1Ts 4.13, 14]:Deus os tornará a trazer com ele”.

i.    Poderiam os santos mortos perder a glória da parousia? Paulo respondeu à questão de alguns crentes sobre se os que morreram no Senhor tinham qualquer desvantagem em relação aos que sobrevivessem.

ii.   Mortos em Cristo: refere-se ao corpo “Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos" (Mt 22.31-32); “deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2Co 5.8); "Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça" (Rm 8.10);

c.   vivos em Cristo [1Ts 4.15]:os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor

i.    Espírito Santo: habita no cristão (Rm 8.11); selo da promessa (Ef 1.13);

ii.   “Cristo em vós, a esperança da glória” Cl 1.29;

d.  momento [1Ts 4.16; 1Co 15.52]: num abrir e fechar de olhos...

i.    Tempo: átomo - momento indivisível; ripê - piscar d'olhos;

ii.   Voz do arcanjo: Miguel (Dn 10.13; 12.1; Jd 9; Ap 12.7-9), sempre relacionado à proteção dos judeus ou aos santos do Antigo Testamento (sendo esta uma visão dispensacionalista, que vê uma distinção entre a igreja e o Israel); 

iii.  Trombeta de Deus ou última trombeta: não se refere às trombetas do Apocalipse, mas às trombetas de Israel em Nm 10.2.10; elas eram tocadas para convocação e para levantar acampamento; eram feitas de prata de siclo pago em resgate; “sereis salvos de vossos inimigos” (v 9);

iv. Trombeta para a igreja: chamada para o arrebatamento;

v.  Trombeta para Israel: convocação para reunião dos eleitos (Is 27.12-13)

e.  ressurreição [1Ts 4.16]: os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro

i.    Cristo: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 8.51;11.25); "Cada um por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda" (1Co 15.23);

ii.   corpo em incorrupção... em glória... com vigor... [em] corpo espiritual", trazendo "a imagem do celestial" (I Co.15:42-44,49);

f.   transformação [1Ts 4.17] nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados

i.    Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso" (Fp.3:20-21);

ii.   "...isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade" (15:53).

g.  arrebatamento [1Ts 4.17]:seremos arrebatados juntamente com eles

i.    i.‘eis aéra’ - nos ares, os remidos encontram o Senhor;

ii.   v. 17: “estaremos para sempre com o Senhor”;

iii.  Jo 14.3: “vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também”;

h.  vitória final [1Co 15.53,54]Tragada foi a morte na vitória”.

i.    1Co 15.26: “o último inimigo a ser destruído é a morte”;

ii.   Ap 20.14: “a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo”;

EPÍLOGO:

Depois de tudo isso que nós vimos, e antes de nós encerrarmos esta parte expositiva para passarmos às perguntas eu preciso dizer algumas coisas aos irmãos, e eu fundamento essas afirmativas no texto de Deuteronômio 29.29 que diz o seguinte: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que obedeçamos a todas as palavras desta lei”.

Nós vimos muitas correntes teológicas, muitas formas de interpretação das profecias que estão presentes na palavra, isso pode nos levar a perguntar? QUAL É A VERSÃO CORRETA?

Eu sinceramente digo aos irmãos que não sei.

Por convencimento próprio nós adotamos uma ou outra corrente teológica, mas dizer exatamente como se darão os eventos ligados à volta de Jesus isso ninguém pode dizer, mesmo com base nos textos bíblicos que lemos, por isso o texto de Deuteronômio 29.29 é tão precioso, porque nos mostra que as coisas ocultas pertencem ao Senhor, as reveladas nos pertencem para sempre, mas nos pertencem para que isso nos conduza à fidelidade a Deus.

Por isso eu quero destacar, rapidamente, algumas coisas que estão reveladas, e por isso nos pertencem, e que não há discussão em nenhuma corrente teológica cristã, que são as seguintes:

a) Jesus voltará;
b) haverá uma tribulação;
c) Jesus fará distinção no tratamento entre crentes e ímpios;
d) haverá um arrebatamento;
e) crentes irão para o céu (pastor, nós não somos unânimes sobre a ida dos ímpios para o inferno? Não, porque os adventistas dizem que os ímpios serão destruídos, ou morrerão, não tem castigo eterno para eles); e, por fim,
f) a igreja de Jesus será preservada e cuidada em todo o tempo, até o céu, e isso pode nos deixar tranquilos quanto aos eventos futuros, porque Jesus disse que estaria conosco até a consumação dos séculos (Deus sempre preservou seu povo, foi assim no cativeiro Egípcio, foi assim no cativeiro Babilônico e será assim na tribulação, mesmo que passemos por ela, eu acredito nisso, Deus irá nos preservar.

Nós não precisamos temer a volta de Jesus ou os eventos que ocorrerão por ocasião da volta de Jesus, Ele nos ama, e Ele é poderoso, por isso descansemos em Jesus, mas vamos nos manter fiéis à sua palavra até que estejamos juntos dele na eternidade. Amém!

Vamos abrir o tempo agora para perguntas.

Linhares, 12 de julho de 2015.

MARCOS JOSÉ MILAGRE
Pastor Auxiliar – PIB Linhares/ES

Bibliografia:

ERICKSON, Millard J. Escatologia: a polêmica em torno do milênio. São Paulo: Vida Nova, 2010;
GRUDEM, Wayne. Teologia sistemática: atual e exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 1999;
FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007;
ERICKSON, Millard J. Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997;
http://www.ebdonline.com.br/cursos/escatologia4.htm, acessado em 08/07/2015, às 20h.






[1] http://www.ebdonline.com.br/cursos/escatologia4.htm, acessado em 08/07/2015, às 20h.