sábado, 4 de julho de 2015

“VIVA SEM ANSIEDADE”

“VIVA SEM ANSIEDADE”
(Filipenses 4.6-7)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 1º/02/15, domingo, manhã.

Bom dia irmãos.

Nesta manhã eu quero fazer uma abordagem bíblica espiritual sobre a ansiedade.

É um tema importante, se não fosse Jesus não teria gasto uma boa parte do seu discurso do monte para ensinar os seus discípulos sobre a ansiedade (Mt 6.25-34).

O apóstolo Paulo também abordou o tema da ansiedade ao escrever à igreja em Filipos (Fp 4.6-7).

Ansiedade, medo, preocupação e estresse são termos bem conhecidos em nossos dias, ligue a televisão, abra um jornal, converse com as pessoas, até mesmo da sua família, eu duvido que você não vá encontrar a ansiedade presente em um bom número de pessoas que você conhece.

Aliás, você é uma pessoa ansiosa? Você sente aquele frio na barriga quando pensa em alguma situação que precisa resolver? Ou quando sonha com alguma coisa e ela está no futuro (um projeto, a aquisição de um bem, um negócio, o emprego, o Enem, um casamento)?

Nós nem podemos dizer que ansiedade é algo normal, ou algo aceitável, se fosse aceitável para nossas vidas, Jesus e Paulo não teriam dito: “Não fiqueis ansiosos” (Mt 6.25). “Não andeis ansiosos por coisa alguma” (Fp 4.6).

E a ansiedade algumas vezes não passa mesmo de um friozinho na barriga, mas algumas vezes ela se agrava tanto que faz mal ao nosso organismo. Há pessoas que tem ataques gravíssimos de pânico, causados pelo agravamento da ansiedade, outras tem tosse, dor de cabeça, dor pelo corpo. A própria depressão pode ter começado com uma situação que tenha gerado a ansiedade.

Tem gente que rói as unhas, coloca o cabelo na boca e fica chupando, tudo como consequência da ansiedade.

Mas ansiedade não é algo benéfico, seja na intensidade que for.

Primeiro porque contraria o ensino de Jesus. Quando ficamos ansiosos estamos desobedecendo ao Mestre e isso faz mal à nossa saúde espiritual.

Em segundo lugar, porque ansiedade faz mal à nossa vida (ao nosso corpo, às nossas emoções).

Nós não podemos conviver com uma coisa que não é dá vontade do Senhor e que nos faz mal.

Por isso nossa proposta é encontrar no texto Bíblico o que nós precisamos fazer para enfrentar esse mal chamado “ansiedade”.

Para isso, eu peço que você abra a sua Bíblia na Carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses, capítulo 4, versos 6 e 7:

“6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;
7. e a paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará o vosso coração e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Salmos 42 e 43).

Viva sem ansiedade!

Vamos orar mais uma vez.

É por aqui que eu quero iniciar nossa meditação...
        
1) COMO IDENTIFICAR A FONTE DA ANSIEDADE (v. 6).

“6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;” (Fp 4.6).

Nós não desejamos ficar ansiosos.

Eu não conheço ninguém, não sei se você conhece, que deseje estar ansioso, com aquele sentimento de que parece que está entrando menos ar nos pulmões, de que os punhos, as mãos estão fraquejando, com as mãos suadas, aquele sentimento de “borboletas no estômago”.

Mas o grande problema por vezes é justamente identificar a causa da nossa ansiedade.

- Há Pastor, isso é fácil, eu estou ansioso porque estou desempregado; porque vou fazer o vestibular; porque um familiar está doente; porque quero emagrecer e não consigo; porque não consigo um  namorado(a)!

Parece que nós temos a resposta na ponta da língua se alguém perguntar porque estamos ansiosos.

Mas será que essas situações são mesmo a causa da nossa ansiedade?
Como a nossa abordagem é espiritual eu digo aos irmãos que nenhuma dessas situações é a verdadeira causa da ansiedade. Porque tem gente que perde o emprego e não fica ansioso, há pessoas que fazem concursos dos mais diversos tipos e não ficam ansiosas, há pessoas que passam a vida inteira sem namorar e isso não lhes causa ansiedade.

Mas o ensino de Paulo no verso 6 de Filipenses 4 e também o ensino de Jesus registrado no evangelho segundo Mateus vão nos ensinar a verdadeira causa da nossa ansiedade.

Paulo diz assim: 

6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;” (Fp 4.6).

“Coisa”; “vossos pedidos”.

Paulo identifica a causa da nossa ansiedade com aquilo que nós desejamos.

Jesus também nos diz isso. Mateus 6.25:

“25. Por isso vos digo: Não fiqueis ansiosos quanto à vossa vida, com o que comereis, ou com o que bebereis; nem quanto ao vosso corpo, com o que vestireis.(...) (Mt6.25).

“Comereis”, “bebereis” e “vestireis”.

Não eram coisas extravagantes que os discípulos desejavam, eram coisas básicas, necessárias para a sobrevivência, e mesmo assim, Jesus apontou no coração dos discípulos que essas coisas estavam desviando a atenção deles do Reino de Deus.

Então ficou na mesma, você vai me dizer: “Se eu desejo um emprego, esse desejo é a causa da minha ansiedade; se eu desejo reatar um relacionamento com um filho; então essa é a causa da minha ansiedade.”

Não queridos, eu reafirmo que essas coisas não são a real causa da ansiedade.

E para mostrar isso eu preciso voltar às falas de Jesus e de Paulo. Vou começar por Paulo. No verso 6 ele diz: “(...) pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;

Paulo está nos dizendo o seguinte:

Você deseja alguma coisa? Peça a Deus (por meio da oração), suplique a Deus e agradeça depois de receber.

Mas para pedir a Deus o que desejamos, aquilo que poderia nos trazer ansiedade se não alcançarmos, e confiar que ele pode nos dar o que desejamos, do que é que nós precisamos irmãos?

Em português, duas letras: FÉ!

Eu não quero parecer simplista, não quero que você pense que eu estou te acusando de não ter fé, não é nada disso, até mesmo porque estamos todos no mesmo barco.

Mas a nossa ansiedade é consequência direta da nossa eventual falta de fé!

Eu provo isso a você mostrando uma fala de Jesus em Mateus 6.30); você pode olhar na sua Bíblia:

“30. Se Deus veste assim a planta do campo, que hoje existe e amanhã é jogada no forno, quanto mais a vos, homens de pequena fé?” (Mt 6.30).

Jesus nos chama de homens e mulheres de pequena fé, quando estamos ansiosos.

A fé que temos é que vai determinar a existência, ou não, da ansiedade na nossa vida.

O Pr. John MacArthur, um homem muito respeitado pela sua seriedade bíblica, disse o seguinte sobre a ansiedade:

A ansiedade é uma rude desconfiança do poder e amor de Deus e, apesar de sua falta de sutileza, incorremos nela com facilidade e frequência.

Ele ainda diz que a ansiedade “é desnecessária por causa do nosso pai, incompatível por causa da nossa fé e insensata por causa do nosso futuro.

E o Pr. John MacArthur está correto. Espiritualmente falando a ansiedade não faz sentido para crentes. Nós somos incoerentes quando estamos ansiosos.

Nós cremos que Deus pode perdoar os nossos pecados (não cremos nisso!?); cremos que Deus pode quebrar as algemas do pecado e as que Satanás tenha nos colocado (não cremos nessa soberania de Deus!?); cremos que Deus não nos deixará ir para o inferno, porque cremos em Jesus, que Ele nos levará para o céu e nos dará a vida eterna (você crê nisso?).

E porque não cremos que Ele pode nos dar o emprego, a cura, o restabelecimento do relacionamento familiar? A ansiedade representa que não cremos que Deus pode nos dar essas coisas!

Nós cremos que Ele pode nos dar algo muito maior que é a vida eterna, mas quando ficamos ansiosos estamos dizendo que Ele não pode nos dar coisas muito menores que desejamos ter.

Isso com certeza não faz sentido para as nossas vidas!

Um outro homem de Deus, chamado George Müller disse: “Onde a fé começa, a ansiedade termina; onde a ansiedade começa a fé acaba”.

Por isso é que o Autor aos Hebreus, ao encerrar o capítulo da fé (o capítulo 11), ele diz nos versos 1 e 2 do capítulo 12: “(...) corramos com perseverança a corrida que nos está proposta, 2. fixando os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (...)”.

Jesus é o Autor e o Consumador da nossa fé. O começo e a continuidade da nossa fé, mas para isso nossos olhos devem estar fixos unicamente em Jesus, não nas nossas limitações. Aquele que nos salva certamente pode suprir as nossas necessidades.

Por isso nós não precisamos desenvolver ou manter esse padrão de fraquejo da fé que resulta na ansiedade, porque tanto Jesus quanto o apóstolo Paulo nos mostram como viver sem ansiedade.

Eles nos ensinam a...

2) MUDAR O FOCO DA ANSIEDADE (v. 6).

“6. Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graças;” (Fp 4.6)

O desafio real da vida cristã não é eliminar cada situação desconfortável de nossas vidas, mas sim confiar em nosso Deus soberano, sábio, bondoso e poderoso em todas as circunstâncias.

E o apóstolo Paulo nos mostra como fazer isso por meio de uma mudança de foco.

Ele diz: Não fiquem ansiosos por nenhum motivo, pelo contrário, apresentem seus pedidos a Deus por meio da oração.

A oração pela fé é o nosso principal meio de combater a ansiedade.

Por meio da oração nós abrimos nossa alma a Deus e isso mostra que confiamos no Senhor.

E se confiamos sabemos que Ele pode suprir as nossas necessidades.

Eu me recordei do profeta Habacuque ao pensar na oração como forma de combater a ansiedade.

O capítulo 3 é umas das mais profundas orações anti-ansiedade registradas na Bíblia. O profeta reflete sobre a onipotência de Deus na sua oração e depois ele chega à conclusão que não precisava ficar ansioso com o futuro de Judá, em especial com relação à invasão babilônica, porque Deus iria providenciar tudo que fosse necessário.

Ele diz no verso 18 (capítulo 3): “mesmo assim (mesmo que não haja sustento para a nação), eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.”

Habacuque mostra, ainda, o que o apóstolo Paulo se refere na carta aos Filipenses: orar com “ações de graças”.

Um coração agradecido a Deus também será um local mais difícil para a ansiedade se instalar.

Mas como fazer com que recorramos à oração com fé, às ações de graças e não à ansiedade?

Substituindo pensamentos. E eu não estou falando de autossugestão.

Os nossos pensamentos, como pecadores, ainda que regenerados pelo sangue de Jesus, ainda se voltam muitas vezes para o passado, para o velho homem.

Por isso Paulo nos estimula a pensarmos no que é justo, verdadeiro, honesto, puro, amável, de boa fama e que tenha alguma virtude e louvor (Fp 4.8).

Toda vez que você perceber que a sua mente está caminhando para esse caminho da ansiedade, mude de pensamento, você pode fazer isso conscientemente, bastar orar, reconhecer o poder de Deus, diga a si mesmo: “Se me eu me sentir temeroso, e daí? É desagradável e pode me perturbar, mas eu vou sobreviver, como sempre fiz, porque eu tenho um Deus cuida de mim!

Porque se nós só ouvirmos esta mensagem em que estamos meditando nesta manhã, sem colocar nada em prática nós vamos continuar incorrendo na ansiedade.

Paulo nos diz no verso 9 deste capítulo de Filipenses que o que aprendemos, recebemos, ouvimos e vimos nele, precisamos colocar em prática. E o ensino sobre a ansiedade é uma destas coisas.

Tiago diz na sua carta, capítulo 1, verso 22: “Sede praticante da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos.

Nós não podemos nos enganar, precisamos combater a ansiedade com a mudança da nossa mente, dos nossos pensamentos, orando em petição a Deus, agradecendo ao Senhor, mas sempre nos recordando que Deus está no controle, e que não precisamos temer o futuro.

É uma reação da nossa parte a qualquer pensamento que possa nos causar ansiedade. E nós precisamos escolher agir desta forma. É uma decisão voluntária que eu e você precisamos tomar (orar, agradecer e escolher nossos pensamentos). Com o auxílio do Espírito Santo, nosso consolador, isso é possível.

E Paulo nos assegura que Deus quando tornamos a nossa mente cativa das nossas escolhas; que quando escolhemos orar a Deus, a paz de Deus, que nós não conseguimos nem entender de tão extensa que é, vai guardar os nossos pensamentos e as nossas emoções.

Orar pedindo, orar agradecendo a Deus nos garante paz, uma paz que age como um soldado vigilante que protege nossos pensamentos e as nossas emoções e a ansiedade não vai se instalar em nós.

CONCLUSÃO:

Isso nos faz refletir sobre o que é que tem trazido ansiedade para as nossas vidas.

O que tem deixado você ansioso?

Nós não devemos permitir que a ansiedade tome conta da nossa vida. Jesus disse para não permitirmos isso.

E se Jesus disse que podemos evitar é porque podemos, com certeza, mas precisamos querer.

Mas somente pela fé, pela certeza que Deus existe e que ele se importa conosco e que vamos poder dizer a nós mesmos: “Eu não preciso ficar ansioso, Deus está no controle, ele vai resolver este problema, ou vai me conceder aquilo que eu preciso, aquilo que é essencial para minha vida”.

Não há ansiedade que resista há uma oração desse tipo feita com fé!

Por isso eu quero orar agora. E eu quero que você apresente suas súplicas a Deus. Tudo aquilo que causa ansiedade.

Em sua 1ª Carta, capítulo 5, verso 7, o apóstolo Pedro disse que nós devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, porque ele tem cuidado de nós.

Se ele tem cuidado é porque vai continuar cuidando, mas a ansiedade deve ser entregue a Ele.

Neste momento de oração eu quero convidar os irmãos para que nós nos ajoelhemos, e oremos a Deus para que nos dê forças, para controlarmos nossos pensamentos e não permitirmos que a ansiedade entre nas nossas vidas, e se ela tem nos incomodado, que nós consigamos substituí-la pela fé, no nosso Deus todo poderoso.

Vamos orar neste momento.

Linhares, 31 de janeiro de 2015.

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares

“VEJA COMO VIVE”

“VEJA COMO VIVE”
(2 Crônicas 24.15-25)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 21/06/15, domingo, manhã.

Bom dia irmãos.

Nesta manhã eu quero meditar com os irmãos em um texto bíblico que mostra uma trama familiar digna de qualquer livro, best-seller, que você conheça.

A história é recheada de traição, ingratidão e morte. Mas eu quero focar na vida de dois homens. Dois homens que durante certo tempo caminharam em uma única trajetória, mas depois um deles se distanciou do caminho que Deus esperava que ele trilhasse.

A história é um aviso para que nós, que caminhamos na vida cristã, tenhamos sempre em mente que a nossa vida deve sempre nos levar para mais perto de Deus, e isso só vai acontecer se estivermos sempre atentos a como vivemos.

Por isso o tema da mensagem desta manhã é “Veja como Vive”.

Para isso, eu peço que você abra a sua Bíblia no Livro de 2 Crônicas 24, versos de 15 a 25:

“15. (...).” (2 Crônicas 24.15-25).

Vamos orar mais uma vez.

Antes de meditar no texto que lemos eu preciso contextualizar a história para que você compreenda como as coisas chegaram neste ponto.

Você já deve ter ouvido que o reino de Israel se dividiu em dois depois da morte de Salomão, o Reino do Norte, que permaneceu com o nome de Israel e o Reino do Sul, que passou a ser conhecido como Judá.

O Reino do Norte (Israel) a mais idólatra que o reino do sul (Judá), foi no reino do norte que o profeta Elias lutou com os 400 servos de baal na época que o rei se chamava Acabe (o mesmo acabe que matou o Nabote para tomar-lhe o vinhedo) e sua esposa se chamava Jezabel, a mesma que jurou matar Elias e por isso ele fugiu e pediu a Deus que tirasse a sua vida, quando Elias teve o encontro com Deus no monte Horebe e foi restaurado.

Mas esse casalzinho de cascavel, Acabe e Jezabel que eram do reino de Israel no norte, teve uma filha, chamada Atalia, que era tão idólatra quando sua mãe, Jezabel, mas que, contrariando a vontade de Deus, o rei Jeorão de Judá, reino do sul, se casou com a tal Atalia.

A união de um rei da dinastia de Davi com uma esposa idólatra certamente não ia dar em boa coisa. Nesta época a adoração a baal ficou ainda mais forte no reino do sul, porque passou a ser promovido pela rainha Atalia.

Mas Jeorão morreu, e o filho dele com Atalia ficou reinando em seu lugar, o nome dele era Acazias. Tendo uma mãe idólatra, Acazias seguiu os passos da mãe, tornou-se idólatra, e isso o levou a ser morto por um homem chamado Jeú.

Atalia tinha então o esposo (Jeorão) morto e o seu filho primogênito (Acazias) morto. Você já deve ter assistido algum filme sobre monarquia, quando um rei morre, se ele tem filhos o filho mais velho assume o trono, ou se ele for criança, um regente, ou um tutor governa até que a criança atinja a idade de governar.

Mas, como a tal Atalia era filha do casal de cobras (Acaz e Jezabel), ela era cobra também. Atalia pensou, veja o raciocínio perverso da mulher: “Se eu matar TODOS os meus netos, não vai sobrar ninguém para ser coroado rei, então eu é que viro rainha absoluta de Judá”.

Então ela mandou exterminar toda a linhagem de Davi (você pode depois ler esta história em 2 Reis 11 ou 2 Crônicas 22.

Mas o que Atalia não contava era que uma de suas filhas, chamada Jeoseba ou Jeosabeate, que era casada com o sacerdote Joiada, conseguiu salvar um dos herdeiros do trono, Joás, que como eu disse era neta da Atalia.

Então o casal Jeosabeate e Joiada esconderam e criaram, durante seis anos, o menino Joás no templo.

Durante esses seis anos Atalia reinou em Judá.

Então no sétimo ano de esconderijo, por volta do ano 835 a.C., o sacerdote Joiada, segundo orientação de Deus, consagrou Joás rei de Judá, e Atalia ao saber que o neto agora era o rei, entrou no templo gritando “traição, traição, traição” (cara-de-pau, manda matar os próprios netos e diz traição), mas Joiada mandou os guardas do templo arrastá-la para a estrada dos cavalos e matá-la ali, para que não se profanasse o Templo do Senhor com o sangue dela. E assim acabou o reinado de Atalia.

Depois disso o reino passou por um tempo de reforma espiritual. O templo foi restaurado, o serviço dos levitas na adoração ao Senhor foi reconstituído O verso 14 de 2 Crônicas 24 diz que enquanto Joiada viveu, os sacrifícios eram oferecidos continuamente no templo do Senhor.

E também enquanto ele viveu o rei Joás foi por ele orientado sobre como devia se comportar para caminhar na presença de Deus.

O prelúdio foi longo, mas eu fiz questão de contar a história para vocês. Nós podemos conversar com uma pessoa por cinco minutos, mas como é diferente a conversa quando conhecemos a história dela. Agora conhecemos a história de Joás.

Então nós chegamos ao versículo 15 que lemos em 2 Crônicas 24. Joiada envelheceu e morreu, deixou um vácuo moral, espiritual e aqui eu quero refletir com os irmãos em algumas coisas muito importante, para, como crentes, termos cuidado de com vivemos nossa vida.

E por isso eu quero pensar inicialmente que para vivermos segundo a vontade de Deus, em primeiro lugar...
        
1) PRECISAMOS TER CUIDADO COM NOSSAS REFERÊNCIAS (v. 15 e 17).

“15. Porém Joiada envelheceu e morreu em idade avançada. Ele tinha cento e trinta anos quando morreu.
(...)
17. Depois da morte de Joiada, os chefes de Judá vieram e se prostraram diante do rei; então o rei lhe deu ouvidos.

E o verso 18 diz que eles abandonaram o templo do Senhor e cultuaram postes-ídolos dedicados aos falsos deuses.

Talvez você esteja pensando, como esse sujeito pode ter virado a casaca depois de tudo que aprendeu com Joiada? Seis anos morando com ele, outros tantos anos sendo orientado, então, de uma hora para outra esquece de Deus, volta as costas para o templo.

Porque isso aconteceu? Porque alguém se afasta dessa forma de Deus?

Isso aconteceu porque Joás perdeu sua referência espiritual.

E isso infelizmente acontece também nos nossos dias.

Muitos crentes têm se afastado da sua igreja, se afastado até de Deus porque tem a referência espiritual errada.

Alguns filhos de pais consagrados, pais atuante na igreja, enquanto são crianças os pais os levam à igreja, os pais são uma referência, depois alguns desses filhos crescem, encontram outro referencial e se afastam, ou visitam a igreja quando lhes da vontade.

Mas a referência é como o norte da bússola, precisar ser constante, correta, SEM VARIAÇÃO, ou nos levará ao lugar errado.

Joás permitiu que os líderes de Judá se prostrassem diante dele, e o seduzissem, então voltou à idolatria que sempre foi condenada por Deus.

Muitas vezes somos seduzidos por coisas, por pessoas, com uma fala mansa, mas que contraria a verdade da palavra de Deus.

Crentes saem da igreja porque tem como referência outros crentes, então quando alguém erra, ou lhe ofende, porque humanos erram às vezes, a pessoa fica tão frustrada, é como se tivesse sido traída, e se decepciona com a igreja.

Mas o terrível mesmo é quando o referencial é do mundo. Cuidado adolescentes e jovens com os referenciais, atores, atrizes, essa gente que que é badalada como artistas, músicos, mas sem qualquer orientação espiritual do Deus altíssimo, e muitas vezes com características morais tão baixas.

Uma das marcas do tempo em que vivemos, chamado de pós-modernismo, é a ausência de um referencial externo para nossa conduta. Diante disto DEUS sai de cena e fica apenas o dEUs, e o nosso referencial passa a ser nosso próprio coração. Mas “enganoso é o coração do homem”.

Por isso todos nós precisamos nos fazer a seguinte pergunta: Qual é a minha referência espiritual? Diante das situações da vida, que na maioria das vezes são tão complexas, para onde eu olho para fazer o que é certo? Para fazer a vontade de Deus?

Por isso eu preciso mostrar a você qual deve ser a nossa referência em todo o tempo. Eu quero ler o texto de Hebreus 12.1 e 2-a:

“1. Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas depois de eliminar tudo que nos impede de prosseguir e o pecado que nos assedia, corramos com perseverança a corrida que nos está proposta,
2. fixando os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (...)”. (Hb 12.1 e 2-b).

Em todo o tempo precisamos fixar nossos olhos em Jesus, Ele é a única referência que nós devemos ter para delinearmos nossa vida.

Nós podemos olhara para crentes consagrados, e copiar os bons exemplos, olhar para os pastores e buscar orientação de homens consagrados, mas nosso único referencial imutável, que nunca vai nos decepcionar e que sempre vai nos apontar para Deus é Jesus Cristo, porque ele mesmo é Deus.

E não podemos mudar a rota no meio da caminhada. Independente das circunstâncias que vivamos, das dificuldades, das lutas, Jesus deve sempre ser este referencial seguro.

Continue olhando para Jesus, conheça a vontade do Senhor, faça a vontade do Senhor, você nunca vai se arrepender disso.

Mas uma segunda coisa que podemos aprender com a história de Joás e Joiada é que...

2) PRECISAMOS NOS LEMBRAR DE SERMOS GRATOS (v. 22).

“22. Assim, o rei Joás não se lembrou da bondade que Joiada, pai de Zacarias lhe havia feito, mas matou seu filho, o qual disse ao morrer: Que o Senhor veja isto e lhe retribua.” (2 Crônicas 24.22).

Quando se perde um referencial espiritual, umas das marcas que a pessoa passa a demonstrar é a ingratidão.

Ao meditar neste texto eu fiquei pensando na ingratidão de Joás. A tia e o tio Joiada o esconderam por seis anos, colocando a própria vida em risco. Joiada o criou, e muito certamente deve ter convivido com Zacarias durante seus dias de esconderijo.

Joiada morre e Joás se esquece de tudo quanto ele fez.

Mas a primeira pessoa que sofreu com a ingratidão de Joás foi o próprio Deus...

Porque afinal de contas, Joiada preservou a vida de Joás ao escondê-lo por obedecer a Deus, e o escondeu no Templo do Senhor.

Mas Joás preferiu dar ouvidos aos bajuladores que se prostraram diante dele.

Nós não matamos os filhos das pessoas que nos abençoam, mas em muitos momentos parecemos mostrar ingratidão pelo que recebemos de Deus.

Há poucos dias uma pessoa próxima mandou um Wattsapp, estava questionando se Deus havia se esquecido dela, isso porque ela estava desempregada há uns quinze, vinte dias.

A forma que eu usei para mostrar a ela como Deus não a havia esquecido foi simplesmente mostrar tudo que ele tinha feito e ainda estava fazendo.

Seu marido, eu disse, é fazendeiro. Sua filha está estudando odontologia em Vitória. Seu filho já está formado em farmácia. Todos estão com saúde. Você tem casa própria. Tem um bom carro, tem uma moto. São tantas coisas que Deus tem concedido.

Aí eu mandei o versículo 12 do Salmo 116: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem concedido”.

Como tem gente que reclama, eu não sei se você conhece alguém assim: Se está sol reclama do calor; se está frio, reclama do frio; se a pregação é longa, reclama, se é curta, reclama.

Mas muitas vezes nossa ingratidão é voltada para Deus. Se entregamos nossa vida a Deus e ele está no controle de todas as coisas, porque reclamamos quando ele age.

Um pneu furado pode ser um livramento e motivo de gratidão se você compreende o agir de Deus.

Nós precisamos viver todos os dias com gratidão a Deus por todos os benefícios que recebemos, mas também precisamos mostrar gratidão às pessoas.

Não estou dizendo que alguém deva fazer o bem a outra pessoa esperando algo em troca, mas se grato não tira pedaço, e reconhecer o benefício recebido certamente faz bem para quem ouve.

E a gratidão não deve estar vinculada ao tamanho do benefício recebido.
Há pessoas que só agradecem se recebem algo grande em suas vidas, os pequenos presentes de Deus e de outras pessoas às vezes passam despercebidos em nossa vida.

Por isso precisamos ter em mente, que para vivermos uma vida que agrade a Deus, precisamos nos lembrar de agradecê-lo por tudo que recebemos (como diz Paulo em 1 Tessalonicenses 5.18: “Sede gratos por todas as coisas, pois essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. E a história de Joiada e Joás nos mostra que também devemos ser gratos às pessoas que nos fazem o bem.
 
Pois a ingratidão de Joás o levou à morte. Por isso, para vivermos uma vida que agrade a Deus...

3) PRECISAMOS SER FIEIS EM TUDO, POIS HÁ CONSEQUÊNCIAS (v. 25).

“25. Quando os sírios se foram, deixaram-no gravemente ferido; então seus servos conspiraram contra ele por causa do sangue dos filhos do sacerdote Joiada, e o mataram na sua cama, e assim ele morreu; e o sepultaram na Cidade de Davi, mas não no sepulcro dos reis. ” (2 Crônicas 24.25).

A forma como vivemos nossa vida tem repercussões que nós às vezes nem imaginamos.

Joás tinha tudo para ter um reinado próspero e pacífico, guardado por Deus, bastaria que ele continuasse e mantivesse a reforma política que ele tinha iniciado sob a orientação de Joiada.

Mas ele escolheu a idolatria e o verso 25 mostra que ele foi assassinado pelos seus servos em sua cama.

Quando alguém, principalmente um líder, perde a referência espiritual, moral, mostra-se ingrato, infiel, não pode esperar que seus liderados mostrem respeito por ele.

E os atos de Joás não se limitaram à sua morte. As consequências não pararam depois que ele morreu.

Seu filho Amazias tomou o trono em seu lugar, e o texto de 2 Cr 25.2 diz que “Ele fez o que era correto diante do Senhor, mas não o fez com integridade de coração”. Ele também se tornou idólatra, e o verso 27 de 2 Cr 25 diz que seus servos também o mataram (foi idólatra como o pai e teve o mesmo destino trágico do pai).

No lugar de Amazias reinou seu filho, Uzias (como é chamado em 2 Reis 15 de Azarias), este caminhava bem, até que decidiu que tinha o direito de oferecer incenso no templo, quando só os sacerdotes podiam fazer isso (2 Cr 26), o resultado foi que ele ficou leproso, ficou morando em uma casa separada e foi excluído do Templo do Senhor até a sua morte. Antes de morrer fisicamente, apodrecendo aos poucos, ele morreu socialmente e espiritualmente, pois um leproso não podia ter contato com outras pessoas, nem podia entrar no templo, local de adoração a Deus.

Eu fiz questão de mostrar como os atos, a forma como Joás escolheu viver influenciou a vida dos seus descendentes.

Eu preciso ressaltar que não estou falando de maldição hereditária, isso não existe (cada um presta contas a Deus pelos seus atos, suas decisões), mas exemplo existe, legado moral existe, e os filhos observam seus pais.

Nosso modo de viver normalmente influencia aqueles sobre o qual exercemos influencia: Nossos filhos, nossos familiares, nossos funcionários, nossos liderados e por aí vai.

E as consequências de viver, praticar ou escolher coisas que desagradam a Deus, mesmo que pareçam pequenas, tem grandes consequências.

Inicialmente eu pensei em dar a esta mensagem o título de “Um sacerdote no túmulo de um rei e um rei fora do seu túmulo”, porque foi isso que aconteceu.

Joiada, homem fiel a Deus por toda a sua vida. Preferiu correr o risco de morrer nas mãos da perversa Atalia a deixar que ela exterminasse a dinastia de Davi, trabalhou toda a sua vida para que a Nação voltasse a adorar somente o único Deus verdadeiro, um homem honrado moral e espiritualmente.

Seu filho Zacarias aprendeu com seu pai a não se curvar diante da impiedade, da idolatria, preferiu entregar sua vida ao repreender o rei a calar-se e viver uma vida em desacordo com a vontade do Senhor.

Joás caminhava com Deus, mas seu orgulho fez com que ele se tornasse idólatra, morreu assassinado pelos seus próprios servos, e não foi sepultado no túmulo dos reis, ele não era digno para receber essa honraria.

Seu filho foi assassinado, seu neto morreu exilado, leproso.

Um sacerdote cuja vida mostrou dignidade e honradez que o levou ao túmulo dos reis.

Um rei que perdeu seu direito a ser sepultado com os reis, por não viver de forma digna diante de Deus.
(...)
Como eu e você temos vivido nossa vida?

Que exemplo nossos filhos têm visto em nós?

Viva sua vida de forma que Deus se agrade, seja honrado e fiel em todas as coisas, você não estará fazendo isso em vão.

Pense nisso: Nosso exemplo vai viver mais do que nós!

Seu exemplo vai viver mais que você!

Você pode impactar outras tantas gerações, só depende de você viver uma vida totalmente na dependência e na presença de Deus.

CONCLUSÃO:

E eu chego ao fim desta reflexão, e gostaria que você levasse na sua mente estas três coisas.

- Tenha como seu referencial Jesus (você nunca se sentirá perdido, nem se decepcionará);

- Seja grato a Deus por todas as coisas, e lembre-se de agradecer às pessoas também, isso faz bem para todo mundo; e

- Viva de forma que o seu exemplo sobreviva à sua morte, e que esse exemplo possa ser seguido pela sua descendência.

Que o Senhor nos dê sabedoria para vivermos na presença dele.

Vamos orar neste momento.

Linhares, 21 de junho de 2015.

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares