sábado, 4 de julho de 2015

“TRÊS FORMAS DE ENXERGAR A CRUZ”

“TRÊS FORMAS DE ENXERGAR A CRUZ”
(Marcos 15.21)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 16/11/14, domingo, noite.

Boa noite irmãos e amigos.

Como este é o mês do homem batista vou usar mais uma vez a experiência de um personagem Bíblico masculino para nossa reflexão.

Ressalto que o aprendizado servirá a todos nós, homens e mulheres.

E, para começar nossa meditação, abra sua Bíblia no evangelho segundo Marcos, Capítulo 15, verso 21, quando encontrar o texto se coloque de pé para ouvir a leitura que farei do mesmo:

“21. E obrigaram um homem que passava por ali, vindo do campo, a carregar-lhe a cruz. Era Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.” (Marcos 15.21).

Três formas de enxergar a cruz. Vamos orar mais uma vez. Os irmãos podem se sentar.

Este é um daqueles textos que lemos como parte de um enredo muito mais chamativo, muito mais importante aos nossos olhos, que é o processo da crucificação de Jesus, e por isso nós o tratamos até com curiosidade às vezes (afinal, alguém carregou fisicamente a cruz de Jesus), mas acabamos por passar batido na leitura e não nos detemos a meditar em todas as implicações que o texto possui.

Há muitas coisas a aprender aqui.

Simão, que era natural de Cirene, no norte da África. Uma cidade que possuía uma enorme população judaica à época.

Por ser uma cidade africana alguns comentaristas chegaram a afirmar que Simão seria negro.

Todavia a cor da pele de uma pessoa é indiferente ao evangelho.

E essa é uma das belezas da cruz de Cristo: ela não faz distinção entre brancos, negros, amarelos ou vermelhos, ela distingue o coração de cada pessoa, é a sua decisão diante da cruz que importa, não a cor da sua pele.

Outra coisa a pensarmos é crueldade, a barbárie da cruz.

Essa invenção cartaginesa que foi adotada pelos romanos como forma de execução dos piores criminosos, em especial os que eram acusados de sedição, rebelião, contra o então poderoso império romano.

A cruz era uma forma de execução tão brutal que Cícero, o conhecido poeta romano, disse que: “O próprio nome (da cruz) deveria ser excluído não só do corpo, mas também dos pensamentos, dos olhos e dos ouvidos dos cidadãos romanos”.

A palavra grega para cruz, staurós, originalmente significava um poste para empalhamento. Jogava-se o condenado em cima da estaca pontiaguda e esperava-se que ele morresse.

Nos dias de Jesus a cruz já era usada no formado que conhecemos, com uma estaca na vertical e outra na horizontal, a chamada cruz latina.

O condenado após uma sessão longa de tortura, com requinte de crueldade no uso do chicote, era então obrigado a carregar não toda a cruz, como vemos em alguns filmes, mas apenas o patibulum, a parte horizontal da cruz, do local de julgamento até o local da crucificação, onde já o esperava o stipes, a parte vertical da cruz.

Então o texto mostra um homem chamado Simão, natural de Cirene, “que passava por ali, vindo do campo” a quem os soldados romanos “obrigaram (...) a carregar-lhe a cruz”.

Há sempre ao menos três formas de se enxergar a cruz de Cristo. É sobre isso que nós vamos meditar nesta noite, e Simão o Cireneu vai nos ajudar.

E a primeira forma de enxergar a cruz é...

1) COMO UM EXPECTADOR (v. 21)

“21. E obrigaram um homem que passava por ali, vindo do campo, a carregar-lhe a cruz. Era Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.” (Marcos 15.21).

Os comentaristas bíblicos especulam que Simão, sendo de Cirene estava em Jerusalém por ocasião dos festejos da Páscoa, porque era dever dos Judeus comparecerem a Jerusalém nesta data, para que pudessem oferecer sacrifícios no templo e terem seus pecados perdoados.

Outros dizem que ele já morava em Jerusalém, e estava regressando do trabalho no campo, e encontrou o cortejo que acompanhava Jesus.

Independente do motivo pelo qual Simão estava na cidade, o fato é que ele passava, viu a movimentação toda e desejou dar uma olhada no que acontecia. Foi a curiosidade que o levou a se aproximar da Cruz de Cristo.

Aliás na cultura que nós brasileiros vivemos, em que oficialmente não há pena de morte, parece que é algo absurdo alguém se deter para assistir a execução de um criminoso.

Nas cidades americanas que nós conhecemos como “velho oeste”, a execução de um criminoso era um acontecimento local: O culto acabava mais cedo, as famílias faziam piquenique para assistir a um enforcamento.

Mas que dizer das pessoas que ainda hoje acessam vídeos no youtube sobre homicídios ou acidentes fatais, será que é tão diferente só porque é gravado?

Simão também não quis perder o espetáculo que a execução proporcionava, então ele deve ter se aproximado para assistir, como quem assiste há um jogo de futebol, como seria a caminhada daquele vivo-morto até o calvário.

A trajetória de Simão foi mudada, contra sua vontade, mas muitos outros expectadores curiosos deveriam estar ao lado de Simão para ver a crucificação de Jesus.

E muitas pessoas ainda hoje enxergam a cruz de Cristo com curiosidade, como um expectador.

Muitos passam pelos bancos das igrejas, exatamente como esses em que você está sentado. Olham a mensagem da cruz, assistem ao culto e voltam para suas casas, com o mesmo vazio no coração com que entraram na igreja.

Isto porque são expectadores, aquela cruz não lhes pertence, cruz requer compromisso, requer uma boa dose de abnegação.

Há pessoas que não querem nem mesmo que seus nomes constem em um rol de membros de igreja, quanto mais tomar sobre seus ombros a cruz do Senhor Jesus, que implicaria em um compromisso eterno, uma transformação que só quem já tomou voluntariamente esta cruz pode experimentar.

Mas a cruz de Cristo, para os fins espirituais que Deus tem reservado, não pode apenas ser objeto de curiosidade.

E se você pensa que veio aqui nesta noite apenas para assistir a um culto você está redondamente engando, pode tirar seu cavalinho da chuva, como diziam meus conterrâneos do Patrimônio do Bis.

Todo contato com a cruz de cristo, ainda que você pense que é só um expectador, na verdade é uma oportunidade que Deus está lhe dando.

Não há um encontro sequer com a Cruz de Jesus que não seja uma oportunidade dada por Deus, de tornar essa cruz sua também.

Como disse o apóstolo Paulo ao escrever aos Gálatas, capítulo 2.19-b e 20:

19. (...) já estou crucificado com Cristo. 20. Portanto, não sou mais eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim. E essa vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2.19-b e 20).

Se você veio como um expectador da Cruz, nesta noite eu te digo, Deus tem uma proposta para você: de paz, de esperança e de vida eterna na presença dele, e tudo isso passa pela Cruz de Jesus, que pode ser sua também, basta que você aceite Jesus como seu Senhor e Salvador.

Mas há também uma segunda forma de enxergar a cruz, e é...

2) COMO QUEM É OBRIGADO A CARREGÁ-LA (v. 21).

“21. E obrigaram um homem que passava por ali, vindo do campo, a carregar-lhe a cruz. Era Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.” (Marcos 15.21).

Simão passava, Jesus já com o corpo extremamente debilitado pela noite de torturas a que havia sido submetido deve ter caído, e os soldados romanos com receio que o condenado não chegasse ao local da crucificação decidiram nomear alguém do povo para carregar aquele travessão da cruz.

Você pode estar pensando, mas não era só o travessão da cruz, será que pesava tanto assim. Há evidências históricas de que o peso médio apenas daquele travessão era de cerca de cinquenta quilos.

Parece pouco, alguns irmãos aqui certamente carregariam com tranquilidade cinquenta quilos.

 Dizem que um certo irmão, que eu não vou mencionar o nome para não o constranger, apenas de jabuticabas que ele consumiu no sítio do irmão Jeremias, por ocasião do evangelismo de ontem, dariam quase esses cinquentas quilos, sem falar nos dois lanches que ele tomou depois.

(...)

Mas carregar cinquenta depois de ser torturado, chicoteado, espancado, de ter ficado sem dormir, e sabendo o que o aguardava para o fim da caminhada, certamente a sensação deveria ser de que aquele madeiro pesava muito mais de cinquenta quilos.

Por isso os soldados romanos pegaram alguém do povo. Um soldado romano, segundo a ótica daquele momento, jamais se rebaixaria a carregar aquele madeiro.

E Simão foi o escolhido.

Ainda nestes dias, nos nossos dias, há pessoas que enxergam a Cruz de Cristo com uma obrigação, como algo que lhes é imposta.

Na história do cristianismo nós já tivemos muitas experiências de grupos de pessoas sendo obrigados a carregar a Cruz de Cristo: Após a suposta conversão do imperador romano Constantino, em 312 d.C., o cristianismo se tornou a religião oficial do império romano, o paganismo foi proibido, e todo um império, da noite para o dia, passou a ser chamado, ao menos formalmente, de cristão, porque seu imperador assim havia determinado.

Que dizer então da idade média, em especial em Portugal e na Espanha, em que os judeus eram obrigados a se converterem, sob pena da inquisição lança-los na fogueira.

Hoje nós temos oficialmente o direito de crer da forma que entendemos correta, mas também de não crer.

E essa é exatamente a posição Bíblica: O ser humano tem liberdade em escolher servir a Jesus e a de não servir a Jesus (o texto de apocalipse 3.20 diz que “Jesus está à porta, e ele bate, mas que só vai entrar na sua vida se você abrir a porta”, por isso tomar a cruz é uma decisão minha e uma decisão pessoal sua).

O grande problema é que algumas pessoas ainda se comportam como se houvessem sido obrigadas a tomar a cruz sobre seus ombros, como se elas não houvessem liberalmente escolhido fazer isso.

Uma pessoa age dessa forma quando, mesmo dizendo que recebeu Jesus como seu Senhor e Salvador, caminha por esta vida como se não houvesse sobre seus ombros a mesma cruz que Jesus carregou, como se não houvesse sido crucificada com Cristo, e ressuscitado com Cristo.

Simão foi obrigado a carregar a cruz de Jesus, hoje ninguém pode dizer que foi obrigado a carregar a cruz de Jesus.

A cruz de Cristo não é um peso qualquer, não é um saco de compras, de bugigangas que se joga nas costas: era um instrumento de morte, mas Deus o transformou em instrumento de vida, para todo aquele que escolhe livremente toma-la sobre seus ombros.

Por isso quem afirma que está em Cristo, que serve a Deus, deve ter uma vida diferente de quem não faz essa afirmação.

Se é pelo fruto que se conhece a árvore, então é pela transformação causada pela Cruz de Cristo que se conhece um cristão.

Eu e você somos livres para aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador, mas precisamos viver como pessoas que foram libertas por Jesus da escravidão do pecado, que verdadeiramente escolheram tomar sobre si a cruz, a negar-se a si mesmo e a seguir Jesus.

E, por fim, a última forma pela qual podemos enxergar a cruz, é...

3) COMO JESUS A ENXERGOU (v. 21)

“21. E obrigaram um homem que passava por ali, vindo do campo, a carregar-lhe a cruz. Era Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.” (Marcos 15.21).

O evangelista Marcos fez questão de destacar o nome do homem que foi obrigado a carregar a cruz, a sua naturalidade e ainda o nome de seus dois filhos.

Porque tudo isso?

A explicação dada por todos os comentaristas é que esta família era cristã e que Marcos os conhecera pessoalmente, e por isso fez questão de mencioná-los no evangelho.

O argumento é muito forte, porque Marcos não mencionaria um desconhecido, muito menos seus filhos, considerando que uma das marcas da sua escrita é a concisão de informações.

Marcos não gastaria tinta e pena para escrever sobre pessoas que não fossem importantes para ele.

Há comentaristas que chegam a afirmar que o “Rufo” citado por Paulo em Romanos 16.13 seria o mesmo Rufo filho de Simão o Cireneu.

Mas o fato importante é que Simão, que foi em um primeiro momento foi obrigado a carregar a Cruz de Cristo, depois tenha escolhido carregar esta cruz voluntariamente, ao aceitar servir a Jesus.

Este é o ensino de Jesus e eu quero ler o texto de Lucas 9.23 para mostrar a você:

“23. Jesus dizia a todos: Se alguém quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e siga-me.” (Lc 9.23).

Enxergar a Cruz de Cristo como Jesus a enxergou é pensar em primeiro lugar que ela é uma opção.

O texto de Apocalipse 13.8 diz que o cordeiro de Deus, Jesus, “foi morto desde a fundação do mundo”.

Se nós queremos seguir a Jesus precisamos escolher tomar nossa cruz, e Jesus disse que é tomar esta cruz a cada dia.

Foi assim que Jesus enxergou a cruz: Como oportunidade de libertação para cada um de nós, como oportunidade de reconciliação com Deus, para cada um de nós.

Mas para isso precisamos fazer esta escolha, de seguir a Jesus.

CONCLUSÃO:

Nesta noite, neste pouco tempo em que estivemos refletindo sobre a cruz de Cristo, pensamos nas três formas de enxergar essa cruz.

Eu não sei como você enxergava a Cruz de Cristo ao entrar neste local.

Mas se você entendeu que esta noite você precisa enxergar a Cruz como Cristo a enxergou para a humanidade, como uma oportunidade para que a sua vida seja transformada.

Se você quer tomar a cruz de Jesus, e assim enxergar o futuro com esperança, com paz genuína no coração, aceitando Jesus como seu Senhor e Salvador eu gostaria que você levantasse uma de suas mãos, eu quero apenas orar com você.

Fique de pé, vamos orar neste momento.

Linhares, 14 de junho de 2015.


Pr. Marcos José Milagre

“VIVA SEM ANSIEDADE”

“VIVA SEM ANSIEDADE”
(Filipenses 4.6-7)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 1º/02/15, domingo, manhã.

Bom dia irmãos.

Nesta manhã eu quero fazer uma abordagem bíblica espiritual sobre a ansiedade.

É um tema importante, se não fosse Jesus não teria gasto uma boa parte do seu discurso do monte para ensinar os seus discípulos sobre a ansiedade (Mt 6.25-34).

O apóstolo Paulo também abordou o tema da ansiedade ao escrever à igreja em Filipos (Fp 4.6-7).

Ansiedade, medo, preocupação e estresse são termos bem conhecidos em nossos dias, ligue a televisão, abra um jornal, converse com as pessoas, até mesmo da sua família, eu duvido que você não vá encontrar a ansiedade presente em um bom número de pessoas que você conhece.

Aliás, você é uma pessoa ansiosa? Você sente aquele frio na barriga quando pensa em alguma situação que precisa resolver? Ou quando sonha com alguma coisa e ela está no futuro (um projeto, a aquisição de um bem, um negócio, o emprego, o Enem, um casamento)?

Nós nem podemos dizer que ansiedade é algo normal, ou algo aceitável, se fosse aceitável para nossas vidas, Jesus e Paulo não teriam dito: “Não fiqueis ansiosos” (Mt 6.25). “Não andeis ansiosos por coisa alguma” (Fp 4.6).

E a ansiedade algumas vezes não passa mesmo de um friozinho na barriga, mas algumas vezes ela se agrava tanto que faz mal ao nosso organismo. Há pessoas que tem ataques gravíssimos de pânico, causados pelo agravamento da ansiedade, outras tem tosse, dor de cabeça, dor pelo corpo. A própria depressão pode ter começado com uma situação que tenha gerado a ansiedade.

Tem gente que rói as unhas, coloca o cabelo na boca e fica chupando, tudo como consequência da ansiedade.

Mas ansiedade não é algo benéfico, seja na intensidade que for.

Primeiro porque contraria o ensino de Jesus. Quando ficamos ansiosos estamos desobedecendo ao Mestre e isso faz mal à nossa saúde espiritual.

Em segundo lugar, porque ansiedade faz mal à nossa vida (ao nosso corpo, às nossas emoções).

Nós não podemos conviver com uma coisa que não é dá vontade do Senhor e que nos faz mal.

Por isso nossa proposta é encontrar no texto Bíblico o que nós precisamos fazer para enfrentar esse mal chamado “ansiedade”.

Para isso, eu peço que você abra a sua Bíblia na Carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses, capítulo 4, versos 6 e 7:

“6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;
7. e a paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará o vosso coração e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Salmos 42 e 43).

Viva sem ansiedade!

Vamos orar mais uma vez.

É por aqui que eu quero iniciar nossa meditação...
        
1) COMO IDENTIFICAR A FONTE DA ANSIEDADE (v. 6).

“6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;” (Fp 4.6).

Nós não desejamos ficar ansiosos.

Eu não conheço ninguém, não sei se você conhece, que deseje estar ansioso, com aquele sentimento de que parece que está entrando menos ar nos pulmões, de que os punhos, as mãos estão fraquejando, com as mãos suadas, aquele sentimento de “borboletas no estômago”.

Mas o grande problema por vezes é justamente identificar a causa da nossa ansiedade.

- Há Pastor, isso é fácil, eu estou ansioso porque estou desempregado; porque vou fazer o vestibular; porque um familiar está doente; porque quero emagrecer e não consigo; porque não consigo um  namorado(a)!

Parece que nós temos a resposta na ponta da língua se alguém perguntar porque estamos ansiosos.

Mas será que essas situações são mesmo a causa da nossa ansiedade?
Como a nossa abordagem é espiritual eu digo aos irmãos que nenhuma dessas situações é a verdadeira causa da ansiedade. Porque tem gente que perde o emprego e não fica ansioso, há pessoas que fazem concursos dos mais diversos tipos e não ficam ansiosas, há pessoas que passam a vida inteira sem namorar e isso não lhes causa ansiedade.

Mas o ensino de Paulo no verso 6 de Filipenses 4 e também o ensino de Jesus registrado no evangelho segundo Mateus vão nos ensinar a verdadeira causa da nossa ansiedade.

Paulo diz assim: 

6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;” (Fp 4.6).

“Coisa”; “vossos pedidos”.

Paulo identifica a causa da nossa ansiedade com aquilo que nós desejamos.

Jesus também nos diz isso. Mateus 6.25:

“25. Por isso vos digo: Não fiqueis ansiosos quanto à vossa vida, com o que comereis, ou com o que bebereis; nem quanto ao vosso corpo, com o que vestireis.(...) (Mt6.25).

“Comereis”, “bebereis” e “vestireis”.

Não eram coisas extravagantes que os discípulos desejavam, eram coisas básicas, necessárias para a sobrevivência, e mesmo assim, Jesus apontou no coração dos discípulos que essas coisas estavam desviando a atenção deles do Reino de Deus.

Então ficou na mesma, você vai me dizer: “Se eu desejo um emprego, esse desejo é a causa da minha ansiedade; se eu desejo reatar um relacionamento com um filho; então essa é a causa da minha ansiedade.”

Não queridos, eu reafirmo que essas coisas não são a real causa da ansiedade.

E para mostrar isso eu preciso voltar às falas de Jesus e de Paulo. Vou começar por Paulo. No verso 6 ele diz: “(...) pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;

Paulo está nos dizendo o seguinte:

Você deseja alguma coisa? Peça a Deus (por meio da oração), suplique a Deus e agradeça depois de receber.

Mas para pedir a Deus o que desejamos, aquilo que poderia nos trazer ansiedade se não alcançarmos, e confiar que ele pode nos dar o que desejamos, do que é que nós precisamos irmãos?

Em português, duas letras: FÉ!

Eu não quero parecer simplista, não quero que você pense que eu estou te acusando de não ter fé, não é nada disso, até mesmo porque estamos todos no mesmo barco.

Mas a nossa ansiedade é consequência direta da nossa eventual falta de fé!

Eu provo isso a você mostrando uma fala de Jesus em Mateus 6.30); você pode olhar na sua Bíblia:

“30. Se Deus veste assim a planta do campo, que hoje existe e amanhã é jogada no forno, quanto mais a vos, homens de pequena fé?” (Mt 6.30).

Jesus nos chama de homens e mulheres de pequena fé, quando estamos ansiosos.

A fé que temos é que vai determinar a existência, ou não, da ansiedade na nossa vida.

O Pr. John MacArthur, um homem muito respeitado pela sua seriedade bíblica, disse o seguinte sobre a ansiedade:

A ansiedade é uma rude desconfiança do poder e amor de Deus e, apesar de sua falta de sutileza, incorremos nela com facilidade e frequência.

Ele ainda diz que a ansiedade “é desnecessária por causa do nosso pai, incompatível por causa da nossa fé e insensata por causa do nosso futuro.

E o Pr. John MacArthur está correto. Espiritualmente falando a ansiedade não faz sentido para crentes. Nós somos incoerentes quando estamos ansiosos.

Nós cremos que Deus pode perdoar os nossos pecados (não cremos nisso!?); cremos que Deus pode quebrar as algemas do pecado e as que Satanás tenha nos colocado (não cremos nessa soberania de Deus!?); cremos que Deus não nos deixará ir para o inferno, porque cremos em Jesus, que Ele nos levará para o céu e nos dará a vida eterna (você crê nisso?).

E porque não cremos que Ele pode nos dar o emprego, a cura, o restabelecimento do relacionamento familiar? A ansiedade representa que não cremos que Deus pode nos dar essas coisas!

Nós cremos que Ele pode nos dar algo muito maior que é a vida eterna, mas quando ficamos ansiosos estamos dizendo que Ele não pode nos dar coisas muito menores que desejamos ter.

Isso com certeza não faz sentido para as nossas vidas!

Um outro homem de Deus, chamado George Müller disse: “Onde a fé começa, a ansiedade termina; onde a ansiedade começa a fé acaba”.

Por isso é que o Autor aos Hebreus, ao encerrar o capítulo da fé (o capítulo 11), ele diz nos versos 1 e 2 do capítulo 12: “(...) corramos com perseverança a corrida que nos está proposta, 2. fixando os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (...)”.

Jesus é o Autor e o Consumador da nossa fé. O começo e a continuidade da nossa fé, mas para isso nossos olhos devem estar fixos unicamente em Jesus, não nas nossas limitações. Aquele que nos salva certamente pode suprir as nossas necessidades.

Por isso nós não precisamos desenvolver ou manter esse padrão de fraquejo da fé que resulta na ansiedade, porque tanto Jesus quanto o apóstolo Paulo nos mostram como viver sem ansiedade.

Eles nos ensinam a...

2) MUDAR O FOCO DA ANSIEDADE (v. 6).

“6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;” (Fp 4.6)

O desafio real da vida cristã não é eliminar cada situação desconfortável de nossas vidas, mas sim confiar em nosso Deus soberano, sábio, bondoso e poderoso em todas as circunstâncias.

E o apóstolo Paulo nos mostra como fazer isso por meio de uma mudança de foco.

Ele diz: Não fiquem ansiosos por nenhum motivo, pelo contrário, apresentem seus pedidos a Deus por meio da oração.

A oração pela fé é o nosso principal meio de combater a ansiedade.

Por meio da oração nós abrimos nossa alma a Deus e isso mostra que confiamos no Senhor.

E se confiamos sabemos que Ele pode suprir as nossas necessidades.

Eu me recordei do profeta Habacuque ao pensar na oração como forma de combater a ansiedade.

O capítulo 3 é umas das mais profundas orações anti-ansiedade registradas na Bíblia. O profeta reflete sobre a onipotência de Deus na sua oração e depois ele chega à conclusão que não precisava ficar ansioso com o futuro de Judá, em especial com relação à invasão babilônica, porque Deus iria providenciar tudo que fosse necessário.

Ele diz no verso 18 (capítulo 3): “mesmo assim (mesmo que não haja sustento para a nação), eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.”

Habacuque mostra, ainda, o que o apóstolo Paulo se refere na carta aos Filipenses: orar com “ações de graças”.

Um coração agradecido a Deus também será um local mais difícil para a ansiedade se instalar.

Mas como fazer com que recorramos à oração com fé, às ações de graças e não à ansiedade?

Substituindo pensamentos. E eu não estou falando de autossugestão.

Os nossos pensamentos, como pecadores, ainda que regenerados pelo sangue de Jesus, ainda se voltam muitas vezes para o passado, para o velho homem.

Por isso Paulo nos estimula a pensarmos no que é justo, verdadeiro, honesto, puro, amável, de boa fama e que tenha alguma virtude e louvor (Fp 4.8).

Toda vez que você perceber que a sua mente está caminhando para esse caminho da ansiedade, mude de pensamento, você pode fazer isso conscientemente, bastar orar, reconhecer o poder de Deus, diga a si mesmo: “Se me eu me sentir temeroso, e daí? É desagradável e pode me perturbar, mas eu vou sobreviver, como sempre fiz, porque eu tenho um Deus cuida de mim!

Porque se nós só ouvirmos esta mensagem em que estamos meditando nesta manhã, sem colocar nada em prática nós vamos continuar incorrendo na ansiedade.

Paulo nos diz no verso 9 deste capítulo de Filipenses que o que aprendemos, recebemos, ouvimos e vimos nele, precisamos colocar em prática. E o ensino sobre a ansiedade é uma destas coisas.

Tiago diz na sua carta, capítulo 1, verso 22: “Sede praticante da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos.

Nós não podemos nos enganar, precisamos combater a ansiedade com a mudança da nossa mente, dos nossos pensamentos, orando em petição a Deus, agradecendo ao Senhor, mas sempre nos recordando que Deus está no controle, e que não precisamos temer o futuro.

É uma reação da nossa parte a qualquer pensamento que possa nos causar ansiedade. E nós precisamos escolher agir desta forma. É uma decisão voluntária que eu e você precisamos tomar (orar, agradecer e escolher nossos pensamentos). Com o auxílio do Espírito Santo, nosso consolador, isso é possível.

E Paulo nos assegura que Deus quando tornamos a nossa mente cativa das nossas escolhas; que quando escolhemos orar a Deus, a paz de Deus, que nós não conseguimos nem entender de tão extensa que é, vai guardar os nossos pensamentos e as nossas emoções.

Orar pedindo, orar agradecendo a Deus nos garante paz, uma paz que age como um soldado vigilante que protege nossos pensamentos e as nossas emoções e a ansiedade não vai se instalar em nós.

CONCLUSÃO:

Isso nos faz refletir sobre o que é que tem trazido ansiedade para as nossas vidas.

O que tem deixado você ansioso?

Nós não devemos permitir que a ansiedade tome conta da nossa vida. Jesus disse para não permitirmos isso.

E se Jesus disse que podemos evitar é porque podemos, com certeza, mas precisamos querer.

Mas somente pela fé, pela certeza que Deus existe e que ele se importa conosco e que vamos poder dizer a nós mesmos: “Eu não preciso ficar ansioso, Deus está no controle, ele vai resolver este problema, ou vai me conceder aquilo que eu preciso, aquilo que é essencial para minha vida”.

Não há ansiedade que resista há uma oração desse tipo feita com fé!

Por isso eu quero orar agora. E eu quero que você apresente suas súplicas a Deus. Tudo aquilo que causa ansiedade.

Em sua 1ª Carta, capítulo 5, verso 7, o apóstolo Pedro disse que nós devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, porque ele tem cuidado de nós.

Se ele tem cuidado é porque vai continuar cuidando, mas a ansiedade deve ser entregue a Ele.

Neste momento de oração eu quero convidar os irmãos para que nós nos ajoelhemos, e oremos a Deus para que nos dê forças, para controlarmos nossos pensamentos e não permitirmos que a ansiedade entre nas nossas vidas, e se ela tem nos incomodado, que nós consigamos substituí-la pela fé, no nosso Deus todo poderoso.

Vamos orar neste momento.

Linhares, 31 de janeiro de 2015.

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares