sábado, 4 de julho de 2015

“VEJA COMO VIVE”

“VEJA COMO VIVE”
(2 Crônicas 24.15-25)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 21/06/15, domingo, manhã.

Bom dia irmãos.

Nesta manhã eu quero meditar com os irmãos em um texto bíblico que mostra uma trama familiar digna de qualquer livro, best-seller, que você conheça.

A história é recheada de traição, ingratidão e morte. Mas eu quero focar na vida de dois homens. Dois homens que durante certo tempo caminharam em uma única trajetória, mas depois um deles se distanciou do caminho que Deus esperava que ele trilhasse.

A história é um aviso para que nós, que caminhamos na vida cristã, tenhamos sempre em mente que a nossa vida deve sempre nos levar para mais perto de Deus, e isso só vai acontecer se estivermos sempre atentos a como vivemos.

Por isso o tema da mensagem desta manhã é “Veja como Vive”.

Para isso, eu peço que você abra a sua Bíblia no Livro de 2 Crônicas 24, versos de 15 a 25:

“15. (...).” (2 Crônicas 24.15-25).

Vamos orar mais uma vez.

Antes de meditar no texto que lemos eu preciso contextualizar a história para que você compreenda como as coisas chegaram neste ponto.

Você já deve ter ouvido que o reino de Israel se dividiu em dois depois da morte de Salomão, o Reino do Norte, que permaneceu com o nome de Israel e o Reino do Sul, que passou a ser conhecido como Judá.

O Reino do Norte (Israel) a mais idólatra que o reino do sul (Judá), foi no reino do norte que o profeta Elias lutou com os 400 servos de baal na época que o rei se chamava Acabe (o mesmo acabe que matou o Nabote para tomar-lhe o vinhedo) e sua esposa se chamava Jezabel, a mesma que jurou matar Elias e por isso ele fugiu e pediu a Deus que tirasse a sua vida, quando Elias teve o encontro com Deus no monte Horebe e foi restaurado.

Mas esse casalzinho de cascavel, Acabe e Jezabel que eram do reino de Israel no norte, teve uma filha, chamada Atalia, que era tão idólatra quando sua mãe, Jezabel, mas que, contrariando a vontade de Deus, o rei Jeorão de Judá, reino do sul, se casou com a tal Atalia.

A união de um rei da dinastia de Davi com uma esposa idólatra certamente não ia dar em boa coisa. Nesta época a adoração a baal ficou ainda mais forte no reino do sul, porque passou a ser promovido pela rainha Atalia.

Mas Jeorão morreu, e o filho dele com Atalia ficou reinando em seu lugar, o nome dele era Acazias. Tendo uma mãe idólatra, Acazias seguiu os passos da mãe, tornou-se idólatra, e isso o levou a ser morto por um homem chamado Jeú.

Atalia tinha então o esposo (Jeorão) morto e o seu filho primogênito (Acazias) morto. Você já deve ter assistido algum filme sobre monarquia, quando um rei morre, se ele tem filhos o filho mais velho assume o trono, ou se ele for criança, um regente, ou um tutor governa até que a criança atinja a idade de governar.

Mas, como a tal Atalia era filha do casal de cobras (Acaz e Jezabel), ela era cobra também. Atalia pensou, veja o raciocínio perverso da mulher: “Se eu matar TODOS os meus netos, não vai sobrar ninguém para ser coroado rei, então eu é que viro rainha absoluta de Judá”.

Então ela mandou exterminar toda a linhagem de Davi (você pode depois ler esta história em 2 Reis 11 ou 2 Crônicas 22.

Mas o que Atalia não contava era que uma de suas filhas, chamada Jeoseba ou Jeosabeate, que era casada com o sacerdote Joiada, conseguiu salvar um dos herdeiros do trono, Joás, que como eu disse era neta da Atalia.

Então o casal Jeosabeate e Joiada esconderam e criaram, durante seis anos, o menino Joás no templo.

Durante esses seis anos Atalia reinou em Judá.

Então no sétimo ano de esconderijo, por volta do ano 835 a.C., o sacerdote Joiada, segundo orientação de Deus, consagrou Joás rei de Judá, e Atalia ao saber que o neto agora era o rei, entrou no templo gritando “traição, traição, traição” (cara-de-pau, manda matar os próprios netos e diz traição), mas Joiada mandou os guardas do templo arrastá-la para a estrada dos cavalos e matá-la ali, para que não se profanasse o Templo do Senhor com o sangue dela. E assim acabou o reinado de Atalia.

Depois disso o reino passou por um tempo de reforma espiritual. O templo foi restaurado, o serviço dos levitas na adoração ao Senhor foi reconstituído O verso 14 de 2 Crônicas 24 diz que enquanto Joiada viveu, os sacrifícios eram oferecidos continuamente no templo do Senhor.

E também enquanto ele viveu o rei Joás foi por ele orientado sobre como devia se comportar para caminhar na presença de Deus.

O prelúdio foi longo, mas eu fiz questão de contar a história para vocês. Nós podemos conversar com uma pessoa por cinco minutos, mas como é diferente a conversa quando conhecemos a história dela. Agora conhecemos a história de Joás.

Então nós chegamos ao versículo 15 que lemos em 2 Crônicas 24. Joiada envelheceu e morreu, deixou um vácuo moral, espiritual e aqui eu quero refletir com os irmãos em algumas coisas muito importante, para, como crentes, termos cuidado de com vivemos nossa vida.

E por isso eu quero pensar inicialmente que para vivermos segundo a vontade de Deus, em primeiro lugar...
        
1) PRECISAMOS TER CUIDADO COM NOSSAS REFERÊNCIAS (v. 15 e 17).

“15. Porém Joiada envelheceu e morreu em idade avançada. Ele tinha cento e trinta anos quando morreu.
(...)
17. Depois da morte de Joiada, os chefes de Judá vieram e se prostraram diante do rei; então o rei lhe deu ouvidos.

E o verso 18 diz que eles abandonaram o templo do Senhor e cultuaram postes-ídolos dedicados aos falsos deuses.

Talvez você esteja pensando, como esse sujeito pode ter virado a casaca depois de tudo que aprendeu com Joiada? Seis anos morando com ele, outros tantos anos sendo orientado, então, de uma hora para outra esquece de Deus, volta as costas para o templo.

Porque isso aconteceu? Porque alguém se afasta dessa forma de Deus?

Isso aconteceu porque Joás perdeu sua referência espiritual.

E isso infelizmente acontece também nos nossos dias.

Muitos crentes têm se afastado da sua igreja, se afastado até de Deus porque tem a referência espiritual errada.

Alguns filhos de pais consagrados, pais atuante na igreja, enquanto são crianças os pais os levam à igreja, os pais são uma referência, depois alguns desses filhos crescem, encontram outro referencial e se afastam, ou visitam a igreja quando lhes da vontade.

Mas a referência é como o norte da bússola, precisar ser constante, correta, SEM VARIAÇÃO, ou nos levará ao lugar errado.

Joás permitiu que os líderes de Judá se prostrassem diante dele, e o seduzissem, então voltou à idolatria que sempre foi condenada por Deus.

Muitas vezes somos seduzidos por coisas, por pessoas, com uma fala mansa, mas que contraria a verdade da palavra de Deus.

Crentes saem da igreja porque tem como referência outros crentes, então quando alguém erra, ou lhe ofende, porque humanos erram às vezes, a pessoa fica tão frustrada, é como se tivesse sido traída, e se decepciona com a igreja.

Mas o terrível mesmo é quando o referencial é do mundo. Cuidado adolescentes e jovens com os referenciais, atores, atrizes, essa gente que que é badalada como artistas, músicos, mas sem qualquer orientação espiritual do Deus altíssimo, e muitas vezes com características morais tão baixas.

Uma das marcas do tempo em que vivemos, chamado de pós-modernismo, é a ausência de um referencial externo para nossa conduta. Diante disto DEUS sai de cena e fica apenas o dEUs, e o nosso referencial passa a ser nosso próprio coração. Mas “enganoso é o coração do homem”.

Por isso todos nós precisamos nos fazer a seguinte pergunta: Qual é a minha referência espiritual? Diante das situações da vida, que na maioria das vezes são tão complexas, para onde eu olho para fazer o que é certo? Para fazer a vontade de Deus?

Por isso eu preciso mostrar a você qual deve ser a nossa referência em todo o tempo. Eu quero ler o texto de Hebreus 12.1 e 2-a:

“1. Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas depois de eliminar tudo que nos impede de prosseguir e o pecado que nos assedia, corramos com perseverança a corrida que nos está proposta,
2. fixando os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (...)”. (Hb 12.1 e 2-b).

Em todo o tempo precisamos fixar nossos olhos em Jesus, Ele é a única referência que nós devemos ter para delinearmos nossa vida.

Nós podemos olhara para crentes consagrados, e copiar os bons exemplos, olhar para os pastores e buscar orientação de homens consagrados, mas nosso único referencial imutável, que nunca vai nos decepcionar e que sempre vai nos apontar para Deus é Jesus Cristo, porque ele mesmo é Deus.

E não podemos mudar a rota no meio da caminhada. Independente das circunstâncias que vivamos, das dificuldades, das lutas, Jesus deve sempre ser este referencial seguro.

Continue olhando para Jesus, conheça a vontade do Senhor, faça a vontade do Senhor, você nunca vai se arrepender disso.

Mas uma segunda coisa que podemos aprender com a história de Joás e Joiada é que...

2) PRECISAMOS NOS LEMBRAR DE SERMOS GRATOS (v. 22).

“22. Assim, o rei Joás não se lembrou da bondade que Joiada, pai de Zacarias lhe havia feito, mas matou seu filho, o qual disse ao morrer: Que o Senhor veja isto e lhe retribua.” (2 Crônicas 24.22).

Quando se perde um referencial espiritual, umas das marcas que a pessoa passa a demonstrar é a ingratidão.

Ao meditar neste texto eu fiquei pensando na ingratidão de Joás. A tia e o tio Joiada o esconderam por seis anos, colocando a própria vida em risco. Joiada o criou, e muito certamente deve ter convivido com Zacarias durante seus dias de esconderijo.

Joiada morre e Joás se esquece de tudo quanto ele fez.

Mas a primeira pessoa que sofreu com a ingratidão de Joás foi o próprio Deus...

Porque afinal de contas, Joiada preservou a vida de Joás ao escondê-lo por obedecer a Deus, e o escondeu no Templo do Senhor.

Mas Joás preferiu dar ouvidos aos bajuladores que se prostraram diante dele.

Nós não matamos os filhos das pessoas que nos abençoam, mas em muitos momentos parecemos mostrar ingratidão pelo que recebemos de Deus.

Há poucos dias uma pessoa próxima mandou um Wattsapp, estava questionando se Deus havia se esquecido dela, isso porque ela estava desempregada há uns quinze, vinte dias.

A forma que eu usei para mostrar a ela como Deus não a havia esquecido foi simplesmente mostrar tudo que ele tinha feito e ainda estava fazendo.

Seu marido, eu disse, é fazendeiro. Sua filha está estudando odontologia em Vitória. Seu filho já está formado em farmácia. Todos estão com saúde. Você tem casa própria. Tem um bom carro, tem uma moto. São tantas coisas que Deus tem concedido.

Aí eu mandei o versículo 12 do Salmo 116: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem concedido”.

Como tem gente que reclama, eu não sei se você conhece alguém assim: Se está sol reclama do calor; se está frio, reclama do frio; se a pregação é longa, reclama, se é curta, reclama.

Mas muitas vezes nossa ingratidão é voltada para Deus. Se entregamos nossa vida a Deus e ele está no controle de todas as coisas, porque reclamamos quando ele age.

Um pneu furado pode ser um livramento e motivo de gratidão se você compreende o agir de Deus.

Nós precisamos viver todos os dias com gratidão a Deus por todos os benefícios que recebemos, mas também precisamos mostrar gratidão às pessoas.

Não estou dizendo que alguém deva fazer o bem a outra pessoa esperando algo em troca, mas se grato não tira pedaço, e reconhecer o benefício recebido certamente faz bem para quem ouve.

E a gratidão não deve estar vinculada ao tamanho do benefício recebido.
Há pessoas que só agradecem se recebem algo grande em suas vidas, os pequenos presentes de Deus e de outras pessoas às vezes passam despercebidos em nossa vida.

Por isso precisamos ter em mente, que para vivermos uma vida que agrade a Deus, precisamos nos lembrar de agradecê-lo por tudo que recebemos (como diz Paulo em 1 Tessalonicenses 5.18: “Sede gratos por todas as coisas, pois essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. E a história de Joiada e Joás nos mostra que também devemos ser gratos às pessoas que nos fazem o bem.
 
Pois a ingratidão de Joás o levou à morte. Por isso, para vivermos uma vida que agrade a Deus...

3) PRECISAMOS SER FIEIS EM TUDO, POIS HÁ CONSEQUÊNCIAS (v. 25).

“25. Quando os sírios se foram, deixaram-no gravemente ferido; então seus servos conspiraram contra ele por causa do sangue dos filhos do sacerdote Joiada, e o mataram na sua cama, e assim ele morreu; e o sepultaram na Cidade de Davi, mas não no sepulcro dos reis. ” (2 Crônicas 24.25).

A forma como vivemos nossa vida tem repercussões que nós às vezes nem imaginamos.

Joás tinha tudo para ter um reinado próspero e pacífico, guardado por Deus, bastaria que ele continuasse e mantivesse a reforma política que ele tinha iniciado sob a orientação de Joiada.

Mas ele escolheu a idolatria e o verso 25 mostra que ele foi assassinado pelos seus servos em sua cama.

Quando alguém, principalmente um líder, perde a referência espiritual, moral, mostra-se ingrato, infiel, não pode esperar que seus liderados mostrem respeito por ele.

E os atos de Joás não se limitaram à sua morte. As consequências não pararam depois que ele morreu.

Seu filho Amazias tomou o trono em seu lugar, e o texto de 2 Cr 25.2 diz que “Ele fez o que era correto diante do Senhor, mas não o fez com integridade de coração”. Ele também se tornou idólatra, e o verso 27 de 2 Cr 25 diz que seus servos também o mataram (foi idólatra como o pai e teve o mesmo destino trágico do pai).

No lugar de Amazias reinou seu filho, Uzias (como é chamado em 2 Reis 15 de Azarias), este caminhava bem, até que decidiu que tinha o direito de oferecer incenso no templo, quando só os sacerdotes podiam fazer isso (2 Cr 26), o resultado foi que ele ficou leproso, ficou morando em uma casa separada e foi excluído do Templo do Senhor até a sua morte. Antes de morrer fisicamente, apodrecendo aos poucos, ele morreu socialmente e espiritualmente, pois um leproso não podia ter contato com outras pessoas, nem podia entrar no templo, local de adoração a Deus.

Eu fiz questão de mostrar como os atos, a forma como Joás escolheu viver influenciou a vida dos seus descendentes.

Eu preciso ressaltar que não estou falando de maldição hereditária, isso não existe (cada um presta contas a Deus pelos seus atos, suas decisões), mas exemplo existe, legado moral existe, e os filhos observam seus pais.

Nosso modo de viver normalmente influencia aqueles sobre o qual exercemos influencia: Nossos filhos, nossos familiares, nossos funcionários, nossos liderados e por aí vai.

E as consequências de viver, praticar ou escolher coisas que desagradam a Deus, mesmo que pareçam pequenas, tem grandes consequências.

Inicialmente eu pensei em dar a esta mensagem o título de “Um sacerdote no túmulo de um rei e um rei fora do seu túmulo”, porque foi isso que aconteceu.

Joiada, homem fiel a Deus por toda a sua vida. Preferiu correr o risco de morrer nas mãos da perversa Atalia a deixar que ela exterminasse a dinastia de Davi, trabalhou toda a sua vida para que a Nação voltasse a adorar somente o único Deus verdadeiro, um homem honrado moral e espiritualmente.

Seu filho Zacarias aprendeu com seu pai a não se curvar diante da impiedade, da idolatria, preferiu entregar sua vida ao repreender o rei a calar-se e viver uma vida em desacordo com a vontade do Senhor.

Joás caminhava com Deus, mas seu orgulho fez com que ele se tornasse idólatra, morreu assassinado pelos seus próprios servos, e não foi sepultado no túmulo dos reis, ele não era digno para receber essa honraria.

Seu filho foi assassinado, seu neto morreu exilado, leproso.

Um sacerdote cuja vida mostrou dignidade e honradez que o levou ao túmulo dos reis.

Um rei que perdeu seu direito a ser sepultado com os reis, por não viver de forma digna diante de Deus.
(...)
Como eu e você temos vivido nossa vida?

Que exemplo nossos filhos têm visto em nós?

Viva sua vida de forma que Deus se agrade, seja honrado e fiel em todas as coisas, você não estará fazendo isso em vão.

Pense nisso: Nosso exemplo vai viver mais do que nós!

Seu exemplo vai viver mais que você!

Você pode impactar outras tantas gerações, só depende de você viver uma vida totalmente na dependência e na presença de Deus.

CONCLUSÃO:

E eu chego ao fim desta reflexão, e gostaria que você levasse na sua mente estas três coisas.

- Tenha como seu referencial Jesus (você nunca se sentirá perdido, nem se decepcionará);

- Seja grato a Deus por todas as coisas, e lembre-se de agradecer às pessoas também, isso faz bem para todo mundo; e

- Viva de forma que o seu exemplo sobreviva à sua morte, e que esse exemplo possa ser seguido pela sua descendência.

Que o Senhor nos dê sabedoria para vivermos na presença dele.

Vamos orar neste momento.

Linhares, 21 de junho de 2015.

Pr. Marcos José Milagre

PIB Linhares

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CAMINHANDO SOBRE O ABISMO

“CAMINHANDO SOBRE O ABISMO”
(Mateus 14.22-34)
Sermão preparado para a PIB Linhares, em 16/11/14, domingo, noite.

Boa noite irmãos e amigos.

Eu gostaria que nós refletíssemos nesta noite em um dos milagres de Jesus, e para mim, despois da ressurreição de mortos, é o milagre que mais me chama a atenção, o de que Jesus caminhou sobre a água.

E não só Jesus, porque se fosse só Jesus a caminhar seria mais fácil compreender, afinal Jesus é Deus, Deus caminhar sobre a água é moleza, mas e Pedro que era apenas homem?

Porque Pedro também caminhou sobre a água, ainda que por um pouco de tempo.

Eu nunca mais ouvi a história de ninguém que tenha caminhado sobre a água depois disso, então é um evento único que merece toda a nossa atenção.

Por isso a proposta desta noite é analisar essa caminhada de Pedro e ver o que podemos aprender e aplicar às nossas vidas, ao nosso relacionamento com Deus.

E, para começar nossa meditação, abra sua Bíblia no evangelho segundo Mateus, capítulo 14, versos 22 a 34, quando encontrar o texto se coloque de pé para lermos de forma alternada este texto:

“22.” (Mateus 14.22-34).

Nós vemos que Pedro caminhou sobre a água, essa caminhada foi sobre o Mar da Galileia, e Caminhar sobre a água já deve ser algo fantástico, mas também assustador. Madrugada. Vento forte e o abismo abaixo dos seus pés.

É realmente um desafio de fé. Eu nunca tentei caminhar sobre a água, acredito que você também não tenha feito isso, mas, sem querer alegorizar o texto bíblico, todos nós certamente já caminhamos ou ainda vamos caminhar sobre o abismo, como Pedro fez.

Observando nossa existência, a vida do ser humano em família, em todas as atividades que desenvolvemos no nosso trabalho, nos estudos; todos os desafios que enfrentamos no nosso dia-a-dia, certamente em algum momento da sua vida você já sentiu que estava caminhando sobre o abismo.

Por isso o tema da nossa reflexão nesta noite é “Caminhando Sobre o Abismo”, e certamente Deus vai nos ensinar algumas coisas muito importantes ao meditar neste texto.

Por isso mantenha a sua Bíblia aberta para me acompanhar por gentileza.

E a primeira observação a faze sobre o texto e que vai se aplicar a todos nós é que para caminharmos sobre o abismo...

1) PRECISAMOS RECONHECER JESUS (v. 26)

“26. Mas, ao vê-lo andando sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: É um fantasma! E gritaram de medo.” (Mt 14.26).

Eu não sei se você já leu esse capítulo 14 de Mateus, mas uma coisa que nós podemos destacar, por exemplo, é que os discípulos haviam acabado de sair de um culto.

Você percebeu isso?

Os versos antecedentes deste capítulo 14 mostram que Jesus havia recebido a notícia que João Batista havia sido morto a mando de Herodes e por isso ele havia tentado se retirar para um local deserto para refletir sobre isso, talvez passar pelo luto, mas o verso 13 diz que quando as multidões souberam onde Ele estava, elas o seguiram a pé desde as cidades.

Então Jesus teve compaixão dessa multidão de pessoas e curou os enfermos, e depois os alimentou multiplicando os cinco pães e dois peixes.

Os discípulos então haviam presenciado muitas curas e a multiplicação de alimento para cinco mil homens adultos, além das mulheres e crianças.

Quando essa atividade toda acabou é que Jesus obrigou os discípulos a entrarem no barco.

Então os discípulos tinham acabado de sair de um culto com a presença física de Jesus em que presenciaram milagres.

O problema é que algumas horas depois eles já estavam no barco e quando viram Jesus caminhar sobre as águas começaram a gritar: Fantasma, socorro! O verso 26 diz assim:

“26. Mas, ao vê-lo andando sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: É um fantasma! E gritaram de medo.” (Mt 14.26).

Eu fico pensando em Jesus ouvindo um bando e homens barbados gritando com medo de fantasma (Socorro, socorro, fantasma, fantasma).

Mas os judeus acreditavam em fantasmas?

Havia uma crença popular entre os judeus, não era religiosa, seria algo hoje como o saci Pererê, mula-sem-cabeça, alguma coisa desse tipo, de que os demônios saiam à noite para fazer aos homens.

Há até um documento preservado da literatura judaica, de que era proibido um homem saudar o outro à noite, pois o sujeito poderia pensar que era um espírito maligno.

Então o medo dos discípulos era baseado nessa crença popular, se nós lembrarmos que muitos discípulos (como Pedro, André, Tiago, João), eram pescadores, pessoas simples, esse medo possa se explicar por este ponto de vista.

Mas teologicamente falando, os discípulos tiveram medo unicamente porque não reconheceram Jesus. Tanto é que depois que ele se apresentou a eles, tudo se acalmou.

E por que destacar essa informação que o texto traz? Porque é tão importante pensar que os discípulos gritaram como um bando de crianças assustadas?

Porque os discípulos saíram de um culto e horas depois estavam gritando com medo de fantasmas.

Nós estamos em um momento de culto agora, mas esse culto vai acabar daqui a pouco.

E você vai sair daqui também. Como você vai se comportar daqui a algumas horas?

Será que o que você está vivenciando agora, aqui, com a presença de Jesus (sim, porque no texto de Mateus 18.20 Jesus afirmou que onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome, ali ele estaria), então Jesus está presente.

Será que a presença de Jesus neste culto fará diferença na sua vida daqui há algumas horas? Ou será que vamos ficar gritando de medo (fantasma, fantasma) quando Jesus quiser se fazer presente nas nossas vidas.

A primeira lição para caminharmos sobre o abismo é reconhecer Jesus quando ele está na nossa vida.

Porque agora você está em ato de culto. Temos músicas que falam das verdades bíblicas, lemos textos da Bíblia, você se sente seguro, sente que Jesus está aqui, isso traz conforto.

Mas quanto você estiver na travessia da sua vida (assim como os discípulos estavam), assustado ao enfrentar o vento contrário na sua vida, a noite escura, se você não reconhecer Jesus até mesmo a aproximação dele vai lhe causar medo, assim como causou aos discípulos.

Mas não basta reconhecer Jesus, você precisa crer em Jesus, ou você não vai poder se aproximar Deles, isto é o que diz o texto de Hebreus 11.6:

“6. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois é necessário que quem se aproxima de Deus creia que ele existe e recompensa os que o buscam.” (Hb 11.6).

Há pastor, mas eu creio em Jesus.

Se você crê ótimo. Mas crê como? Essa crença faz diferença na sua vida?

Porque fé é algo intangível, não há como pesar, medir, ver. Mas a fé verdadeira, essa crença sincera em Jesus, sempre vai resultar em coisas concretas, como por exemplo, o sujeito não ter medo de fantasma.

A carta de Paulo a Tito, capítulo 1, verso 16 diz exatamente isso:

“16. Eles afirmam que conhecem a Deus, mas o negam por suas obras; são detestáveis, desobedientes e incapazes de qualquer boa obra.” (Tt 1.16).

Se você crê em Jesus não o negue depois que esse culto acabar, principalmente se você precisar caminhar sobre o abismo.

Se você está conhecendo Jesus nesta noite, saiba que Ele deseja estar com você, deseja acalmar o vendaval que é contrário na sua vida.

Mas você precisa reconhecê-lo, e precisa crer que ele existe e recompensa os que o buscam, e isso precisa ser algo concreto na sua vida.

Mas uma segunda coisa que o texto nos mostra, é que se você quer caminhar sobre qualquer abismo, em segundo lugar, você deve...

2) DEIXAR A FALSA SENSAÇÃO DE SEGURANÇA (v. 29).

“29. Ele lhe disse: Vem. Descendo do barco e andando sobre as águas, Pedro foi ao encontro de Jesus.” (Mt 14.29).

No meio da madrugada, atravessando um grande lago, um vento forte soprando contra a sua embarcação. Então Jesus aparece caminhando tranquilamente sobre a água. E Pedro pede que ele o convide para caminhar sobre a água.

Sabe o que é que me chama a atenção nessa história?

Foi Pedro sair do barco.

Mas porquê?

Porque o barco significava para Pedro a única coisa que poderia trazer à sua mente algum tipo de segurança.

No meio de um vendaval, atravessando um mar, certamente um barco de madeira pode lhe trazer alguma segurança.

Mas para caminhar sobre o abismo com Jesus você precisa deixar as coisas que lhe dão uma falsa sensação de segurança.

Será que você tem alguma coisa na sua vida que pode estar lhe dando essa falsa sensação de segurança?

O dinheiro que você tem? A sua saúde? Talvez a sua família ou as suas amizades?

Se qualquer uma dessas coisas estiver impedindo você de se aproximar de Jesus, ainda que seja caminhando sobre o abismo, então ela representa uma falsa sensação de segurança.

E eu mostro para você como qualquer coisa que não seja a confiança em Jesus é uma falsa sensação de segurança:

Outro dia eu estava olhando uma reportagem que fez uma revisão do Tsunami de 2004 que varreu o oceano Indico matou cerca de 230 mil pessoas em poucas horas. Cidades inteiras deixaram de existir. O próprio espaço e tempo foi alterado, o eixo da terra foi alterado em 2,5 cm e o dia ficou mais curto em 6.8 microssegundos, porque o planeta passou a girar mais rápido.

Essas 230 mil pessoas morreram. Além de 1 milhão e meio de desabrigados.

Casas e carros perdidos, empresas e empregos deixaram de existir; famílias inteiras mortas.

Se alguém depositava sua esperança, sua confiança nessas coisas a água as levou embora de uma hora para outra.

No que nós temos firmado nossa confiança? Qual é a sua esperança?

Não pode ser em “barquinhos de madeira no meio do mar” (coisas que passam).

Os demais discípulos confiaram no barquinho e não saíram dele.

O grande problema é que nós ficamos agarrados a “barquinhos de madeira”, coisas tangíveis, que podemos nos agarrar, mesmo que elas nos levem para o fundo do mar.

Bens materiais, dinheiro, pessoas. Coisas que hoje estão aqui e amanhã podem não estar conosco.

Eu gosto muito de um texto do apóstolo Paulo que mostra que podemos confiar em Jesus, mesmo em meio à tribulação (Romanos 5.3-5):

“3. E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz perseverança,
4. e a perseverança, a provação, e a aprovação, a esperança;
5. e a esperança não causa decepção, visto que o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5.3-5).

Jesus é o único em que você pode verdadeiramente confiar sabendo que ele não vai te decepcionar, na verdade ele é o único que concede a verdadeira esperança.

E nós só confiamos nele totalmente quando aceitamos o seu chamado dizendo a cada um de nós: Vem. Como ele disse a Pedro.

Você pode sair deste culto da mesma forma que entrou, confiando em você mesmo e nas coisas que tem acumulado ao longo da sua vida; ou você pode entregar sua vida e seus sonhos a Jesus, Ele é o único que nos garante esperança!

E, por fim, a última coisa que podemos aprender neste texto para podermos caminhar com segurança sobre o abismo, é...

3) PEÇA SOCORRO A JESUS (v. 30 e 31)

“30. Mas, ao perceber o vento, teve medo; e, começando a afundar gritou: Senhor, salva-me.
31. Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (Mt 14.30-31).

Eu preciso explicar uma coisa antes de falar sobre o pedido de socorro a Jesus. É essa fala de Jesus a Pedro: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?

Jesus não estava dizendo que Pedro não tinha fé. Afinal, descer de um barco no meio da madrugada e andar sobre a água não é para qualquer um. Os outros discípulos ficaram no barco, só Pedro desceu.

A palavra grega usada por Jesus para dizer que Pedro tinha pequena fé na verdade significa que Pedro tinha uma fé oscilante. A expressão significa que ele estava vacilando entre dois caminhos.

Então nossa primeira palavra é para os Cristãos. Pedro era um discípulo e ainda assim sua fé era oscilante, parecia uma gangorra, em cima e em baixo.

Como está sua fé meu irmão, minha irmã? O vento tem feito você afundar?

Aliás, porque Pedro ficou com medo do vento? Eu teria ficado com medo da água, pisar sobre água não é algo natural é sobrenatural, mas o vento, ainda que estivesse forte era algo natural.

E além disso o vento, assim como todas as coisas neste mundo, está sujeito à autoridade de Jesus. No verso 32 mostra que assim que Jesus subiu no barco o vento cessou.

O grande problema é esse queridos: às vezes deixamos de olhar para o sobrenatural de Deus e tememos aquilo que é natural.

Quando você deixa de olhar para a onipotência de Deus e começa a olhar para o problema: o desemprego, a enfermidade, a dificuldade relacional no lar.

Mas a promessa de Jesus: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua Justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

Vamos aprender então queridos a olhar para Jesus, não para o vento (as dificuldades, aquilo que nos dá medo), porque quando olhamos para Jesus o resto é ele quem resolve, é ele quem traz a solução.

Mas o texto mostra que Pedro começou a afundar, e o que foi que ele fez?

Ele saiu nadando? Afinal ele era pescador, devia nadar bem.

Foi isso que ele fez?

Não, ele gritou por socorro a Jesus.

Eu não sei se tudo vai bem na sua vida, se sua conta bancária está recheada, se sua casa é uma mansão, se o seu carro é do ano, se sua saúde anda exuberante e se sua família é linda. Só Deus pode conhece a sua vida, e conhece até melhor que você.

Mas ainda que todas essas coisas estejam da forma como eu falei, aparentemente perfeitas, sua vida nunca vai ser perfeita sem que Cristo faça parte dela.

E vão chegar momentos em que você vai se sentir como Pedro: afundando.

O único que pode estender a mão e segurar sua vida é Jesus.

CONCLUSÃO:

Nesta noite, neste pouco tempo em que estivemos refletindo neste milagre em que Deus (Jesus) e um homem (Pedro) caminharam sobre a água pudemos observar que, para que nós também possamos caminhar sobre os abismos que a vida nos apresenta, precisamos reconhecer Jesus, precisamos deixar tudo aquilo que nos impede de irmos até ele (toda falsa sensação de segurança) e por fim, precisamos clamar por Jesus.

Quando eu li a Bíblia a primeira vez e cheguei a este texto em que Pedro clamou pelo socorro de Jesus eu me recordei que já tinha lido isso antes, no Livro do Profeta Isaias (Capítulo 59, verso 1º):

“1. A mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar; nem o seu ouvido está surdo, para que não possa ouvir;” (Is 59.1).

Jesus está com os ouvidos atentos nesta noite para ouvir o seu pedido de socorro, e a mão dele está pronta para salvar, mas o pedir o socorro, ou afundarmos em silêncio, isso é conosco.

Eu não poderia sair deste culto hoje sem perguntar a você se depois de ouvir a palavra, de compreender a palavra, se você quer entregar sua vida a Jesus e ter certeza, que quando precisar caminhar sobre o abismo Jesus estará com você, segurando sua mão.

Segure hoje na poderosa mão de Jesus, entregue sua vida a ele e caminhe com esperança, com paz.

Se você compreendeu a mensagem e quer entregar sua vida a Jesus nesta noite, levante uma de suas mãos para que nós possamos orar juntos.

Eu quero convidar os irmãos diáconos a estarem aqui para receber os dízimos e ofertas dos membros da Igreja, os amados visitantes não precisam ficar constrangidos este é um momento para que os membros possam devolver dízimos e ofertas, mas se você entregou sua vida a Jesus venha aqui na frente também, unicamente para dizer: Jesus eu entrego minha vida nas suas mãos!

Você pode sair daqui como entrou. Mas você pode sair salvo por Jesus, isso é com você, a mão de Jesus está estendida, não encolha a sua.

Fique de pé, vamos orar neste momento.

Linhares, 15 de novembro de 2014.


Pr. Marcos José Milagre